Publicado 29 de Novembro de 2021 - 17h49

Por Karina Fusco/ Caderno C

Gatinho da raça Exotic Shorthair (persa de pelo curto) precisa de cuidados higiênicos especiais

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Gatinho da raça Exotic Shorthair (persa de pelo curto) precisa de cuidados higiênicos especiais

Eles são fofos, independentes, amigos, divertidos, têm pelos macios e rendem momentos de muita ternura com crianças e adultos. Os gatos são os pets escolhidos para fazer parte de muitas famílias. E eles são numerosos.

A Ecology Global Network fez cálculos em todos os continentes e estimou que existam cerca de 600 milhões de gatos no mundo, entre os domesticados, de rua e acolhidos em abrigos de animais. No Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há 23,9 milhões de gatos domesticados. Um levantamento do Instituto Pet Brasil mostrou que, entre 2013 e 2018, o número de felinos nos lares brasileiros aumentou 8,1%, enquanto que dos caninos o crescimento foi de 3,8%. No ano passado, por causa da pandemia de covid-19, a população pet mundial aumentou e os gatos lideraram, com crescimento de 3,1%, seguidos pelos cães, com 2,1%. Ou seja, os gatos estão com tudo.

Em relação às raças, existem dados diferentes. A Federação Internacional de Felinos (FIFe) reconhece 48 raças, já a The International Cat Association (TICA) considera que são 71 tipos de felinos no mundo. Entre elas estão as exóticas.

O exótico mudou as regras da casa

A empreendedora Rose Lisboa Hara, de 46 anos, é uma apaixonada por gatos e entre os quatro que ela tem em casa, há um filhote da raça Exotic Shorthair, popularmente chamado de exótico de pelo curto. “É um persa de pelo curto, que não precisa escovar. Como é braquicefálico, com o nariz entre os olhos e isso comprime as vias lacrimais, tenho que limpar os olhos dele com soro fisiológico diariamente, às vezes até duas vezes por dia”, revela.

O exótico batizado de Yuki, que hoje tem sete meses, convive com dois persas e um gato sem raça definida (SRD), e é bem diferente dos amigos. Rose conta que enquanto os persas só querem dormir, ele é agitado, gosta de brincar, interagir e anda o dia todo atrás dela. “Como ele ficou doente quando veio do gatil, coloquei-o para dormir perto do meu quarto e ele pulou na cama. Agora só quer dormir lá, desafiando a proibição do meu marido, que valia até então. Minha filha mudou de cidade para estudar e o gato tomou conta do pedaço”, diverte-se.

Ela, que já teve um gatil em Bragança Paulista, faz questão de manter todos os cuidados com seus gatos. “Mesmo eles não tendo acesso à rua, são vacinados e castrados. Apenas o Yuki, por ainda ser bebê, ainda não pode ser castrado”, explica.

Um amor que chegou aos poucos

O empresário Leandro Alberto Camargo, de 46 anos, escolheu uma gata da raça Ragdoll, que é de maior porte, com pelagem longa e com características de Angorá e gato Sagrado da Birmânia, e quase ao mesmo tempo também pegou uma gata persa. Mas, até chegar a essa dupla batizada de Gordinha e Dita, ele viveu um episódio triste.

Leandro conta que não gostava de gatos até a ex-esposa trazer um SRD para viver com eles. A identificação com o bichano aconteceu facilmente, mas, o gato sumiu e alguns dias depois Leandro recebeu uma ligação informando que o gatinho tinha se enroscado na tela de um campo de futebol e não resistira. “Após esse episódio, compramos a Ragdoll em um gatil, com pedigree e castrada. Antes, estudamos a raça, vimos que a gata fêmea é bem caseira e castrada fica mais em casa. Porém, até ela chegar, compramos uma persa. Resumindo a história: minha ex-esposa foi morar em outra cidade e como os gatos acostumam com o ambiente, as duas estão comigo há seis anos e acabei me apaixonando por gatos”, revela.

Hoje, Gordinha e Dita são as rainhas da casa. Elas não dão trabalho e se comportam muito bem. “Esses gatos são para ficar dentro de casa, adoram colo e são dóceis. Como não fico muito em casa, a Gordinha, que é dependente de carinho e atenção, fica grudada o tempo todo na persa”, relata. Outro cuidado é dar ração especial para gatos castrados. “Senão, elas engordam muito”, diz.

Conhecimento prévio

A professora do curso de Medicina Veterinária da PUC-Campinas, Michele Andrade de Barros, explica que os gatos de raças exóticas geralmente têm um comportamento tranquilo. “O persa é um que gato que pode cair o mundo e ele continua ali, é mais pacato. Os braquicefálicos, de focinho achatado, também tendem a ser tranquilos e companheiros, mas isso também depende do ambiente e da forma como são criados”, esclarece.

Ela afirma que, enquanto os SRDs são considerados uma caixinha de surpresas tanto em relação ao comportamento quanto à predisposição a doenças, com os de raças exóticas tudo isso é mais fácil de saber, pois já existem registros na literatura. “O persa, por exemplo, é predisposto a ter a doença policística renal. Então, o tutor precisa pedir no gatil as certificações de que aquele gato não carrega o gene atrelado à doença, pois além de abreviar a vida do animal, gera-se um transtorno, afinal sempre há um vínculo afetivo com o pet”, explica.

Além de estudar a raça antes de ter um gato, outra informação importante que Michele destaca é que os felinos não precisam ter vida livre, com acesso à rua, como é comum as pessoas acreditarem. “Hoje, existe um consenso mundial de que essa vida livre não é benéfica. Como são animais que caçam, há riscos de contrair doenças caçando e, além disso, podem ser mortos atropelados ou intoxicados. O ideal é que eles sejam domiciliados”, aconselha.

Em casa ou apartamento, a principal dica para os tutores é colocar telas para evitar acidentes. Também é importante dar oportunidades para eles brincarem, saltarem e escalarem, atividades que gostam de fazer. “Dentro de casa, é preciso enriquecer o ambiente para que eles fiquem bem e não estressem. Gatos comumente têm doenças causadas por estresse”, completa.

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Karina Fusco/ Caderno C