A ampliação, que abrange outras áreas residenciais, impede a construção de poços artesianos
A Prefeitura de Campinas divulgou nesta segunda-feira (18) resultados de estudo realizado na área contaminada do bairro Mansões Santo Antonio e anunciou que irá ampliar a área de restrição, após detectar alto grau de contaminação no local. A ampliação, no entanto, que abrange outras áreas residenciais, impede, apenas, a construção de poços artesianos e uso da água subterrânea. A nova área de restrição foi determinada a partir do perímetro entre as ruas Jasmim, Adelino Martins, José Augusto Silva, João Preda e Lauro Vannucci, até o córrego existente nas imediações. Também foi mantida a proibição de construção de novas edificações nos terrenos que pertenceram à Proquima, onde foi construído o condomínio Chácara Primavera. O prefeito Jonas Donizette (PSB) tranquilizou a população local e disse que todos os imóveis são abastecidos com água da Sanasa. Mesmo assim, enviou um ofício ao Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) para que nenhuma outorga seja dada à área de restrição. A maior contaminação foi identificada nos lençóis freáticos, por isso a preocupação com o uso de águas do lençol freático. As alterações, no entanto, dependem do aval da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), que irá analisar o estudo.Prevenção"É uma medida preventiva para que não venham abrir poços" , disse Jonas. A restrição ao uso da água subterrânea é recomendada em função dos potenciais riscos para as vias de contato com a pele e ingestão, identificados no estudo de avaliação de riscos à saúde humana."É um assunto difícil, envolve a saúde das pessoas. (O estudo) é um passo importante para a solução. A poluição que aconteceu ali foi durante 23 anos, em um período onde a questão ambiental não era tão discutida. Houve a confirmação de um alto grau de contaminação, com mais de 30 substâncias encontradas" , disse Rogério Menezes, secretário do Verde e Desenvolvimento Sustentável..O levantamento mostrou que cloreto de vinila e benzeno foram os componentes químicos encontrados em maior quantidade, especialmente no aquífero profundo, localizados a cerca de 30 metros de profundidade. Entretanto, de acordo com Rafael Campos, engenheiro ambiental da Aecom, empresa que realizou o levantamento, não há risco eminente. "Não há indicativo para uma medida de intervenção agora. Não há risco de explosão, mas um risco associado. A chance de uma morador ter um câncer é de uma em 100 mil, e se esse morador inalar esses gases durante 50 anos, 24 horas por dia."Situação complexaQuestionado se a situação da área é preocupante, o engenheiro amenizou. "É complexo, mas casos como esse existem inúmeros e muito similares. O estudo detalhou melhor a fonte de contaminação e a presença de compostos tóxicos." Ele também não afirmou quanto tempo pode durar a recuperação da área contaminada. "Não dá para fixar tempo. Precisamos saber ainda mais detalhes e conhecer o local ainda mais para fazer investimentos precisos para resolver o problema."Para dar continuidade do gerenciamento do passivo ambiental diversas medidas serão adotadas. A primeira delas, em caráter emergencial, será a implantação e operação do sistema de extração de vapores, que começou a ser instalado pela Concima, mas que não chegou a entrar em operação porque a construtora alegou que não tinha mais como financiar a operação. O secretário do Verde afirmou que a Prefeitura irá concluir a instalação, e em até 180 dias o sistema estará operando, ao custo de R$ 35 mil por mês, que serão cobrados, posteriormente, da Concima. A Prefeitura também não descarta firmar contrapartidas com outras empresas para financiar os investimentos no local. O Executivo também enviou à Câmara de Campinas projeto de lei para criação do Fundo Municipal de Prevenção e Reparação de Diritos Difusos e Coletivos (Fundif). Ainda foi criado um grupo de trabalho que irá acompanhar o caso com 12 profissionais das secretarias do Verde, Assuntos Jurídicos, Planejamento, Urbanismo, Saúde e Comunicação. HistóricoA área do loteamento Mansões Santo Antônio foi contaminada pela Proquima (empresa do ramo químico de recuperação de solventes), que funcionou no local de 1973 a 1996. Durante esse período, a empresa foi autuada várias vezes pela Cetesb, recebendo 13 advertências e cinco multas. Em 1990, depois de um incêndio, a Proquima foi interditada pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente. Mas, por meio de uma liminar, continuou funcionando até 1996. Naquele ano, dois lotes do terreno foram adquiridos pela empresa construtora Concima, para construção no local de oito blocos de apartamentos (quatro em cada lote), com aproximadamente 400 unidades. Depois de construídos três blocos, uma investigação realizada pela Arcadis Hidro Ambiente, contratada pela Concima, constatou que a área do lote onde a Proquima esteve instalada estava contaminada.Em abril de 2002, a Secretaria de Saúde recebeu da Cetesb a informação da contaminação. Para interromper a exposição aos contaminantes, a Vigilância Sanitária lacrou e interditou 23 poços e nascentes de água existentes na área próxima ao foco terreno onde esteve instalada a Proquima, principal foco da contaminação. Em 2002, o Decreto Municipal 14.091 restringiu qualquer tipo de ocupação ou de movimentação em uma área de 280 mil metros quadrados. Desde então, nenhum estudo mais aprofundado foi feito na região. Este ano, o trabalho só foi possível graças a um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com uma construtora, que pagou R$ 370 mil como contrapartida de um empreendimento implantado no município.