PET

Mini pig, um porquinho que pode crescer

Raça desenvolvida para atender a pesquisa médica, acabou se tornando opção para quem quer ter um animal de estimação diferente

Cibele Vieira
11/04/2022 às 12:49.
Atualizado em 11/04/2022 às 12:49

A veterinária Izabelle Oliveira com seus pacientes: uma bebê e uma criança de apenas 30 kgs (Arquivo Pessoal)

Diga adeus ao conceito de “porco”, aquele que já foi considerado um animal sujo, mal-humorado e parvo. Saiba que a espécie é considerada a quarta mais inteligente do planeta – ficando atrás apenas dos humanos, chimpanzés e golfinhos. O seu QI (Quociente de Inteligência) chega a superar o dos cachorros. Pois é, esse gordinho simpático alcançou o status de animal de estimação. E nas casas onde reina, é tratado como dama: usa hidratante e filtro solar, lixa as unhas, come frutas para controlar o peso e desfruta de todo conforto. Frequenta, inclusive, spas para cuidar da boa forma.  

Por ser um animal sociável, calmo, bem-humorado e esperto, o miniporco doméstico pode ser uma boa opção para quem procura por um bicho de estimação diferente. Aliás, a moda surgiu depois que alguns artistas começaram a exibir seus pigs passeando na coleira. Mas antes de adotar ou adquirir este tipo de pet, é importante conhecer algumas características e cuidados. O porco bebê é uma gracinha, pequeno e rechonchudo. Mas não se iluda, ele cresce! Os “mini pigs”, como são chamados, quando vêm de criadouros sérios e têm uma alimentação adequada, podem alcançar 50 kg quando adultos. Mas não é raro ultrapassar os 100 kg, mesmo sendo mini (já um porco convencional ultrapassa os 400 kg).   

A veterinária Izabelle Joany de Oliveira, conhecida como “Dra. Pig” por ser especialista em suínos - e a única no País a cuidar exclusivamente de miniporcos - tem sua clínica na Serra da Cantareira, mas atende pacientes em todo País, com viagens programadas. Em Campinas e cidades da região, ela faz visitas periódicas para ver suas “tomadinhas”, como costuma chamar seus pacientes, fazendo uma brincadeira com o formato do focinho. Ela, inclusive, criou um hotel-spa suíno em Mairinque, SP, para hospedar esses pets quando precisam perder peso ou quando seus donos viajam. 

Questionada se recomenda criar um miniporco em apartamento, a veterinária responde: “claro, assim como recomendo cachorro em apartamento”. “Mas é importante lembrar que o dono precisa ter mais tempo para levar o bichinho para caminhar entre duas e três vezes ao dia”, alerta. Antes de optar pelo porquinho, ela sugere que o tutor verifique se na cidade há algum veterinário que saiba cuidar adequadamente da raça, que tem imunidade diferente dos porcos de abate. 

Cuidados especiais

Os porcos são animais onívoros, ou seja, se nutrem de alimentos de origem animal e vegetal, precisam comer de tudo. “As tomadinhas não conseguem ter uma alimentação vegana, pode ocorrer desnutrição ou anemia”, alerta a veterinária. Entretanto, como eles gostam muito de comer, é preciso manter equilíbrio para não se tornarem obesos. Ela recomenda rações específicas e alimentação natural (frutas, legumes, cereais e proteína animal). Algumas pessoas usam ração de coelho, mas ela precisa ser complementada com proteína animal. 

Os principais problemas de saúde da raça são a hiperalimentação, as intoxicações (porque comem tudo que encontram), problemas odontológicos e no aparelho locomotor, explica a Dra. Pig. Também há vacinações especificas para doenças que são zoonoses, além das que previnem pneumonia e diarreia. Esses animais, por serem inteligentes, são facilmente adestrados e muito limpos, fazem cocô e xixi sempre no mesmo lugar. E aprendem rapidamente as regras da casa. 

Outro cuidado é com a pele dos suínos, que pela ausência de glândulas sudoríparas não pode receber produtos adstringentes (como xampu de cachorro). O melhor é usar produtos para bebês. “Também é importante passar protetor solar onde não tem cobertura de pelos e hidratar a pele”, lembra a veterinária. 

O final não foi feliz 

O advogado Luiz Cesar Aguirre D’Otaviano mora em uma chácara no distrito de Joaquim Egídio, onde tem mais de 20 cachorros. Ele, a esposa Helga e a filha Raiane adoram animais e adotam os abandonados para cuidar, principalmente os idosos que ninguém quer. Há alguns anos eles decidiram comprar um miniporco para criar junto com os cachorros. Foi assim que a Kiwi chegou à residência e logo conquistou os humanos e os outros animais. “Inteligente, carinhosa e charmosa”, lembra D’Otaviano. 

Logo ela aprendeu a abrir a geladeira e os armários em busca de comida, tomou posse de sua cama e cresceu. Em pouco tempo, alcançou 100 kg, mesmo com alimentação balanceada e à base de frutas e milho, já que ela nunca aceitou ração. “Nossa maior dificuldade foi encontrar um veterinário que entendesse de suínos que não são para abate”, desabafa o tutor, que em vários momentos sentiu falta de orientações mais seguras. Aos seis anos, Kiwi morreu, vítima de um problema cardíaco. Aconteceu há dois anos e a família ainda lamenta a partida da sua ‘daminha’. 

Legislação proíbe

Algumas cidades, como Campinas e São Paulo, não permitem a criação de suínos em residências urbanas, mesmo que sejam domesticados. O veterinário Paulo Anselmo, diretor do Departamento de Proteção e Bem-Estar Animal de Campinas, explica que a lei municipal que estabeleceu o Estatuto do Animal em 2017 proíbe criar e manter no espaço urbano qualquer animal que não seja gato e cachorro (exceção feita aos cavalos do Jóquei e da Hípica). “Se a fiscalização encontrar miniporcos na cidade, eles serão recolhidos e doados para quem comprovar que pode criar em área rural”, alerta. Cidades do entorno, como Valinhos e Hortolândia não têm legislações específicas sobre o tema. 

Origem nobre 

Desde o século 16 os porcos são usados para ajudar a esclarecer a anatomia humana. Devido à semelhança fisiológica, morfológica e bioquímica entre o suíno e o ser humano, o uso de porcos em pesquisas científicas para experimentação na área médico-biológica se tornou comum. Mas como precisavam de uma “cobaia” menor para facilitar o manejo, foram desenvolvidas as linhagens de miniporcos. Hoje é comum o uso de válvulas cardíacas biológicas fabricadas a partir do tecido de porco e até o coração já foi usado para transplante em humanos. 

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