MILENE MORETO

Momento de conflito

Milene Moreto
milene@rac.com.br
07/08/2013 às 05:00.
Atualizado em 25/04/2022 às 06:32

iG - Milene Moreto (Cedoc/RAC)

As greves de pelo menos três setores do poder público em Campinas, somadas à rebelião que se deu na Câmara dentro da base aliada do prefeito Jonas Donizette (PSB), têm feito com que o secretário de Relações Institucionais, Wanderley Almeida, dobre seu poder de convencimento. Wandão afirmou que tem dialogado com as categorias que decidiram paralisar as atividades nos últimos dias e tentado convencer os servidores de que o momento ainda é de transição e difícil, principalmente em relação a dinheiro.InsatisfaçãoO secretário “das crises” atribuiu as mobilizações dos servidores à onda de insatisfação no País. Segundo Wandão, o que o Executivo pode oferecer de benefícios e ampliação salarial foi feito e não tem como comprometer ainda mais a folha de pagamento sob a justificativa de não conseguir, no final do ano, dar conta de pagar o décimo terceiro. O momento não é fácil para o governo e a única saída é convencer.  RebeladosEnquanto as paralisações tomam conta da agenda do governo, a base aliada na Câmara não tem facilitado a vida de Jonas. O provável racha de parte dos governistas forçou o Executivo a ampliar o diálogo. Wandão disse ontem que já recebeu no seu gabinete um grupo de vereadores e que tem mais reuniões com os parlamentares agendadas para hoje. Depois de afirmar que não existiam problemas entre os aliados, Wandão reconhece agora o que chamou de “insatisfação” de um núcleo de vereadores. Não rachaApesar da relação tensa no Legislativo, Wandão atesta que não existe “clima para rompimento”. Parlamentares do PTB, PMDB, PCdoB e PSDB ensaiaram uma debandada. A primeira sessão após o recesso foi tensa, com direito a bate-boca entre oposição e os principais aliados de Jonas. E o clima promete esquentar hoje diante da organização de uma nova manifestação na Casa para forçar a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar irregularidades na planilha de custos do transporte público. TermômetroO governo observa com cuidado a organização da nova manifestação prevista para ter início hoje, às 17h, no Largo do Rosário, com destino ao prédio da Câmara. Os integrantes do Executivo querem identificar e medir a adesão ao movimento para avaliar se os conflitos políticos em Campinas serão ampliados no segundo semestre. Todos nós queremosOs parlamentares de Campinas voltaram do recesso com sede de informações sobre as planilhas da Emdec que norteiam os preços da tarifa na cidade. Acontece que, mesmo com as reivindicações, além da oposição, ninguém mais assinou a CPI do Transporte proposta por Paulo Bufalo. Gustavo Petta (PCdoB) chegou a dizer que defendia uma auditoria externa. Luiz Carlos Rossini (PV) também pediu informações ao Executivo sobre gratuidades e composição da frota das empresas. Funciona?A secretária de Educação de Campinas, Solange Villon, retomou a ideia de promover um gabinete itinerante e promete visitar as unidades educacionais da cidade e ouvir as demandas dos trabalhadores.FrotaA Prefeitura de Campinas cancelou a licitação que serviria para contratar a nova frota de veículos no Executivo para relançar o edital nos próximos dias. A previsão é de que seja gasto por mês pelo menos R$ 1 milhão com a locação dos automóveis. Segundo o secretário de Administração, Sílvio Bernardin, o processo de concorrência vinha desde o ano passado e precisou passar por mudanças. A Câmara também renovou neste ano a frota de veículos por um custo de R$ 491 mil pelo período de nove meses.  

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