CAMPINAS e RMC

SAÚDE Hospital das Clínicas bate recorde de transplantes

Publicado 10/01/2018 - 22h52 - Atualizado 10/01/2018 - 22h52

Por Letícia Guimarães

O Hospital de Clínicas da Unicamp (HC) bateu recorde nos transplantes realizados no ano de 2017. Somando os procedimentos realizados nas cinco áreas que o HC abrange, foram 485 transplantes realizados no ano passado, superando em 134 as cirurgias em 2016. Os transplantes de rins, fígado e córnea merecem destaque, já que superaram as marcas anteriores. Outro passo importante foi o aumento nas notificações e doações de órgãos captados pela Organização de Procura de Órgãos do HC. As notificações são feitas quando o hospital identifica um paciente com potencial para doação. No ano passado foram 371 avisos contra 334 em 2016. Das notificações, 132 se converteram em doadores em 2017, contrapondo às 97 no ano anterior. Após as conquistas, o HC pretende avançar incluindo no rol os transplantes de pulmões e pâncreas, além de atender pacientes portadores do vírus HIV com doença renal crônica .
Os transplantes que atualmente são realizados na unidade são os de medula óssea, rim, fígado, córnea e de coração. Os procedimentos cardíacos foram os únicos que tiveram queda, passaram de 8 em 2016 para 6 no ano passado. Todos os outros superaram as marcas de 2016 e alguns bateram, inclusive, o recorde histórico do HC.
O transplante de córneas, por exemplo, começou a ser realizado no local em 1991, e teve seu ápice em 2002, quando 130 procedimentos foram realizados. Em 2017 houve um aumento de 67%, atingindo 218 transplantes. Os 70 transplantes de fígado feitos no ano passado ultrapassam em 27% a marca histórica de 2008, e os de rim também superaram o recorde, de 146 procedimentos em 2010, quando houve um maior número de cirurgias. Em 2017 foram 148.
A professora e coordenadora dos transplantes hepáticos, Ilka Boin, explica que o aumento nas cirurgias de transplante só foi possível devido ao aumento na captação de órgãos. Marilda Mazzali, que coordena o Programa de Transplante Renal da Unicamp, conta que a meta no início de 2017 era de realizar 140 transplantes, mas o ano foi encerrado com oito procedimentos a mais, estes feitos com doador vivo. “Só não fizemos mais do que isso porque preferimos manter a qualidade em detrimento da quantidade. A gente liquidou mais de 30% da nossa lista de espera utilizando os rins de pacientes falecidos, porque nem sempre de um doador vivo, relacionado ao paciente, é possível ter a compatibilidade. A média de espera passou de quatro para dois anos”, contou. A lista de pacientes com tipagem sanguínea B e AB, mais raros, que aguardavam doação foi zerada. De acordo com a médica, quanto menor o tempo de espera de diálise, melhor a qualidade de vida do paciente.
Segundo o professor Antonio Gonçalves Filho, coordenador de Assistência do HC, o trabalho dos integrantes da OPO é importante para os resultados dos transplantes. As equipes vão até os hospitais de 127 municípios para conversar com as famílias e coletar os órgãos. O transporte é feito de carro em locais até 300km de distância de Campinas, e em cidades mais distantes, a busca é feita a bordo de helicóptero.
“A capacitação e o empenho no trabalho da equipe fazem a diferença. Além disso, a sociedade passou a ser mais doadora. Um dos resultados da OPO é que a organização é a que mais disponibiliza corações para serem transplantados no Estado de São Paulo. No ano passado foram cerca de 20.”
Apesar de ainda haver 40% de negativas da família para doação, nós conseguimos aumentar o número de doadores. Gonçalves Filho conta que nem sempre a família é contra a doação de órgãos, mas que o momento em que a equipe da OPO procura dos familiares é delicado.
O aposentado Carlos Roberto de Paiva, de 55 anos teve problemas renais e, em 1996, passou por um transplante pela primeira vez, tendo como doador o próprio irmão. Ele ficou bem até 2010, quando o órgão parou de funcionar e foi necessário retomar o tratamento de hemodiálise, pelo qual ele já não passava há 14 anos. Por conta de uma hepatite, Paiva teve que passar por tratamento durante sete anos e, no início de novembro, pôde entrar na fila para receber um novo rim. A espera demorou cerca de dois meses e, na última sexta-feira, o aposentado passou novamente pelo procedimento que durou cerca de seis horas. “Agora estou de motor novo, de novo”, brincou.
O segundo transplante veio de um doador falecido, e Paiva conta que tem imensa gratidão pelo ato de doação. ‘A gente não conhece a família, mas gostaria muito de agradecer estes familiares que permitiram a doação, e espero que outras pessoas sigam fazendo isso para salvar vidas. A gente tem uma melhora, mais qualidade de vida e muita gratidão”, disse o paciente, emocionado.
Mais áreas
Para avançar na oferta de transplantes para pacientes, para o ano que vem a expectativa é que a equipe de cirurgia torácica do HC já esteja credenciada para realizar os procedimentos, segundo a médica Elaine Cristina de Ataíde. Eles já passaram por capacitação no Canadá. Marilda explica que os transplantes de pâncreas têm pouca demanda devido aos novos medicamentos para o tratamento da diabetes.
Em maio deste ano, pacientes com o vírus HIV e que tenham doença renal crônica poderão passar por transplante na unidade. Segundo Marilda, foi preciso fechar uma equipe com integrantes da área de infectologia para poder combinar os medicamentos para o tratamento do vírus com os que são tomados no pós-transplante, além de cuidados prévios para que a imunidade do paciente se estabilize antes do procedimento. “Já temos cinco pacientes em preparo para fazer o transplante”, explicou.
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Escrito por:

Letícia Guimarães