Publicado 29 de Novembro de 2021 - 17h41

Por Do Correio Popular

Eduardo Srur trocou as tintas e pincéis para recolher o plástico jogado em ruas e rios, e transformá-lo em arte

Divulgação

Eduardo Srur trocou as tintas e pincéis para recolher o plástico jogado em ruas e rios, e transformá-lo em arte

O que você faz com as sacolinhas plásticas que vem do mercado? É possível fazer muita coisa, mas transformar em obra de arte é novidade. Pois foi isso que fez o artista paulistano Eduardo Srur. Ele trocou as tintas e pincéis para recolher o plástico jogado em ruas e rios, e transformá-lo em arte. Assim nasceu a exposição virtual Natureza Plástica, onde ele faz releituras de quadros famosos, mas substitui as tintas pelo material plástico descartado. Esse trabalho minucioso foi realizado durante a pandemia e agora pode ser admirado gratuitamente no site https://brasil.edp.com/pt-br/natureza-plastica.

A galeria apresenta obras clássicas como O Grito, de Edvard Munch e Mona Lisa, de Leonardo Da Vinci. Traz ainda releituras de artistas consagrados, como Chaleira com Frutas, de Paul Cézzane; A Grande Onda, de Katsushika Hokusai; Ninféias, de Monet e Noite Estrelada, de Van Gogh. Cada trabalho é acompanhado de um conteúdo explicativo em áudio e texto e todos podem ser visualizados com o recurso Gigafoto, que permite explorar com mais detalhes cada quadro. A exposição pode ficar ainda mais imersiva se o apreciador tiver óculos de realidade virtual e celular, reproduzindo a sensação do passeio em uma galeria física.

Com essas obras, o artista quer chamar atenção sobre a poluição causada pelo acúmulo de resíduos plásticos. “Eu trouxe a exposição para esse momento contemporâneo, em que o plástico domina tudo e todos. Essas obras provavelmente vão perdurar por muito tempo, assim como o plástico que a gente joga de forma inadequada na natureza”, comenta. Conhecido por suas intervenções na paisagem urbana de São Paulo, Eduardo Srur foi o responsável pela criação das esculturas flutuantes gigantes na forma de garrafas de refrigerante que ocuparam o Rio Tietê (2008), a represa Guarapiranga (2010), o lago de Bragança Paulista (2012) e a praia de Santos (2014), além de participarem da Bienal Internacional de Arte Contemporânea da America do Sul.

A série Natureza Plástica novamente joga luz sobre um tema recorrente na obra de Srur: a questão ambiental. “O plástico sempre me incomodou, o que a sociedade descarta, a arte ressignifica”, afirma. Ele desenvolveu a técnica para manipular os plásticos inspirado nas garrafas de areia do artesanato nordestino, criando ferramentas para trabalhar o plástico sobre uma caixa de madeira como suporte da obra. Como não usa tinta, colore com fragmentos coloridos dos plásticos. “Com essa base eu prenso e condenso, faço um acumulado de sacolas plásticas, vou modelando em um processo que exige tempo e paciência”, explica.

A ideia da galeria virtual nasceu durante a pandemia, com o objetivo de ser uma ferramenta de acesso e reflexão sobre a história da arte e o meio ambiente atualmente. “A galeria virtual alcançará lares e escolas e milhares de interessados. Arte boa é arte para todos”, diz Eduardo Srur. Ele viabilizou a exposição virtual com o patrocínio de empresa do setor elétrico. @eduardosrur

Escrito por:

Do Correio Popular