Publicado 04 de Julho de 2021 - 14h11

Por Kátia Fonseca/ Correio Popular

Os professores Ieda Cesaroni e Nelton Miranda. À dir., o diretor Hygor Armorim: o desafio de trabalhar na região Noroeste, muito desassistida

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Os professores Ieda Cesaroni e Nelton Miranda. À dir., o diretor Hygor Armorim: o desafio de trabalhar na região Noroeste, muito desassistida

Uma escola que ofereça educação transdisciplinar, que seja crítica, construtora de sujeitos livres e emancipados? Temos em Campinas. É a Educação para Jovens e Adultos (EJA) Aeroporto Padre Leão Vallerie, mais conhecido como Espaço Concórdia (ECO), localizada no distrito do Campo Grande. E o melhor de tudo: acolhe adolescentes, jovens, adultos e idosos evadidos ou que tenham sido expulsos de outras instituições escolares. Por tudo isso, a ECO foi escolhida para participar da segunda temporada da série Sementes da Educação, exibida no Cinebrasil TV.

O supervisor escolar Nelton Miranda, um dos fundadores do Espaço Concórdia, um projeto do NAED Noroeste (Núcleos de Ação Educativa Descentralizada da região Noroeste de Campinas), destaca que projetos educacionais como este, diferenciado, transforma as comunidades, transforma o entorno e transforma os sujeitos. “A EJA não é uma segunda chance para o estudante. É uma segunda chance para a escola cumprir com o direito universal da educação para todas e todos.”

Esta temporada do documentário Sementes da Educação, que tem como tema principal Educação além dos muros, estreou no último dia 6 e tem 13 episódios, focando uma escola diferente a cada capítulo. A ECO de Campinas foi a atração do episódio exibido no última dia 20, “contando sobre a construção desse espaço escolar diferenciado, um espaço criativo, crítico, com uma outra organização curricular, uma outra matriz”, explica Nelton Miranda.

Além do professor Miranda, participam do episódio Ieda Cesaroni, Charles Durães Leite e Luís Marigheti, funcionário da rede municipal de Educação e co-fundadores da ECO. “Foi um desafio tremendo trabalhar na região Noroeste, que é muito desassistida. Mas foi muito bom poder ter contribuído na formação das pessoas que moram ali”, afirma Durães que trabalha no distrito do Campo Grande desde 2009, ainda como professor. Em 2017, ele foi convidado para ocupar o cargo de Representante Regional da NAED Noroeste. “Nós, funcionários públicos da Educação, devemos ter um papel de luta. Trabalhar na região Noroeste enriquece muito a gente e nos motiva a transformar, de alguma maneira, a vida daquelas pessoas pela Educação.”

Charles conta que teve grande orgulho ao participar da série Sementes da Educação. “Ficamos muito orgulhosos deste trabalho ter sido visto, reconhecido e até, quem sabe, poder servir de inspiração para outras ações deste tipo.” Ele diz que o principal diferencial da ECO é a inclusão, “é olhar para aqueles que ficaram relegados do plano educacional ou que tiveram muita dificuldade de se inserir”.

“A Secretaria de Educação de Campinas e o NAED Noroeste estão de parabéns por terem acreditado no nosso projeto, lá em 2017, quando ele nasceu, pois ele se tornou uma referência na educação de jovens e adultos na cidade”, orgulha-se, também, o professor Miranda.

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Kátia Fonseca/ Correio Popular