SAÚDE

Como os alimentos (e a falta deles) prejudicam sua saúde

Exageros, restrições e abuso de ultraprocessados podem levar ao surgimento de diversas doenças

Aline Guevara
22/04/2022 às 09:50.
Atualizado em 22/04/2022 às 09:50

Um grupo de alimentos se sobressai aos outros como fator de preocupação em relação aos malefícios causados à saúde quando ingerido com frequência: o dos ultraprocessados (Pixabay)

Alimentação e saúde estão intrinsecamente conectadas. Afinal, são os nutrientes provenientes de comida que fornecem praticamente tudo o que o nosso organismo precisa para funcionar corretamente. Para a nutricionista Letícia Avansini, mestranda em Clínica Médica na Unicamp, a alimentação é um dos pilares que contribuem para uma melhor saúde corporal. “Os nutrientes obtidos através da nossa alimentação auxiliam o bom funcionamento do nosso corpo tanto internamente, quanto externamente. Com boa alimentação evitamos refluxo, intestino preso, unhas quebradiças e a pele fica íntegra e hidratada”, descreve. 

Mas e quando há falhas nesse processo? A longo prazo, as consequências são mais graves. Segundo Danilo Villagellin, professor de Endocrinologia e Metabologia da PUC-Campinas e diretor do Centro de Pesquisa do Hospital da Universidade, algumas das mais recorrentes doenças crônicas - como hipertensão, diabetes, doenças do coração e problemas cardiovasculares - estão diretamente relacionadas aos nossos hábitos alimentares. “A obesidade, por exemplo, está ligada a uma dieta rica em gorduras e carboidratos, com pouca incidência de verduras”, explica o especialista. Até doenças como o câncer são mais incidentes em quem mantém uma má alimentação. 

Se o exagero a determinados alimentos é facilmente relacionável a problemas de saúde, a restrição alimentar não é vista com o mesmo peso, mas pode ser igualmente prejudicial. “Quando a pessoa faz dietas cortando carboidratos ou proteínas, ela pode deixar de consumir alguns nutrientes essenciais que precisam ser compensados para não ter deficiências. Pode haver um desbalanceamento”, alerta Danilo. 

“A alimentação deve ser adaptada à nossa rotina para que seja algo prazeroso e um hábito de vida, com o mínimo possível de alimentos industrializados, ultraprocessados ou fritos”


Letícia Avansini - Nuticionista

O perigo dos ultraprocessados

Um grupo de alimentos se sobressai aos outros como fator de preocupação em relação aos malefícios causados à saúde quando ingerido com frequência: o dos ultraprocessados. De acordo com a definição do Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, atualizado em 2016, eles são formulações industriais feitas tipicamente com cinco ou mais ingredientes. São pobres nutricionalmente, mas ricos em calorias, açúcar, gorduras, sal e aditivos químicos, têm sabor realçado e um longo prazo de validade. Alguns exemplos de ultraprocessados são biscoitos, sorvetes, bolos, cereais matinais, macarrão instantâneo, refrigerantes, iogurtes, molhos prontos, pães de forma e produtos prontos para consumo (massas, pizzas, hambúrgueres, nuggets e salsichas). Danilo dá uma dica para reconhecê-los: se no rótulo, o alimento tiver muitos ingredientes, possivelmente é ultraprocessado. “O problema desse grupo alimentar é que, além de não nutrir, não sacia direito a sua fome, então você come mais. É claro que de vez em quando nós podemos comer este tipo de alimento. Geralmente é mais barato e prático. Mas não pode ser a base da alimentação”, explica. 

“O ideal é buscar incluir no dia a dia uma maior diversidade de grupos alimentares. Algumas doenças crônicas estão diretamente relacionadas aos nossos hábitos alimentares”


Danilo Villagellin - Endocrinologista

Como se proteger de males ligados a má alimentação?

Não existe uma fórmula mágica. A única saída para evitar problemas relacionados a má alimentação é manter a ingestão de comida saudável. “Ela deve ser adaptada à nossa rotina para que seja algo prazeroso, fazendo parte dos hábitos de vida. Devemos consumir o mínimo possível de alimentos industrializados, ultraprocessados ou fritos, sempre preferindo uma variedade de frutas, verduras e legumes, assim como alimentos integrais”, elenca Letícia. O ideal, explica o endocrinologista, é buscar ao máximo incluir no dia a dia uma maior diversidade de grupos alimentares.

ALIMENTAÇÃO E A ENXAQUECA 

Os quadros de enxaqueca podem variar bastante de pessoa para pessoa. Porém, a alimentação pode contribuir para a piora das dores, de acordo com a nutricionista Letícia Avansini. “Alguns alimentos apresentam propriedades vasoativas e neuro inflamatórias, que estão relacionadas com as crises de dores”. A profissional sugere que o paciente faça um diário relatando todos os alimentos consumidos ao longo do dia, para que seja possível identificar o provável fator de piora na enxaqueca. Para o acompanhamento do caso, é indispensável a consulta com nutricionista e um médico. 

Alimentos que geralmente pioram a enxaqueca: 

Aqueles que contêm adoçantes ou conservantes, bebidas alcoólicas, bebidas ricas em cafeína (café, chá verde, chá mate e chá preto), alimentos com glutamato monossódico, chocolate, alimentos embutidos e alimentos que contenham glúten ou lactose.

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