Quando conclui o doutorado em Filosofia na Pontifícia Universidade Gregoriana (PUG), posteriormente reconhecido pela Universidade de São Paulo (USP), comecei a meditar sobre a função da Filosofia no mundo atual. Após alguns anos conclui que a Filosofia representa um saber que envolve uma teoria e uma prática no contexto social e político, promovendo a livre discussão entre os agentes sociais que protagonizam um mundo melhor. Talvez hoje sua função consista na capacidade de organizar o caos moral e ético que se tem perpetuado em nosso País. O vazio moral presente na realidade social brasileira vem transformando inclusive o caráter das pessoas em sua significação mais profunda. A Bioética enquanto área que envolve a vida em suas várias dimensões está em constante sintonia com a filosofia, pois seu campo de saber é abrangente e interdisciplinar. Com meus alunos na Faculdade de Filosofia e em nossas oficinas de trabalho temos repercutido as manifestações de rua enquanto espaço de diálogo e livre manifestação. Estas manifestações não nosso ver estão fazendo acordar este gigante que dormia em berço esplêndido. Em recente viagem ao Estado da Bahia pude observar a vida que nasce da diversidade cultural presente nas esquinas, ruelas e cortiços que circundam as grandes cidades. Na verdade, encontramos a vida em todo lugar; no início, no desenvolvimento e, na finitude da existência. A bioética entrelaça os laços que cortam a natureza humana numa constante sintonia de amor e dor, abordando questões que se referem á base ontológica. O avanço da bioética, enquanto estudo interdisciplinar lança muitos desafios para a filosofia, sobretudo, o desafio de pensar a vida num contexto de morte constante. A violência no transito, a insegurança na vida pública, a impunidade dos que roubam, a violência das classes elitizadas que depredam o país por onde passam, tem deixado uma marca indelével de perplexidade. Entretanto, a maior violência é aquela que corrói o caráter, que mata a alma, que gera suicídios em todas as classes sociais, que transforma a vida no que ela tem de mais precioso, ou seja, em seu dom de amar. A Filosofia clama por liberdade, chama para a responsabilidade, conclama para a formação da consciência, despertando o senso critico, enquanto motor social para a construção de um novo ser humano. A vida pós-humana, não pode ser vislumbrada somente a partir de maquinas e técnicas. O pós-humano não é a sociedade dominada pela técnica, mas a superação da violência por meio da humanidade plena. O filósofo e o bioeticista não são personagens que se contrapõem no limiar do pensamento, mas companheiros da vida em todos os sentidos, desde a natureza irmã até a finitude da matéria enquanto elemento real. O Brasil não pode caminhar no caos, a vida deve ser disciplinada por meio da ética, controlada pelas políticas publicas de qualidade visando sempre o bem maior. Infelizmente o marketing eleitoreiro tem predominado num país que ainda não conhece a sua maioridade de consciência como vislumbrou Kant em seu memorável texto sobre o iluminismo. As estratégias de marketing têm vingado pelas suas perspicácias de inteligência e habilidade técnica. Deste modo, a filosofia é um olhar necessário num mundo em que a vida continua ameaçada como nos famosos versos dos poetas que cantam em cada esquina deste imenso País.