Entra ano, sai ano, a Educação continua sendo um persistente problema na estrutura administrativa da rede pública, oferecendo um serviço de baixa qualidade a um custo elevado para os orçamentos, sem apresentar resultados ou sinalizar para uma reviravolta em um quadro desolador. Mesmo com ilhas de excelência criadas pelo esforço, capacidade e dedicação de professores e funcionários, a educação pública no Brasil é censurável e condena uma geração inteira a uma defasagem de aprendizado em relação ao ensino das escolas particulares.
Campinas retomou as aulas no início do ano letivo nesta semana, já apresentando um quadro desanimador. A poucos dias de receber 30 mil crianças do ensino público municipal, as escolas apresentavam um quadro de abandono e falta de manutenção. Por todo o entorno dos prédios, o mato alto escondia as condições difíceis de acesso, parques quebrados ou desmontados, lixo e entulho espalhados, além de um cronograma de obras de reformas sendo finalizado de última hora - em alguns casos, sequer com previsão de encerramento (Correio Popular, 4/9, A4).
Mesmo com toda pressão do Judiciário para dar uma solução para o problema, o município retoma o ano letivo com um déficit de seis mil vagas nas creches, além da previsão de que muitos alunos acabarão por abandonar a escola por morarem muito distante de onde conseguiram se matricular. Essas distorções não são novas e parecem estar longe de uma acomodação justa e sensata.
Em verdade, os problemas brasileiros não se resolvem tão facilmente. A falta de recursos parece crônica e a incompetência de administradores apenas agrava a situação. Na situação local, agravam-se as condições por conta de um período crítico que deixou as marcas do atraso e da inação do poder público, que agora demandam tempo para ser reorganizado. Providências elementares, como aparar o mato a tempo de receber as crianças com segurança e limpeza, parecem tarefas hercúleas para a letárgica máquina administrativa.
Enquanto isso o enredo está preparado para se repetir por mais um período, exigindo de mestres e funcionários da Educação uma dedicação extraordinária, dos alunos um esforço de crescimento, e dos pais uma boa dose de paciência e resignação enquanto esperam por uma responsabilidade que insiste em não ser observada.