Não, a democracia americana não correu
riscos por causa da invasão do Capitólio, a sede do Congresso dos Estados Unidos.
Como diria o general de Gaulle (que assim se referiu aos
tumultos na França em 68) foi um chienlit – uma cachorrada. De Gaulle, político de pés no chão, conversou com seus comandantes de tropa, viu que tinha base, e pediu a Georges Pompidou, seu aliado, que liderasse a passeata gaulista
que parou Paris. Acabou-se a guerra.Trump chegou ao dia 6 de janeiro com
uma estatura. Como presidente reduziu o desemprego a quase zero, chegou a um acordo com o México que diminuiu a imigração clandestina, criou condições para que empresas americanas em outros países voltassem aos Estados Unidos, obteve apoio de aliados na disputa de 5G com a China, enquadrou a Coreia do Norte, foi o primeiro presidente americano a pisar em solo norte-coreano, conseguiu quatro acordos de paz no
Oriente Médio, não se envolveu em guerra alguma. Geriu a pandemia com rara
incompetência, mas liberou verbas para a Pfizer e a Moderna, ambas já fornecendo vacinas ao mundo inteiro – ou quase.
Trump saiu do dia 6 de janeiro muito menor do que entrou, após estimular as
manifestações que geraram a invasão do Capitólio (e cinco mortes). Ainda pode ser afastado do cargo, por incapacidade, mesmo a poucos dias do fim
do mandato. Perdeu o controle do Senado, ganhou o repúdio de seu partido.
E, como diria o poeta espanhol, para que? Para nada.