Publicado 22 de Outubro de 2021 - 11h17

Por Da Redação da Metrópole

Na carreta podem ser feitas 50 exames de rastreamento por dia

Kamá Ribeiro

Na carreta podem ser feitas 50 exames de rastreamento por dia

As luzes na tonalidade rosa acesas pelas cidades lembram que é outubro, o mês de conscientização sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama. O Outubro Rosa, um movimento internacional criado pela Fundação Susan G. Comem for the Cure na década de 1990, nos Estados Unidos, é celebrado mundialmente visando conscientizar as mulheres sobre a necessidade de se cuidar.

No início deste ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que o câncer de mama já é o tipo mais comum em escala global, deixando para trás o câncer de pulmão, que ao longo de duas décadas liderou as estatísticas. No Brasil, é a primeira causa de morte por câncer em mulheres e o segundo mais incidente, atrás apenas do câncer de pele não melanoma, segundo informa o Instituto Nacional do Câncer (INCA). O órgão estima ainda, que em 2021 serão 66.280 novos casos da doença, o que equivale a uma taxa de incidência de 43,74 casos por 100.000 mulheres.

Se é em outubro que o assunto vem à tona com maior ênfase e em tom de alerta, eis uma oportunidade para esclarecer melhor os conceitos de prevenção, que são principalmente a primária e a secundária. Por muito tempo, foram jogados holofotes apenas na prevenção secundária, que é aquela que indica medidas de aumento de detecção do problema em estágio inicial, favorecendo a cura. “A mamografia, que deve ser oferecida para a mulher assintomática com idades entre 40 e 69 anos, é o principal exemplo. É consagrada como o melhor exame para a detecção do câncer de mama em estágio inicial, quando a mulher ainda não consegue apalpar”, afirma Lívia Conz, médica mastologista do Hospital de Amor de Campinas. No entanto, trata-se de uma ação que, apesar de seu conceito, não previne o aparecimento da doença. Porém, o diagnóstico precoce é um aliado para a busca da cura. “Nos estágios 1 e 2, os índices de cura estão acima de 90%, por isso, diagnosticar no início é tão importante”, complementa.

O que é prevenção primária?

O que realmente está associado ao conceito de evitar o aparecimento da doença se classifica como prevenção primária. Vivian Antunes, médica oncologista com foco no tratamento de tumores femininos do Hospital da Mulher Professor Dr. José Aristodemo Pinotti (Caism), esclarece que prevenção primária é quando não há o adoecimento registrado, mas são indicadas estratégias que comprovadamente reduzam o risco de desenvolver um adoecimento. “Em relação ao câncer de mama, a prática de atividade física e a prevenção da obesidade são as principais medidas preventivas”, destaca.

Ela afirma que estudos mostram que são necessários 150 minutos por semana de atividade moderada, que é aquela que causa alguma percepção de cansaço, como rosto suado e coração mais acelerado, para uma redução de até 30% da chance de ter o diagnóstico deste tipo de câncer.

Outra questão de suma importância é a prevenção da obesidade, que também é uma doença. “Há dados que mostram que o aumento do Índice de Massa Corpórea (IMC) se relaciona de forma diretamente proporcional ao aumento do risco de desenvolver câncer de mama”, completa.

CARRETAS DA MAMOGRAFIA

O Hospital de Amor, que tem unidade em Campinas desde 2017, conta com duas carretas móveis com mamógrafo para atender gratuitamente a população feminina que tenha entre 40 e 69 anos para a realização do exame de mamografia. A melhor forma de ter acesso ao serviço é procurar o Centro de Saúde mais próximo de sua residência e solicitar o agendamento, sem a necessidade de passar em consulta com um médico previamente. “Basta dizer ao enfermeiro que quer fazer o exame de rastreamento e geralmente a paciente já consegue realizar na mesma semana”, enfatiza Livia.

No mês de outubro, também é possível procurar diretamente as carretas, que estarão em pontos estratégicos da cidade, como a Estação Cultura, a Sanasa e o Shopping Parque das Bandeiras, levando documento de identidade, comprovante de residência e o cartão do SUS. São 50 vagas por dia de 2ª a 6ª-feira e 25 vagas aos sábados. Pelo site (www.campinas.sp.gov.br/arquivos/cartaz_outubro_rosa_2021.pdf) é possível ver as datas de cada local. Mas, como ressalta a mastologista, prevenção não é só no mês de outubro, é o ano todo!

BOA NOTÍCIA

A cura do câncer de mama, felizmente, é uma realidade nos casos em estágios iniciais. Mas, como destaca Vivian Antunes, novas descobertas da ciência estão conseguindo prolongar muito a vida de quem tem a doença com metástase ou até mesmo curar doença metastática, o que era impensável uma década atrás. “A ciência está animada com a possibilidade de cura de alguns casos de câncer de mama metastático com novas drogas”, diz.

O peso da genética

Existe um crença popular de que a mulher que vai ter câncer de mama tem algum familiar já diagnosticado com a doença. A oncologista Vivian Antunes esclarece que o antecedente familiar realmente eleva o risco de ter a doença, porém na imensa maioria diagnosticada, não há ninguém na família.

“Apenas entre 5% e 10% dos tumores de mama são geneticamente herdados. Isso quer dizer que nós conhecemos nessa paciente o gene que fez com que ela tivesse o câncer. Mas, em 90% das vezes não se sabe, o que significa que não há relação com a genética ou que não se comprovou ainda. Costumo dizer que a gente tem um gibizinho do que é a genética do câncer, mas há uma bíblia toda escrita que estamos tentando descobrir”, diz.

Porém, nos casos de alteração genética conhecida, o acompanhamento médico e os exames de rastreamento têm indicações individualizadas e realmente devem começar bem antes dos 40 anos de idade pois, segundo ela, o câncer causado por desordem genética geralmente atinge as mulheres mais jovens.

Cuidado que salva vidas

Apesar do avanço no tratamento do câncer de mama, sobretudo nos últimos anos, com a disponibilização de quimioterápicos orais e novas drogas que não têm efeito de queda do cabelo, nem supressão da imunidade, a mulher não deve descuidar de sua saúde.

Se o autoexame é uma recomendação que ficou no passado pelo fato de que para conseguir apalpar um nódulo, ele geralmente já está grande, agora a realização da mamografia é o grande foco da campanha Outubro Rosa. Mas isso não é tudo. “Hoje, orientamos que as mulheres tenham um autoconhecimento da mama e saibam identificar as características normais e o formato habitual da mama e dos mamilos, para que, diante de qualquer alteração, elas percebam facilmente e procurem seu médico imediatamente”, afirma Lívia Conz, do Hospital de Amor. Afinal, prevenir é sempre melhor do que remediar, da mesma forma que tratar precocemente é o caminho mais fácil para a cura.

Escrito por:

Da Redação da Metrópole