
ig-Inhauser (AAN)
Estamos às voltas do imbróglio armado pelas revelações do Snowden sobre o amplo e, ao que tudo indica irrestrito, sistema de espionagem montado pelos Estados Unidos para bisbilhotar a vida de cidadãos comuns, governos e empresas. Por trazer à luz parte do que fizeram (e ainda fazem), o antigo funcionário da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos, foi considerado traidor e sua cabeça está a prêmio. Quando pediu e recebeu asilo político na Rússia, a concessão estremeceu as relações entre os dois países, pois agora, não só o Snowden era traidor, como também a Rússia traíra a confiança dos Estados Unidos. Por causa dele, e baseado em “leve suspeita”, bloquearam o espaço aéreo da Europa para o avião presidencial da Bolívia, pois imaginavam que Evo Morales tinha ido à Rússia para trazer para sua terra o “traidor”. O mesmo fizeram com o Assange, quem, em um ato de coragem e serviço público, publicou milhares de documentos secretos dos Estados Unidos. Para tentar colocar a mão nele até arrumaram uma prostitua sueca que alega que foi abusada por ele. Asilado na Embaixada Equatoriana na Inglaterra, não recebe o salvo-conduto para sair da Embaixada e ir ao aeroporto e assim chegar ao seu destino de asilado. O soldado estadounidense, Bradley Manning que entregou os documentos foi identificado, julgado como traidor e pegou 35 anos de prisão.Agora, imagine o reverso. Imagine que um brasileiro tivesse conseguido entrar nos e-mails do Barack Obama e bisbilhotado a correspondência dele. Imagine que outro tivesse entrado nos computadores da IBM e roubado segredos industriais. Ou que uma Agência Brasileira ligada à Petrobrás tivesse entrado e obtido dados estratégicos sobre as reservas de petróleo dos Estados Unidos. Qual seria a reação deles? Seria a de mandar um comunicado abominando as invasões cibernéticas? Mandariam um subchefe de alguma coisa para dizer que não gostaram? Esperariam uma semana para ter os esclarecimentos por escrito? Mandariam o Secretário de Estado para conversar e receber explicações de uma “sub alguma” coisa relacionada à inteligência?Que nada! De forma veemente e violenta retaliariam nas relações comerciais com o Brasil, sobretaxariam nossos produtos para o mercado estadounidense, fariam um auê dos infernos! Mas, o lulo-dilmismo-petismo esbravejou para o público externo e mandou o Ministro das Relações Exteriores para Washington para ter uma conversa com a sub alguma coisa, e voltarão dizendo que as explicações dadas foram satisfatórias e que elas, por razões de segurança não podem ser explicitadas para o grande público. E lá vamos nós. Engolindo sapos e arrotando presunto!