EDITORIAL

Modernidade no sistema de transporte

24/11/2013 às 05:00.
Atualizado em 24/04/2022 às 22:22

Quando se estrutura um sistema de mobilidade urbana a partir da priorização do transporte coletivo, em detrimento do uso de veículos individuais, que ocasionam gastos maiores e congestionamentos nas vias, é preciso ter em foco que o primeiro passo para a eficiência é a capacidade de absorção de tecnologia que possa trazer conforto, agilidade e segurança para os operadores do sistema e os usuários.Em Campinas, depois de anos de marca passo na implementação de políticas de transporte mais eficientes, começam a ser discutidos projetos de maior alcance, como a reativação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), os ônibus articulados, os corredores especiais de escoamento, ao tempo em que o atual sistema de transporte coletivo busca alternativas para atrair mais passageiros e oferecer opções de baixo custo e alta conveniência.Muitas destas propostas esbarram na dificuldade de se assimilarem tecnologias e técnicas que poderiam favorecer o transporte, prover maior segurança e facilidades para os usuários. É o caso de implantação urgente de um sistema inteligente e controlado de venda de bilhetes para os ônibus urbanos em pontos não embarcados, quer dizer, fora dos coletivos. A medida, de simplicidade óbvia e testada com sucesso em outros sistemas de transporte, permitiria maior agilidade no embarque e desembarque de passageiros, eliminaria o uso de dinheiro que atraem ladrões, além de evitar fraudes de cobranças não contabilizadas.Não há razão para não se incluir a medida na agenda de mudanças possíveis e aguardadas. A venda de bilhetes para o transporte em pontos espalhados pela cidade não é novidade para os usuários e só oferece vantagens, mesmo para passageiros ocasionais. Assim é no metrô de São Paulo, em parte do movimento de passagens em Campinas, em vários países da Europa, com resultados aprovados e recomendados por especialistas (Correio Popular, 23/11, A6). Reduz custos, torna o embarque mais rápido e seguro, permite um maior controle do sistema por parte dos concessionárias e das Prefeituras contratantes, facilita as operações de integração, em elenco nada desprezível de vantagens.Não bastassem os aspectos técnicos e funcionais, coloca-se como relevante a redução da violência nos coletivos. Somente no primeiro semestre deste ano, foram registrados 264 casos de assaltos em ônibus, colocando em risco a vida de cobradores, motoristas e passageiros, em inaceitável situação de insegurança contra a qual não há perspectiva de uma eficaz intervenção.

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