DOCUMENTÁRIO

História do Brasil Ancestral ganha palco no MIS

Com exibição gratuita hoje, às 19h30, documentário ‘Pindorama’ reúne depoimentos de mais de 40 especialistas sobre os povos originários e a época pré-histórica do País

Mariana Camba/[email protected]
29/03/2025 às 09:55.
Atualizado em 29/03/2025 às 14:22
A equipe de produção percorreu todas as regiões do País, com exceção do Centro-Oeste, para colher depoimentos e gravar imagens em sítios arqueológicos e paleontológicos, como Lapa Vermelha (MG), Toca do Boqueirão (PI) e Cerro da Alemoa (RS) (Divulgação)

A equipe de produção percorreu todas as regiões do País, com exceção do Centro-Oeste, para colher depoimentos e gravar imagens em sítios arqueológicos e paleontológicos, como Lapa Vermelha (MG), Toca do Boqueirão (PI) e Cerro da Alemoa (RS) (Divulgação)

Uma nova perspectiva sobre o passado do País, para além da vinda dos portugueses – contemplando, inclusive, a época pré-histórica, com a presença dos dinossauros – é o que propõe o documentário que será lançado hoje (dia 29), às 19h30h, no Museu da Imagem e do Som (MIS Campinas). “Pindorama – Uma história do Brasil Ancestral” reúne 43 depoimentos de especialistas de diversas áreas do conhecimento e lideranças indígenas, que contemplam os pontos de vista de (re)descoberta do Brasil – habitado por 3 a 8 milhões de indígenas – e o tempo anterior à presença humana. A direção é do jornalista Marcos Rogatto e a produção, de Patrícia Ogando, que hoje no início do evento vão apresentar o contexto da produção e, ao final da exibição, estarão disponíveis para eventuais dúvidas e perguntas da plateia.

O jornalista explicou que o documentário foi dividido em duas partes. A primeira aborda a presença humana, o momento anterior à chegada do povo europeu e, principalmente, o contexto entre indígenas e portugueses. A segunda parte traz luz à época anterior ao homem, do período animal, aprofundandose na pré-história. “O Brasil foi berço dos dinossauros. Pouquíssimas pessoas sabem disso, mas esses animais surgiram aqui, na nossa terra. Informação esta, que a gente não encontra nos livros de história”, destaca Marcos Rogatto.

Para abordar as diversas nuances e vertentes dessa história para além da aparição humana, Rogatto percorreu todas as regiões do País, com exceção do Centro-Oeste. A equipe era formada por quatro pessoas: ele – como diretor, entrevistador e condutor dessa caminhada –, os cinegrafistas Joel Camargo e Manuela Meyer que se alternavam no trajeto; e Edvaldo Andriotti, assistente de áudio e luz. A equipe permaneceu em viagem – entre idas e vindas para captação de imagens e entrevistas – durante quatro meses. O documentário foi finalizado um ano depois de iniciado.

De acordo com Rogatto, a ideia do projeto surgiu devido à sua vontade de contar histórias, belezas e saberes dos povos tradicionais do Brasil, além de aprofundar os contextos da formação desta terra. “Eu me propus a pensar em um projeto que pudesse contar essa história. Trouxemos um pouco dessa visão antropológica na abordagem.” Ele acrescentou que Ana Marcucci, mestre em Antropologia Social pela Unicamp, foi uma das responsáveis por trazer esse olhar.

Ao entrevistar diversos especialistas, doutores, professores, mestres, líderes indígenas, um dos desafios que Rogatto enfrentou foi conseguir conciliar a disponibilidade dos mais de 40 entrevistados, presentes nas diferentes regiões do País. O jornalista e equipe percorreram sítios arqueológicos e paleontológicos importantes, como Lapa Vermelha (MG), Toca do Boqueirão (PI) e Cerro da Alemoa (RS), além de instituições culturais renomadas, para mapear descobertas científicas sobre a ocupação humana nas Américas.

A região de Santa Maria, localizada no Rio Grande do Sul, ressaltou, foi uma das exploradas durante o documentário, por contemplar um dos mais antigos e ricos fósseis de dinossauros no mundo. A região de Lagoa Santa, em Minas Gerais, também fez parte desse itinerário, por ser o lugar onde foi encontrado o esqueleto de Luzia. Este, lembrou, é o mais antigo fóssil humano já descoberto nas Américas, encontrado em 1975 e identificado como tendo em torno de 12 mil anos. “Essa descoberta revolucionou o conhecimento sobre a presença do ser humano na América Latina.” 

MOMENTO INESQUECÍVEL

Rogatto descreveu a experiência de participar e desenvolver este documentário como sendo algo emocionante. Subir os morros da Serra da Capivara, no Piauí, deparar com vestígios de presença humana de 40 mil anos atrás e estar nos lugares que marcaram a história foi uma experiência única para o jornalista. “Não tem como segurar a emoção e explicar o que senti nessa vivência. Eu nunca tinha visto uma pintura rupestre a não ser em um livro. E a sensação é de arrepiar.”

O diretor ficou intrigado ao tentar entender como um homem, há 5 mil anos, conseguiu fazer uma pintura rupestre com o uso de um pigmento, numa área externa, que mesmo com a ação da natureza e de diferentes animais, nunca desapareceu. Para ele, este é apenas mais um indício do conhecimento vasto, do saber e do domínio de técnicas que o homem tinha naquela época e que ainda hoje – mesmo com os avanços tecnológicos e diversas áreas do conhecimento –, o mesmo grau de excelência não é alcançado. “Este foi um trabalho prazeroso, poder descobrir o Brasil para além da história contada”.

EXIBIÇÕES

Com entrada gratuita e classificação indicativa livre, a exibição terá duração de uma hora e 40 minutos. Além de uma intérprete de Libras presencial, o projeto também dispõe de um aplicativo que proporciona a legenda descritiva, com janela de Libras e legendagem das falas.

Após o lançamento hoje no MIS, o documentário será exibido na Cinemateca do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro em 6 de maio e, na sequência, no MIS São Paulo no dia 10. Depois das duas Capitais, retorna a Campinas, para ser apresentado na Rabeca Cultural, em Sousas, no dia 23 de maio. O projeto, beneficiado pela Lei Paulo Gustavo e com apoio da Secretaria Municipal de Cultura de Campinas, ressalta a produção científica brasileira e o conhecimento dos povos originários deste País. A trilha sonora inclui cantos nativos na língua Kariri-Xokó, que ressalta a conexão com as culturas indígenas.

PROGRAME-SE

Documentário ‘Pindorama — Uma história do Brasil Ancestral’

Quando: Lançamento hoje (29), às 19h30.

Onde: Museu da Imagem e do Som de Campinas (MIS), Rua Regente Feijó, nº 859, Centro

Exibição gratuita e aberta ao público

Informações: (19) 3733-8800

 Quando: Exibição no dia 23 de maio, às 19h30

Onde: Rabeca Cultural, na Avenida Dona Maria Franco Salgado, nº 250, bairro Jardim Atibaia – Sousas

Exibição gratuita e aberta ao público

Informações: (19) 99720-6186 / @rabecacultural

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