
correio - Messias Martins (Cedoc)
Sempre gostei de filosofia. Li o romance o Mundo de Sofia, escrito por Jostein Gaarder, no final dos anos noventa. Desde então vi que essa seria minha “praia”. Dizem: que a filosofia existe para que as pessoas possam viver melhor e sofrerem menos. Enfrentar serenamente o “perpétuo vai-e-vem de elevações e quedas”, para citar uma grande frase de um filósofo da Antiguidade.A missão essencial da filosofia é tornar viável a busca da felicidade. Todos os grandes pensadores sublinharam esse ponto. A filosofia que não é útil na vida prática pode ser jogada no lixo. Alguém definiu os filósofos como os amigos eternos da humanidade. Nas noites frias e escuras que enfrentamos no correr dos longos dias, eles podem iluminar e aquecer. A filosofia apoia e consola. Gosto desta definição, mas discordo em parte. Penso que a filosofia não precisa ser utilitarista ou amiga da humanidade, pois, muitos gênios da filosofia foram exatamente o contrário, apesar de, mesmo assim, terem contribuído de alguma maneira com a humanidade.Eu a definiria dizendo que: a filosofia é uma ferramenta de busca espiritual e de conhecimento. Então vamos filosofar um pouco: “A vida é terrivelmente deficiente em forma. Suas catástrofes acontecem de maneira errada e para as pessoas erradas” (Oscar Wilde). Nos livros e novelas os bandidos são punidos e os heróis triunfam. Já na vida não é tão fácil dizer quem é quem. A maioria de nós é heroica em certas ocasiões e malvada em outras. Nossa vida é uma mistura desigual de triunfos, recompensas e pendências. Eventos que nos parecem injustos acontecem com frequência: crianças morrem, rios transbordam e aviões caem.No mundo existem fome e abundância, violência e delicadeza. Os fios do certo e do errado, bom e mau, estão entrelaçados e não há como desembaraçá-los. O que contribui para o nosso progresso pessoal é a capacidade de aceitarmos essa desnorteante complexidade. Viver plenamente, mas ao mesmo tempo nos distanciarmos dos resultados de nossos atos é o segredo da serenidade.Quando acontece uma catástrofe, talvez sejamos incapazes de olhá-la pelo outro lado, procurando algo de bom nela. O fato é que não sabemos tudo o que há para saber; vemos apenas uma parte do padrão do mundo. Mantermo-nos presos a um desastre só serve para multiplicar seus efeitos. O que devemos fazer é sentirmos nossas emoções e depois deixá-las ir. Que tal trabalharmos para conseguir aceitação? Os dias que virão nos trarão possibilidades totalmente novas. Pensemos nisso.