TADEU FERNANDES

Febrefobia: a febre do momento

Não podemos esquecer que somos seres homeotérmicos, no frio ficamos pálidos e no calor, vermelhos

Tadeu Fernandes
correiopontocom@rac.com.br
19/09/2016 às 06:00.
Atualizado em 22/04/2022 às 22:22

Você já ouviu falar de febrefobia? Se você tem filhos é quase certo que você já sofreu deste mal que está entre as principais causas de procura pelo pronto-socorro, ou busca pelo seu pediatra na madruga, fato que tirou seu sono, e o nosso também... Não podemos esquecer que somos seres homeotérmicos, no frio ficamos pálidos e no clima quente ficamos vermelhos e transpiramos? Por quê? Nosso criador fez um sistema muito complexo para manter nossa temperatura, quando nosso termostato (localizado no sistema nervoso central) avisa que está frio, a pele fica pálida pela “contração” dos vasos sanguíneos e não perdemos calor pela pele. Quando o aviso é de aumento de temperatura, há uma vasodilatação (ficamos vermelhos), transpiramos (suor), ocorre a evaporação desse suor e perdemos calor, resultado final igual a homeotermia, ou seja, independente da temperatura externa, nossa temperatura corpórea se mantém constante. Febre não é doença, é apenas um mecanismo fisiológico que tem efeitos positivos quando nosso organismo tenta combater uma infecção, aumentando a produção de anticorpos e glóbulos brancos, dificultando ou até inibindo a multiplicação de alguns agentes infecciosos (vírus, bactérias). Surpresa! A febre é nossa amiga, não inimiga! Ela ajuda a aumentar nossa imunidade ou defesas, tanto é que ela aparece sempre que nosso organismo está sofrendo uma agressão, aproveito para destacar 90% delas são causadas por vírus, não bactérias, portanto, não precisa de antibióticos. Mito: antibiótico combate à febre. Não, antibiótico mata somente bactérias, não vírus, não tem ação antitérmica, portanto, será útil em apenas 10% dos casos de febre, aquelas causadas por bactérias. Acima de 37,8º podemos considerar uma criança febril, o que não quer dizer que temos que medicar. Nesse caso, desagasalhe seu filho, hidrate ofereça água mineral e/ou de coco, chás, sucos e até soro oral, medir novamente a temperatura após 30 minutos, milagre! A maioria desaparece sem medicação. Se a febre persiste, mas seu filho está ativo, se alimentando bem, apenas hidrate-o, deixe o ambiente agradável, entre em contato com o pediatra para saber se é necessário algum outro medicamento. Lembre-se que baixar a febre não trata a doença de base, apenas dá uma sensação de conforto à criança. Há algumas situações que requerem uma atitude mais rápida dos pais, vamos destaca-las: Bebês abaixo de 3 meses de idade com temperaturas acima de 38º ou abaixo de 35,5º. Quando mesmo após normalizar a temperatura, a criança de qualquer idade se mantiver irritada, com choro persistente ou muito “largadinha”, mole, apática, com pouca reação, sem querer mamar. Quando a febre se acompanhar de sintomas persistentes como dor de cabeça, pele vermelha, dificuldade de dobrar o pescoço, vômitos que não cessam, confusão, irritabilidade extrema ou sonolência, dificuldade importante para respirar. Sabemos que o grande medo dos pais é a convulsão febril, ao contrário do que se pensa, não é a febre alta que causa a convulsão febril. O que pode levar a esse quadro é a elevação ou a queda muito rápida da temperatura que faz com que o termostato não tenha tempo adequado para se adaptar e sofra uma “pane”. Isso explica porque os banhos gelados não devem ser usados para ceder a temperatura da criança. A convulsão febril costuma acontecer entre os 6 meses e os 6 anos de idade, mais frequentes até os 2 anos. Normalmente, é mais comum se houver familiares que já tiveram o mesmo quadro quando crianças. Antitérmico deve ser administrado quando necessário, e nunca, repito, nunca, intercale antitérmico, se começou com um, continue com ele, se a febre voltar antes das 4 horas (horário da nova dose), hidrate e refresque a criança (pouca roupa), vai resolver!

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