Publicado 28 de Junho de 2021 - 16h31

Por Adriana Giachini e Ângelo Barioni

O atleta Márcio Soares Teles

TFB

O atleta Márcio Soares Teles

Há menos de um mês para o início dos Jogos Olímpicos, edição de Tóquio, no Japão, a coluna Vice Versa, da revista Metrópole, traz um bate papo com Tiffani Beatriz do Nascimento Marinho e Márcio Soares Teles. Ambos nascidos no Rio de Janeiro e radicados em Campinas, onde treinam com Evandro Lazari, pela equipe Orcampi.

Ela, 22 anos, compete nos 400m, é líder do ranking nacional e está muito próxima da vaga na Seleção que viaja em julho, quando fará sua estreia na competição. Ele, 27 anos, 400m com barreiras, já confirmado para sua segunda participação em Olímpiadas.

A conversa com a dupla resgata

o clima olímpico que, nesta edição, naturalmente, é diferenciado pela pandemia da covid-19 e pela ausência de público estrangeiro. Porém, em que pese o cenário atípico, o discurso dos atletas valoriza o que o esporte faz de melhor: manter a esperança e o desejo de fazer bonito nas pistas, não só por eles, mas pelo País.

A dupla também fala sobre paixão pela corrida, o início no atletismo e revela outras afinidades como o desejo de ver o esporte cada vez mais difundido pelo País; o sonho de alavancar o número de projetos que popularizem a prática para crianças, incluindo parcerias com as escolas onde, acreditam, a iniciação deve começar; e, claro, o desejo de estarem em Tóquio e de voltarem com medalhas para o Brasil.

A atleta Tiffani Beatriz do Nascimento Marinho

Tiffani Marinho

Como você começou a carreira e porque escolheu a modalidade?

Eu comecei na escola, no Rio de Janeiro, onde nasci. Sempre fui muito curiosa e com vontade de experimentar de tudo. Um dia um professor chegou na sala de aula e disse que teria uma competição de atletismo e, mesmo sem saber o que era atletismo, eu falei que queria participar. Desde então, me apaixonei. Eu digo que foi a modalidade que me escolheu, porque já tinha praticado outros e não tinha me adaptado. Sou apaixonada pelo atletismo.

Como é dedicar-se ao atletismo no Brasil, que é o país do futebol?

O futebol é paixão nacional, mas não considero que o futebol é o culpado pela falta de visibilidade das outras modalidades. A culpa é do governo, que não investe, da ausência de políticas públicas para incentivar a prática, inclusive do atletismo que, para mim, é um dos menos valorizados. Penso que, com exceção do futebol masculino, é muito difícil ser atleta no Brasil.

Além de atleta, você se dedica a outras atividades? Quais?

Hoje sou atleta. Tentei cursar a faculdade mas parei para me dedicar integralmente aos treinos, competições e toda a rotina do atletlismo.

Quais são seus planos futuros?

Dentro do meu esporte meu maior sonho é ser medalhista olímpica. Todo atleta sonha com isso e eu penso que chegar a uma final e ganhar uma medalha seria a realização de um sonho.

Qual sua opinião sobre levar o atletismo para crianças? O esporte muda vidas?

O esporte muda vidas completamente. Mudou, por exemplo, a minha. Através do esporte criamos personalidade, aprendemos a ter foco, determinação, empatia e humildade e, justamente por isso, que ele deve sim ser levado para crianças. O atletismo é base de todos esportes e eu defendo que ele deveria estar nas escolas, como parte da grade, porque a partir dos seus fundamentos a criança pode até optar por outra modalidade.

Como tem sido sua preparação para as Olimpíadas, considerando a pandemia?

Estou desde 2019 nessa luta para Olimpíadas, me dedicando, treinando e abdicando de muita coisa para estar nos Jogos. A minha preparação, junto com meu treinador (Evandro Lazari) é para estar na seleção brasileira e estamos muito perto. Agora, claro que a pandemia mexeu com a rotina de todos os esportes no Brasil e no Mundo, principalmente porque não foi possível participar de algumas competições internacionais.

Aliás, fale um pouco sobre sua expectativa para as Olimpíadas e todo o cenário que faz dela uma edição atípica?

Estou na expectativa para a convocação e a ansiedade está grande. É uma competição única, tem um peso muito grande. Acho que nem sei explicar o que sinto agora.

Como atleta, qual sua opinião sobre realizar os jogos com as restrições da Covid? É um pouco frustrante?

Eu acho que é difícil não ter público, não ter energia da torcida, mas é importante para a segurança de todos neste momento. Eu não me sinto frustrada porque entendo que é necessário no momento e que não seria possível adiar mais um ano. Vejo o lado positivo, que é realizar um evento deste porte com quase 100% atletas vacinados.

Para você, na sua modalidade, qual a maior inspiração?

Eu diria que não tenho uma inspiração, tenho admiração por algumas pessoas entre elas meu treinador, Evandro, e Alisson Feliz (atleta norte-americana), que acaba de retornar após a maternidade.

 

O atleta Márcio Soares Teles

Marcio Soares Teles

Como começou a carreira e porque escolheu a modalidade?

Eu comecei muito por acaso. No começo eu jogava futebol, mas acabei sendo convidado para um evento do atletismo e tudo aconteceu. Gostei tanto que estou até hoje.

Como é dedicar-se ao atletismo no Brasil, que, como sabemos, é o país do futebol?

É inegável que no Brasil todos os olhares são para o futebol e acaba sendo muito difícil para quem escolhe as outras modalidades, principalmente quando falamos nos patrocinadores. Mas acho que não é uma competição entre os esportes e tem espaço para todos. Além disso, o país tem grande potencial nas outras modalidades, principalmente quando falamos em Olímpiadas.

Além de atleta, você se dedica a outras atividades? Quais?

Hoje me dedico em tempo integral ao atletismo porque o esporte exige esta dedicação.

Quais são seus planos futuros?

Posso falar de planos para um futuro próximo? Se sim, eu respondo que é ser finalista olímpico, estar na competição, apresentar minha melhor marca e representar bem o Brasil. Depois eu ainda não sei. Estou trabalhando uma coisa de cada vez, primeiro as Olimpíadas, depois vejo que farei.

Qual sua opinião sobre levar o atletismo para crianças? O esporte muda vidas?

Sabemos que a iniciação é extremamente importante para o esporte, porque é possível descobrir talentos, mas não só por isso. O esporte ajuda a construir um futuro, permite que as crianças encontrem caminhos. Deveríamos, desta forma, olhar para a escola como o local de iniciação esportiva, aliado com a constante realização de eventos, de competições entre cidades e estados, tudo como uma maneira de incentivar a prática. Venho falando disso há muito tempo mas não pode ser o discurso de um ou outro atleta, tem que ser um movimento para colocar projetos assim na prática. E também é importante dizer que hoje as crianças estão até mais dispostas ao esporte do que antigamente.

Como tem sido sua preparação para as Olimpíadas, considerando a pandemia?

Meu treinamento está a todo vapor, nós tivemos uma quebrada na rotina com a pandemia, mas já conseguimos voltar ao ritmo e agora a meta é a Olimpíada.

Aliás, fale um pouco sobre sua expectativa para Olimpíadas e todo o cenário que faz dela uma edição atípica?

Meu sonho é representar o pais e ter uma boa prova. Penso muito que quero que tudo dê certo e que não só eu, mas toda a delegação, saia feliz desta historia

Como atleta, qual sua opinião sobre realizar os jogos com as restrições da Covid? É um pouco frustrante?

É estranho, não posso negar. Para nós, atletas, a vibração, o calor da plateia faz sim toda a diferença, mas frustrante é um palavra forte demais. Eu diria que é triste, principalmente porque seria bom se o mundo já estivesse vacinado e que todos pudessem comparecer com segurança.

Para você, na sua modalidade, qual a maior inspiração?

Tenho muitas, mas na minha modalidade, que é 400m com barreira, uma das trajetórias que mais me inspira é a de Antonio Eusebio, que foi meu treinador, e que está entre os dez melhores atletas do Brasil nesta prova. Mas tem também o Aldemir (Gomes, dos 200m) e meu treinador, Evandro, que é também um grande amigo. Eu digo que é quase um pai e que está comigo, me incentivando e ajudando neste momento.

Escrito por:

Adriana Giachini e Ângelo Barioni