PREOCUPAÇÃO

"Falso IOF" assusta usuário de cartão de crédito

Boato de que imposto passaria a incidir sobre todas as operações de crédito gera apreensão

Patrícia Azevedo
01/10/2013 às 10:39.
Atualizado em 25/04/2022 às 02:14
A empresária Iracema (à esq.) recebe pagamento com cartão de cliente (Elcio Alves/AAN)

A empresária Iracema (à esq.) recebe pagamento com cartão de cliente (Elcio Alves/AAN)

Boatos de que o Banco Central teria autorizado a cobrança de uma alíquota de 0,38% do Imposto sobre Operação Financeira (IOF) nas transações com cartão de crédito provocaram confusão entre os consumidores e internautas. A informação - falsa - era de que a medida teria sido tomada para que o governo pudesse compensar a queda na arrecadação. Confusos, os consumidores passaram a procurar informações nos sites das instituições financeiras. De acordo com a assessoria do Banco Central, essas informações equivocadas tiveram origem em uma reportagem veiculada pela rádio Itatiaia, de Minas Gerais. Em pouco tempo, o assunto passou a ser comentado em todo País por meio de sites de informações e blogs. O diretor executivo Marshal Raffa contou que os boatos chegaram até o seu conhecimento por meio de notícias na rede. “Me causou estranheza porque se você limitar o uso do cartão de crédito, limita o ciclo econômico. Depois tudo foi esclarecido, mas mesmo assim escutei pessoas dizendo que iriam evitar usar o cartão para não pagar IOF”, contou. O Banco Central informou que quem controla essa questão é o Ministério da Fazenda, mas negou que tenha sido feito qualquer mudança na tributação do IOF sobre as operações de crédito. A autoridade monetária explicou que a alíquota de 0,38% já é cobrada - mas apenas quando o cartão é usado como forma de pagamento de contas de consumo como água, luz, telefone e TV por assinatura, por exemplo. A informação foi confirmada pela Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), que também negou qualquer mudança na cobrança do tributo e reafirmou que o IOF incide apenas sobre transações específicas, como compras feitas no exterior ou pagamento de contas com cartão de crédito. Ainda segundo o Banco Central, a cobrança do IOF sobre essas transações já é feita há muito tempo, mas não há nenhuma tributação sobre compras parceladas no comércio. O analista de projetos Felipe Amaral costuma pagar suas contas de consumo no cartão tanto para acumular pontos quanto para prorrogar o desembolso com as despesas. “Eu não estava sabendo dessa mudança que estavam comentando e fui me informar. É preciso fazer o cálculo para saber se vale a pena usar o cartão e só fazer isso quando for necessário”, comentou. A culinarista Érika Cândido também recorre ao cartão de crédito quando o orçamento está mais apertando ou precisa de mais prazo. Ela conta que é preciso analisar cada caso porque o cartão já cobra uma taxa - por isso, se os juros pelo atraso da conta forem menores que a soma do IOF e da taxa do cartão, vale a pena usar. “Senão, fica mais barato atrasar o pagamento”, disse. A empresária Iracema Sulinsk conta que 98% das vendas em sua loja são feitas através de cartões de crédito e débito, e segundo ela os boatos não provocaram queda no uso pelos consumidores. “A movimentação está normal, até porque agora a situação está esclarecida” , afirmou. O professor da Faculdade de Economia da Puc-Campinas Roberto Brito explicou que o ideal é pagar as contas sempre à vista. “Se a pessoa está com dificuldade de pagar suas contas em dia, talvez tenha problemas também em pagar a fatura do cartão em dia. E aí, além do IOF, vai ter que pagar também os juros do cartão, que são muito pesados - entre 10 e 13%”, explicou o economista. Nesse caso, recomendou, seria melhor deixar vencer a conta e pagar a multa pelo atraso, que é, em média, de 2%.

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