Publicado 30 de Setembro de 2021 - 18h43

Por Cibele Vieira / Caderno C

Marcos Rosa: a maioria dos componentes eletronicos é reciclável

Diogo Zacarias

Marcos Rosa: a maioria dos componentes eletronicos é reciclável

A vida moderna e a rapidez com que a tecnologia se renova transformou muitas pessoas em acumuladores de eletrônicos. São celulares, computadores, impressoras, cabos, carregadores, teclados e muitos outros equipamentos que vão sendo substituídos sem que se saiba exatamente o que fazer com os antigos. Em Campinas essa já não é uma desculpa, pois existem na cidade vários equipamentos destinados exclusivamente a esse descarte. Só falta incorporar o hábito de descartar corretamente.

E se alguém ainda pensa que é apenas lixo, está enganado. Um exemplo de aproveitamento nobre desse material é bem recente: as Olimpíadas de Tóquio. As medalhas foram produzidas com metais reciclados de aparelhos eletrônicos. Foram mais de 6 milhões de telefones e quase 80 mil toneladas de aparelhos eletrônicos arrecadados (entre 2017 e 2019), desmontados, fundidos e refinados para criar as variações de ouro, prata e bronze, segundo informou o Comitê Olímpico Internacional (COI).

O relatório The Global E-waste Monitor 2020 divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU) indica o Brasil como o maior produtor de lixo eletrônico da América Latina. A estimativa é que o País gere cerca de 1,5 milhão de toneladas por ano, sendo que apenas 3% desse lixo eletrônico brasileiro é reciclado ou descartado de maneira adequada. O documento revela ainda que em todo o mundo foram produzidas cerca de 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico em 2019.

De volta a matéria-prima

Entre os resíduos eletrônicos e tecnológicos que podem ser entregues em pontos de descarte estão monitores, telefones celulares, computadores, televisores, câmeras fotográficas, impressoras, cabos, conectores, rádios, eletrodomésticos, além de pilhas e baterias automotivas e industriais, entre outros.

Nem sempre o material entregue em ecopontos sem mão de obra especializada consegue ser aproveitado adequadamente, por isso vem aumentando o número de empresas que atuam especificamente nesse tipo de coleta e desmonte.

A maioria dos componentes eletrônicos são recicláveis, diz Marcos Rosa, empresário da Reversis, uma empresa campineira especializada. Ele explica que os metais nobres das placas de computador (que fizeram as medalhas das Olimpíadas) são destinados ao exterior porque as empresas no Brasil não têm equipamento para filtragem. Já o alumínio, cobre e ferro são rebeneficiados e voltam a cadeia produtiva. Os plásticos são triturados e voltam como matéria-prima para outros produtos (como os rodapés de piso), enquanto os vidros – como os de tubos de TV e monitores antigos - podem ser usados na indústria cerâmica.

Impactos ambientais positivos

O descarte correto do chamado lixo eletrônico tem muitos benefícios. A Green Eletron, braço da logística reversa da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), estudou o ciclo de vida de materiais para identificar os impactos e benefícios ambientais do seu sistema de coleta. Para a avaliação, foi considerada a coleta de 330,7 toneladas de eletroeletrônicos descartadas em 2019 por consumidores em coletores instalados em várias cidades, inclusive em Campinas.

O relatório apontou que foram evitadas as emissões de 745 toneladas de CO2 (equivalente a 300 carros sem circular por 1 ano), economizou 12,8 mil metros cúbicos de água (comparado ao consumo anual de 228 pessoas) e ainda evitou o consumo de 244 toneladas de óleo diesel.

Segundo a entidade, foram recuperados dos resíduos eletrônicos cerca de 85 toneladas de plástico, 75 toneladas de ferro, 32 toneladas de cobre, 20 toneladas de alumínio, 14 toneladas de vidro e 47 toneladas de outros materiais (incluindo metais nobres e preciosos).

Os resíduos do mundo

Os resíduos eletrônicos estão inseridos na categoria de resíduos domésticos que mais cresce no mundo, alimentada por equipamentos com curto ciclo de vida e poucas opções de reparo. O relatório divulgado pela ONU aponta um recorde de 53,6 milhões de toneladas métricas (Mt) de resíduos eletrônicos gerado em todo o mundo em 2019, o que representa um aumento de 21% em apenas cinco anos. A previsão é que resíduos eletrônicos globais totalizarão 74 milhões de toneladas em 2030, quase dobrando em apenas 16 anos.

Os resíduos eletrônicos, segundo o relatório, são um risco à saúde e ao meio ambiente, contendo aditivos tóxicos ou substâncias perigosas, como o mercúrio, que danificam o cérebro e/ou o sistema de nervoso humano. O gerenciamento adequado pode ajudar a mitigar o aquecimento global. Em termos per capita, diz a ONU, foram descartados em 2019, em média, 7,3 kg de resíduos eletrônicos para cada homem, mulher e criança na Terra.

SAIBA MAIS

A Green Eletron foi fundada em 2016 pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) para ser gestora - sem fins lucrativos - da logística reversa de eletrônicos e pilhas. Em Campinas ela mantém 26 pontos de entrega voluntária localizados em atacadistas, supermercados e shoppings que podem ser identificados no site: https://greeneletron.org.br/localizador.

Os 16 ecopontos de Campinas também recebem eletroeletrônicos e destinam para sucateiros e cooperativas que dão a destinação correta. Para descobrir o ecoponto mais próximo basta acessar o site da Prefeitura www.campinas.sp.gov.br e buscar por Ecopontos e Pontos Verdes.

A campineira Reversis recebe materiais na sua sede – Rua Abolição 1900, no bairro Ponte Preta – ou usa sua própria estrutura para retirada de equipamentos de informática, celular, telecomunicações e eletrônicos. O contato pode ser feito pelo telefone/whatsapp: (19) 3234 3850, e-mail: [email protected] ou pelo site

www.reversis.com.br.

Escrito por:

Cibele Vieira / Caderno C