CLIMA DE ABANDONO

Lojas fechadas em Campinas expõem efeitos da 2ª onda de ‘quebradeira’

Instabilidade econômica e a alta inflação arrasaram com dezenas de negócios

Gilson Rei
14/05/2022 às 10:31.
Atualizado em 14/05/2022 às 10:31

Na Avenida Moraes Salles, pedestres passam em frente de inúmeros imóveis comercias fechados, com portas pixadas, que passam sensação de abandono e degradação (Kamá Ribeiro)

Uma nova onda de fechamentos e encerramentos de atividades atingiu em cheio o comércio da região central de Campinas nos últimos quatro meses. Alguns segmentos foram atuantes apenas nos últimos anos, enquanto outros atenderam à população por um período de até quatro décadas. Além dos reflexos da pandemia - que ainda causam retração no consumo de produtos e serviços - as lojas e escritórios do Centro enfrentam um segundo "tsunami", que congelou o movimento e o ritmo de vendas nos primeiros meses deste ano. Desta vez, o comércio sente também os reflexos da instabilidade econômica do mundo globalizado, que gerou alta da inflação, perda do poder aquisitivo da população e estagnação do nível de emprego.

A reportagem do Correio Popular identificou pelo menos 40 imóveis comerciais com avisos de "Aluga-se" em suas portas durante uma simples passagem pela área formada pelas regiões do largo do Pará; largo São Benedito; Palácio dos Jequitibás; viaduto Miguel Vicente Cury e 8° Batalhão da Polícia Militar.
Uma das vias mais importantes da área central, a Avenida Dr. Moraes Salles, tornou-se palco de um "desfile" de placas e cartazes de "Aluga-se" nos espaços de comércio. Ao lado do restaurante Bom Prato, uma das lojas de roupas mais antigas do Centro está com o espaço para alugar desde o início do ano. 

Outras duas encerraram as atividades nos últimos três meses: uma de roupas e outra de salgados, perto do posto de combustível. Do outro lado da avenida, uma pequena loja de artigos para o lar e acessórios também fechou t as suas portas. 
Depois de passar pela Avenida Francisco Glicério, a calçada, com fraco movimento de pedestres, retrata o clima de poucas vendas. Um dos motivos de se ver um ambiente "quase deserto" na região é o fechamento do Center Cópias Gráficas, na Moraes Salles, cujo movimento nas últimas quatro décadas era intenso e agitava o local. Na fachada, cartazes de "Aluga-se".

Na quadra seguinte, do outro lado da avenida, a sensação de "vacas magras" e de poucos consumidores é visível com a constatação de sete estabelecimentos fechados em apenas um trecho, entre as ruas Barão de Jaguara e Dr.Quirino: cafeteria; loja de artigos para festas; escola para corte e costura; ateliê para tatuagens; restaurante; acessórios para celular e bar. 

Na mesma região, outras duas lojas encerraram as atividades, na Rua Dr.Quirino, uma lavanderia e um salão de cabeleireiro.

Outro estabelecimento tradicional afetado pela nova onda de fechamentos na Moraes Salles foi a padaria Ki Pão, que esteve por mais de quatro décadas atendendo, próximo à esquina com a rua Boaventura do Amaral. 

Joelma Sanches, moradora da região, contou que a padaria era tradicional e que atendeu por décadas os moradores da região e a população de uma forma geral. "É uma tristeza ver essa situação. A expectativa é a de dias melhores, tanto para o comércio quanto para as pessoas que dependem de emprego para sobreviver", comentou.

Região da Glicério

Muitas lojas com a portas cerradas também na avenida Francisco Glicério, a principal via do Centro, sobretudo na região do Largo do Pará. Na esquina com a Rua Cônego Cipião, um bar estampava o cartaz de "aluga-se" ao lado de outros dois comércios fechados: a Amakha Paris, de moda feminina; e um salão de beleza. Nas proximidades encontram-se na mesma situação: Smart Card Saúde; a farmácia Fênix; lanchonete Subway; Espaço Glicério Eventos; escritório de advocacia; e estacionamento ao lado do 6°. Cartório.

Ainda na principal avenida da cidade, em frente ao Largo do Pará, pelo menos outras cinco lojas estavam com placas de aluguel, sendo três na área de alimentação e duas de vestuário. Na Barão de Jaguará, dois casarões estão para locar: um abrigou uma escola infantil e outro, um restaurante. Ainda próximo ao largo, na rua Duque de Caxias, duas lojas de artigos femininos baixaram as portas.
Já na Glicério, próximo ao largo do Rosário, uma agência comercial para empréstimos e uma loja de modas encerraram suas atividades neste ano, acompanhando o fechamento da padaria Glicério e da papelaria Modelo, que fecharam na região durante a pandemia. Próximo à Catedral, na Glicério, esquina da rua Costa Aguiar, um restaurante também fechou neste ano.

Região da João Jorge

Um festival de de portas fechadas se alinha na Avenida João Jorge, na Vila Industrial. Próxima à Rua Sete de Setembro, uma loja de rações e um escritório de contabilidade não resistiram. Na mesma quadra, outros três espaços comerciais deram o seu último suspiro: um comercializava salgados, outro, roupas e um terceiro, gráfica.
Na mesma avenida, próxima à agência da Caixa, a padaria Pão Puro, que funcionou no local por pelo menos 40 anos, desistiu e o imóvel está para alugar. Do outro lado da avenida, mais cinco estabelecimentos dos ramos de vestuário e alimentação pereceram, após 10 anos de atividades. 

O Armazen do Café, na esquina das ruas Sete de Setembro e Maria Soares, não completou nem nove meses de funcionamento. Abriu na retomada das atividades e não suportou a segunda onda de queda nas vendas. Próximo a ela ficavam um escritório de despachante e um bar e restaurante que funcionava na esquina da Rua Francisco Teodoro, próximo ao Viaduto Cury.

A contabilista Maria de Fátima Santos, que trabalha na região da Vila Industrial há 30 anos, afirmou que acompanha de perto o fechamento das lojas, restaurantes e escritórios da região. "Esses locais que estão atualmente, com anúncio de aluguel fecharam este ano. Muitos deles tinham décadas de atendimento e a situação gera um clima de tristeza, pois antes eram lugares bastante movimentados", lamentou.

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