Defesa de empresário afirma que laudo conflita com o oficial, que afirma ser invíável qualquer cálculo preciso com base em imagens do momento do acidente
Laudo particular indica que Roberto Salvador Filho dirigia acima do dobro da velocidade permitida quando colidiu com o carro de Giovani Raimundo Buzzo, morto após o acidente em julho de 2014 ( Cedoc/RAC)
Um laudo de uma perita particular contratada pela família do empresário que morreu em um acidente entre um Mercedes e uma BMW na rotatória do Ventura Mall, em Campinas, há quase um ano, indica que o motorista do carro (Mercedes), o empresário Roberto Salvador Filho, de 32 anos, que vinha pela Avenida Moraes Salles estava a 142 km/h quando bateu na BMW do também empresário Giovanni Raimundo Buzzo, de 50 anos. Buzzo morreu no acidente. Na via, o limite de velocidade permitido é de 70 km/h. O documento é assinado pela perita Guadalupe Tagliarini, formada pela Universidade de São Paulo (USP), e foi feito com base nas imagens de câmeras de segurança da área do acidente. O laudo foi anexado ao processo na quarta-feira, e enviado nesta quinta-feira (14) ao Ministério Público.O caso é de julho de 2014. O acidente ocorreu na avenida sentido Centro e os carros colidiram no semáforo localizado próximo ao shopping Ventura Mall. A conclusão da perícia da Polícia Civil já indicava que Salvador Filho provocou o acidente porque estava em alta velocidade. O laudo da polícia, no entanto, não precisou a velocidade do veículo, em virtude da ausência de frenagem. O inquérito foi enviado também nesta quinta-feira (14) ao MP, que deverá decidir se a denúncia será por homicídio doloso ou culposo. O empresário Roberto Salvador Filho já havia sido indiciado por homicídio doloso em julho do ano passado, mas o processo retornou à delegacia, a pedido do MP, para realização de novas diligências. O laudo da perita particular foi feito com base nas imagens das câmeras de segurança do entorno do acidente. No documento ela explica como realizou a estimativa de velocidade dos veículos. Os vídeos foram visualizados e fragmentados. As imagens são de câmeras fixadas no Ventura Mall. A perita optou por um dos vídeos por oferecer melhor campo visual. A câmera escolhida foi cuja lente estava voltada para a Rua Santo Zóia, no sentido bairro-Centro. Foi levado em consideração a distância percorrida de 14,2 metros, entre a praça e a esquina do cruzamento entre as vias do acidente. Na época, dados registrados por dois radares instalados na Rodovia Heitor Penteado, via que depois recebe o nome de Moraes Salles, o empresário Roberto Salvador dirigia a uma velocidade de 163km/h, no primeiro radar - altura do Jardim das Paineiras - e, ao passar pelo segundo, em frente ao Parque Ecológico, estava a 152km/h.O advogado da família de Giovanni Buzzo, João Raphael Plese de Oliveira Neves, afirmou que o acidente só ocorreu devido a velocidade excessiva e que a Polícia Civil deu a correta tipificação (de homicídio doloso), em decorrência de o empresário ter assumido o risco de ter causado o acidente. O advogado informou que aguarda agora decisão do Ministério Público.O advogado de Salvador Filho, Ralph Tórtima Filho, disse, em nota, que "fica muito claro que o parecer particular apresentado conflita com as manifestações dos peritos oficiais, que entenderam invíável qualquer cálculo preciso com base no formato em que captadas as imagens do momento do acidente". O advogado afirmou ainda que, para a defesa, a questão da velocidade do veículo dirigido por Roberto Salvador Filho perdeu relevância com a constatação, pelos peritos oficiais, de que a vítima avançou um sinal vermelho, invadiu uma avenida preferencial e dirigia sob efeito de álcool. "Ou seja, não fossem essas circunstâncias, o acidente não teria ocorrido", afirmou.O Ministério Público informou, por meio de assessoria de imprensa, que recebeu o processo e o promotor responsável é o Ricardo José Gasquez Almeida Silveira.