ACIDENTE FATAL

Laudo indica que Mercedes estava a 142km/h

Defesa de empresário afirma que laudo conflita com o oficial, que afirma ser invíável qualquer cálculo preciso com base em imagens do momento do acidente

Sarah Brito/ AAN
14/05/2015 às 18:29.
Atualizado em 23/04/2022 às 13:36
Laudo particular indica que Roberto Salvador Filho dirigia acima do dobro da velocidade permitida quando colidiu com o carro de Giovani Raimundo Buzzo, morto após o acidente em julho de 2014 (  Cedoc/RAC)

Laudo particular indica que Roberto Salvador Filho dirigia acima do dobro da velocidade permitida quando colidiu com o carro de Giovani Raimundo Buzzo, morto após o acidente em julho de 2014 ( Cedoc/RAC)

Um laudo de uma perita particular contratada pela família do empresário que morreu em um acidente entre um Mercedes e uma BMW na rotatória do Ventura Mall, em Campinas, há quase um ano, indica que o motorista do carro (Mercedes), o empresário Roberto Salvador Filho, de 32 anos, que vinha pela Avenida Moraes Salles estava a 142 km/h quando bateu na BMW do também empresário Giovanni Raimundo Buzzo, de 50 anos. Buzzo morreu no acidente. Na via, o limite de velocidade permitido é de 70 km/h. O documento é assinado pela perita Guadalupe Tagliarini, formada pela Universidade de São Paulo (USP), e foi feito com base nas imagens de câmeras de segurança da área do acidente. O laudo foi anexado ao processo na quarta-feira, e enviado nesta quinta-feira (14) ao Ministério Público.O caso é de julho de 2014. O acidente ocorreu na avenida sentido Centro e os carros colidiram no semáforo localizado próximo ao shopping Ventura Mall. A conclusão da perícia da Polícia Civil já indicava que Salvador Filho provocou o acidente porque estava em alta velocidade. O laudo da polícia, no entanto, não precisou a velocidade do veículo, em virtude da ausência de frenagem. O inquérito foi enviado também nesta quinta-feira (14) ao MP, que deverá decidir se a denúncia será por homicídio doloso ou culposo. O empresário Roberto Salvador Filho já havia sido indiciado por homicídio doloso em julho do ano passado, mas o processo retornou à delegacia, a pedido do MP, para realização de novas diligências. O laudo da perita particular foi feito com base nas imagens das câmeras de segurança do entorno do acidente. No documento ela explica como realizou a estimativa de velocidade dos veículos. Os vídeos foram visualizados e fragmentados. As imagens são de câmeras fixadas no Ventura Mall. A perita optou por um dos vídeos por oferecer melhor campo visual. A câmera escolhida foi cuja lente estava voltada para a Rua Santo Zóia, no sentido bairro-Centro. Foi levado em consideração a distância percorrida de 14,2 metros, entre a praça e a esquina do cruzamento entre as vias do acidente. Na época, dados registrados por dois radares instalados na Rodovia Heitor Penteado, via que depois recebe o nome de Moraes Salles, o empresário Roberto Salvador  dirigia a uma velocidade de 163km/h, no primeiro radar - altura do Jardim das Paineiras - e, ao passar pelo segundo, em frente ao Parque Ecológico, estava a 152km/h.O advogado da família de Giovanni Buzzo, João Raphael Plese de Oliveira Neves, afirmou que o acidente só ocorreu devido a velocidade excessiva e que a Polícia Civil deu a correta tipificação (de homicídio doloso), em decorrência de o empresário ter assumido o risco de ter causado o acidente. O advogado informou que aguarda agora decisão do Ministério Público.O advogado de Salvador Filho, Ralph Tórtima Filho, disse, em nota, que "fica muito claro que o parecer particular apresentado conflita com as manifestações dos peritos oficiais, que entenderam invíável qualquer cálculo preciso com base no formato em que captadas as imagens do momento do acidente". O advogado afirmou ainda que, para a defesa, a questão da velocidade do veículo dirigido por Roberto Salvador Filho perdeu relevância com a constatação, pelos peritos oficiais, de que a vítima avançou um sinal vermelho, invadiu uma avenida preferencial e dirigia sob efeito de álcool. "Ou seja, não fossem essas circunstâncias, o acidente não teria ocorrido", afirmou.O Ministério Público informou, por meio de assessoria de imprensa, que recebeu o processo e o promotor responsável é o Ricardo José Gasquez Almeida Silveira.

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