
Maria de Fátima - IG Paulista (Cedoc/RAC)
As manifestações ocorridas ultimamente demonstram nitidamente o descontentamento, em boa parte da população, a respeito de algumas decisões tomadas pelo governo federal, mas, principalmente, ela mostra a revolta contra a corrupção existente em nosso país. O Brasil sempre foi palco de inúmeras formas de desvio de dinheiro público, visto que nem todas elas podem ser caracterizadas como corrupção. Há muitos anos já sabíamos que o nosso é um país rico, porém, mal administrado, portanto, a roubalheira do nosso erário sempre esteve presente. Na última década já não vemos tantas denúncias engavetadas, como se via, por exemplo, com o Procurador Geral da República Geraldo Brindeiro (1995-2003), que inclusive tinha o apelido de ‘engavetador geral da república’ por não aceitar a grande maioria das denúncias contra políticos. Deste modo, roubar do povo brasileiro não é uma atitude recente, mas, denunciar tais atos é. A corrupção não pode mesmo ser aceita. Contra ela, leis mais rígidas devem ser promulgadas e a impunidade, tão comum, precisa deixar de acontecer. Se tivermos legislação severa contra corruptos e corruptores, com penas privativas de liberdade extensas, já teremos dado um grande passo para melhorar o nosso país. No mesmo bojo dos corruptos não podemos nos esquecer dos milionários sonegadores de impostos, visto que eles também nos roubam impunemente. O reinado da roubalheira de dinheiro público precisa ser praticamente dizimado, em todas as esferas governamentais. Enquanto isto não acontecer, não devemos tolerar, e sim, mostrarmos o nosso descontentamento. A mídia tem papel fundamental na divulgação dos larápios do bem público, mas nem todos que se apropriam dele, são de fato denunciados para a população. Existe sim uma exposição seletiva e, dificilmente, veremos, em médio prazo, mudanças gritantes a respeito. Enquanto somos roubados e não temos a revelação de todos os que nos roubam, vamos continuar a exigir que os corruptos, independentemente de quem sejam, realmente venham a ser punidos.