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Essa mulher, Christine

/ ENTREVISTA / No ar em Orgulho e Paixão, Christine Fernandes valoriza momento mas Essas Mulheres ainda é a referência

26/08/2018 às 19:05.
Atualizado em 22/04/2022 às 15:50

Christine Fernandes construiu uma trajetória com personagens variadas e de destaque na tevê. Ainda assim, aos 50 anos, ela enxerga um longo horizonte profissional. A atriz, natural de Chicago, nos Estados Unidos, procura estar sempre em constante renovação na carreira. Há pouco mais de duas décadas na televisão, a intérprete da dúbia Josephine, de Orgulho e Paixão, busca espaço para papéis inéditos e acredita que ainda há tempo para correr atrás de novos dilemas profissionais no vídeo. “Acho que apresento uma carreira bem constante. Vim trilhando meu caminho com dignidade. Fiz sempre o melhor que pude e hoje sinto que posso muito mais que ontem. Ou seja, me sinto sempre crescendo, aprendendo, evoluindo, me refinando. Isso é o que eu mais desejo em minha vida, a chance de ser melhor a cada dia”, filosofa.Assim como muitas atrizes, Christine Fernandes começou sua carreira artística no mundo da moda. Após um período trabalhando fora do país, a loura voltou ao Brasil e participou da Oficina de Atores da Globo. Um ano depois, em 1994, fez sua estreia na tevê em Quatro por Quatro, de Carlos Lombardi. Na emissora, participou de projetos como História de Amor, Esplendor e Estrela-Guia. Mas, em 2005, assinou com a Record para protagonizar a trama de Essas Mulheres. No ano seguinte, voltou à Globo e integrou o elenco de produções como Páginas da Vida, A Favorita e Viver a Vida. No ano passado, fez seu “début” em folhetins bíblicos ao interpretar a vilã Sammu-Ramat em O Rico e o Lázaro, da Record. “Gosto de fazer bons personagens. Ninguém é só bom, nem mau. As nuances são o que me interessam. A Sammu, por exemplo, era má, mas tinha uma história pregressa que a forjou daquele modo. Gosto de mulheres fortes. Boas ou más”, aponta.CORREIO Seu último trabalho na tevê havia sido na novela bíblica O Rico e Lázaro. Como surgiu a oportunidade para voltar à Globo em Orgulho e Paixão?Christine Fernandes — Recebi um convite da Frida Richter, do Departamento de Elenco da Globo, perguntando se eu me interessaria em fazer um teste para uma personagem excelente e diferente de tudo que eu já havia feito na Globo. Li e me apaixonei. Era para mim, sentia. E passei. Acredito que os personagens escolhem o ator. Nesse caso, não há dúvida. Josephine veio para mim como uma luva.A Josephine é uma personagem misteriosa e com muitas nuances. O que chamou a sua atenção para aceitar participar da trama de Orgulho e Paixão?O diretor Fred Mayrink é um excelente profissional e um cara bacanérrimo, com quem eu já havia trabalhado antes. Acompanho o Marcos Bernstein desde Central do Brasil e, além disso tudo, a personagem era ótima e é uma novela de época, de que simplesmente adoro participar.Durante vários anos, a Josephine se finge de morta e, após um longo tempo afastada, volta ao Vale do Café. Porém, seu retorno acaba desestabilizando toda a família. Você definiria a personagem como uma das vilãs da história?Isso ainda vamos saber. Até agora, todas as motivações que ela alega para ter sumido foram por questão de sobrevivência. Para uma mulher corajosa e que teve peito para viver a vida que quis, há indícios de que ela possa estar manipulando os fatos a seu favor.A trama de Orgulho e Paixão é baseada nas obras da inglesa Jane Austen. Como foi seu processo de composição para viver a personagem?Sempre li muita literatura que retrata essa época. Meus romances favoritos são desse tempo. Além de já ter feito essa mesma época em outros trabalhos. Sou muito alimentada de referências nesse aspecto. O ambiente todo da nossa novela, o conjunto da equipe e atores, tudo está em completa sintonia, o que facilita a unidade da obra. O texto é muito bom. Além disso, a caracterização e o figurino me ajudaram.Como assim?O figurino e a caracterização têm uma importância total na construção do papel. Me ajoelho todos os dias aos pés de Beth Filipeck, nossa figurinista, em agradecimento ao belíssimo trabalho. Beth é uma craque. E uma pessoa generosíssima, agradabilíssima. Assim como o Serginho e toda a equipe da caracterização. Só feras. Uma sorte ter uma equipe dessas, pois é meio caminho andado, sem dúvida.Atualmente, a Record está reprisando Essas Mulheres, novela escrita por Marcílio Moraes e Rosane Lima, em que você interpretou uma das protagonistas. Qual a importância desse trabalho em sua trajetória profissional?Esse trabalho, especificamente, eu amo. Foi um salto artístico e pessoal na minha vida. Talvez tenha sido a primeiríssima vez que me senti completamente na pele daquela personagem. Aurélia era uma simbiose, uma mistura, um deleite para mim. Fora que era uma personagem-fetiche dos meus livros favoritos da juventude, que era Senhora, de José de Alencar, na qual se baseava minha personagem.Você gosta de rever antigos trabalhos?No geral, não costumo rever antigos projetos. Mas a Aurélia foi de fato especial.Em Essas Mulheres, você assumiu a posição de protagonista da história. Como foi essa experiência de encabeçar o elenco de uma produção?Eu rendo mais quando tem muito volume de trabalho. Me sinto mais desafiada. E posso testar caminhos. Se tenho uma boa personagem nas mãos, sou fominha. Quero mais, quero muito. Nem me importo de gravar muito, ao contrário, gosto, pois ganho ritmo. E aí, posso saborear, brincar em cena. Eu gosto de brincar e isso só é possível quando você tem confiança. A responsabilidade me estimula.Ideias no papelApesar de viver boa parte de sua carreira diante das câmeras, Christine Fernandes também desenvolveu uma paixão pela escrita. O talento nasceu bem cedo, aos nove anos, quando participou de um concurso nacional de redação. Na época, a atriz ficou em segundo lugar. “Lembro que fui com meu pai no Centro da cidade buscar um prêmio simbólico em dinheiro por conta da colocação. Foi um sonho aquela premiação”, recorda.Ao longo do tempo, apesar de investir intensamente na carreira de atriz, Christine manteve vivo seu gosto pela escrita. Além de participar das novelas e minisséries, ela escrevia diários, poesias, contos e também escreveu para um blog e um site sobre futebol. “Mais recentemente tenho trabalhando em um romance, um projeto mais ambicioso. Desejo dedicar cada vez mais tempo a escrever. Tenho interesse em roteiro também. Estou me testando e investindo. Nunca parei de escrever”, explica.Passaporte na mãoFilha de pais brasileiros, Christine Fernandes morou nos Estados Unidos até os três anos de idade. Aos 16, foi abordada por um profissional de uma agência de moda que a convidou para fazer um teste e se tornou modelo. Logo depois, retornou aos Estados Unidos para modelar e concluir o Ensino Médio. Na reta final de Orgulho e Paixão, a atriz confessa que cogita voltar a morar fora do país novamente. “Pelo medo da violência e da falta de perspectiva no Brasil, mais do que tudo. A corrupção me enoja, me machuca ver crianças sendo baleadas dentro de escola. A impunidade, a classe política sem empatia, dá um grande desânimo mesmo. Vamos ver se vislumbraremos algo bom nas próximas eleições. Eu realmente torço”, desabafa. (TV Press)

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