Publicado 05 de Dezembro de 2021 - 19h49

Por Karina Fusco/ Correio Popular

Brechós que têm espaços físicos e também aqueles que operam de forma on-line seguem em ascensão

ELI K HAYASAKA / Divulgação

Brechós que têm espaços físicos e também aqueles que operam de forma on-line seguem em ascensão

O mercado de roupas de segunda mão está em alta. A mudança do olhar das pessoas em relação às peças paradas no guarda-roupas, a ampliação do entendimento da importância do consumo consciente e a crise econômica causada pela pandemia que fez as peças com preços menores ganharem destaque sustentam essa tendência. Com isso, brechós que têm espaços físicos e também aqueles que operam de forma on-line seguem em ascensão.

Para Eliane El Badouy, professora de Futuro e Tendências e de Economia Criativa, o chamado para essa mudança ficou mais intenso com a pandemia, pelo fato de as pessoas estarem em casa e se depararem com um volume enorme de itens sem uso, considerando desde roupas e sapatos até carros que ficaram parados na garagem e depois foram vendidos.

Ela reforça também que as pessoas começaram a entender que, mais do que estilo, a moda tem que trazer sustentabilidade, pois estamos falando de uma das indústrias que mais poluem. “O consumo intenso principalmente do fast fashion, que foi uma alternativa encontrada para resolver um problema na década de 1970, por conta da crise do petróleo, não faz mais sentido dentro de uma perspectiva de sustentabilidade. Por trás desse modelo que envolve não só a cultura do descartável, existe também uma produção que não leva em conta aspectos sociais. Muitas vezes há trabalho escravo envolvido”, explica.

Roda do consumo consciente

Com a relações-públicas Camila Caetano Stefanini, de 39 anos, era apenas questão de tempo para seu caminho profissional se cruzar com a moda sustentável. Neta de costureira e modista, ela cresceu no meio de máquinas de costura, agulhas, tecidos, linhas e botões e, mesmo quando comprava alguma roupa em loja, pedia para a avó Nina refazer colocando algum detalhe ou modificando algo.

Há três anos, quando decidiu mudar de área de atuação e entrou para o universo da moda, ela logo definiu que não queria trabalhar com roupas descartáveis e que gostava mesmo era da ressignificação das peças. “Tem aquela velha premissa: se os hotéis lavam os lençóis e talheres, por que com as roupas a gente precisa descartar com tanta facilidade?”, questiona.

Ela já frequentava brechós há um tempo e agora, atuando como consultora de moda, levanta ainda mais a bandeira do consumo consciente. “Não faz sentido ter peças paradas no armário, acho que temos que fazer uma roda de consumo consciente. Me identifico com os brechós tanto pela questão da sustentabilidade, como também por gostar de exclusividade, pois, garimpando é possível encontrar peças diferentes”, ressalta ela, que acaba de abrir um brechó on-line.

Segmentação dos brechós

A professora e consultora de imagem Ana Vaz, afirma que a questão da exclusividade é algo que fortalece muito a relação dos consumidores com os brechós. Segundo ela, as peças usadas, além de terem o apelo da sustentabilidade, que é algo que as novas gerações pensam com mais naturalidade, são atrativas por questões de preço e pela possibilidade de encontrar o que se difere do que está nas vitrines. “Muitas pessoas gostam de se diferenciar”, ressalta.

Ela destaca não apenas o aumento do número de brechós em Campinas, como também a variedade e segmentação desse tipo de comércio. “Há alguns focados em peças que estão na moda e outros com itens de época. É possível encontrar acervos com peças até da década de 1940, o que é um grande apelo para quem quer o autêntico”, completa.

Setor em expansão

Como cita a professora Eliane El Badouy, pesquisas realizadas pelos grupos internacionais Boston Consulting Group e McKinsey indicam que o negócio dos brechós é atualmente avaliado entre 30 e 40 milhões de dólares, correspondendo a 2% do total do setor de moda. “A estimativa é de crescimento entre 15% e 20% ao ano”, diz.

Veja outros dados que mostram que as vendas de peças usadas ainda têm muito o que crescer:

- 25 vezes mais rápido foi quanto o setor de usados cresceu em relação ao varejo de moda tradicional em 2019, de acordo com dados do Resale Report 2020, da ThredUP.

- 64 bilhões de dólares é o valor que o segmento de revendas de roupas deve movimentar até 2024, segundo a plataforma ThredUp.

- A geração Z representa 40% dos consumidores globais de brechós, segundo a McKinsey & Company.

BRECHÓS SOLIDÁRIOS

Diversas entidades mantêm bazares com seções de brechó que ajudAm a levantar fundos para a manutenção de seus projetos. Aqui alguns locais onde você pode tanto doar as roupas que não usa mais e estão em bom estado, como pode adquirir peças:

Casa de Jesus - funciona de 2ª a 6ª-feira das 8h30 às 17h30 e sábado das 9h às 13h – Tel. 3234-4398

Centro Corsini - funciona às 2ªs, 4ªs e 6ªs-feiras das 8h às 12h – Tel. 2101-0101

Educandário Eurípedes do Centro Espírita Allan Kardec - funciona aos sábados entre 9h e 13h – Tel. 3242.3877

Hospital Sobrapar - funciona de 2ª a 6ª-feira das 8h às 16h30 - Tel. 3289-4465

Sociedade Pró-Menor - funciona às 2ªs e 4ªs-feiras a partir das 13h – Tel. 3289-3163

Mãe Maria Rosa - funciona de 2ª a 5ª-feira das 14h às 17h - Tel. 3241 9777

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Karina Fusco/ Correio Popular