
Aviso na porta de agência bancária indica restrição dos serviços (Antonio Trivelin/AAN)
Os clientes dos bancos de Piracicaba não puderam realizar operações com dinheiro nas agências nesta quarta-feira (13). O motivo foi a greve dos vigilantes. Algumas agências não abriram as portas e, em outras, era possível fazer operações nos caixas eletrônicos ou que não utilizassem dinheiro. O sindicato dos Bancários informou, em nota, que os bancos que abriram sem vigilantes serão multados.
Cartazes nas entradas dos bancos informavam aos clientes das medidas adotadas, por força da lei. O movimento era intenso de pessoas nas agências do Centro, na tarde desta quarta, nas áreas de autoatendimento. A paralisação revoltou alguns clientes. "O banco ficou fechado durante todo o Carnaval. Hoje (quarta), temos de pagar as contas, os impostos e não conseguimos. Vamos ser prejudicados com multas e juros", disse o eletricista José Fustaine, 53.
A cidade conta com cerca de 150 profissionais que fazem a segurança nas agências bancárias. Os vigilantes reivindicam que as empresas paguem os 30% de periculosidade (risco de morte), conforme a lei federal 12.740. "Atualmente recebemos 18%, mas a lei sancionada pela presidente Dilma Rousseff determina o pagamento de 30%. Vamos continuar em greve até recebermos todo o percentual. Não temos o apoio do sindicato e a lei já está regulamentada, não precisa esperar nenhuma decisão da justiça do trabalho", afirmou o vigilante Marcos Siqueira, da comissão dos trabalhadores.
Segundo ele, das 55 agências da cidade, 54 não funcionaram. Ele disse que a paralisação atingiu ainda as cidades de Rio das Pedras, Saltinho, Mombuca, Elias Fausto e Rafard. "Vamos continuar mobilizando os trabalhadores a entrar em greve, caso não haja negociação com os patrões".
Nesta quinta, os vigilantes farão doação de sangue no hemonúcleo e, na assembleia marcada para as 7h de sexta-feira, na praça José Bonifácio, cada trabalhador está sendo orientado a levar um litro de leite. "Vamos doar o alimento a uma entidade", contou Siqueira.
Movimento
O primeiro protesto da categoria foi realizado no dia 1° de fevereiro. "Esperamos que os patrões se manifestassem. Como isso não ocorreu, os trabalhadores decidiram entrar em greve", afirmou.
A assembleia foi realizada na manhã desta quarta, na praça José Bonifácio.
O Sindicato dos Vigilantes não apoia o movimento. "Já solicitamos ao Ministério do Trabalho para regulamentar a lei para as empresas cumprirem e esperamos a decisão; por isso. O sindicato não orientou pela realização da greve", informou José de Sousa Lima, vice-presidente da Federação dos Vigilantes do Estado de São Paulo.