
Gabrielle faz parte do projeto da Acamp do Colégio Culto à Ciência e iniciou a prática do tiro com arco em março (Divulgação)
Quando começou a “pegar o jeito” da prática do tiro com arco, a estudante Gabrielle Mansueto Constantino nem imaginava que seis meses depois ela estaria disputando a maior prova nacional da categoria adulta e, ainda, ganhando medalhas de ouro com apenas 16 anos de idade. No entanto, o que não estava previsto aconteceu. Em março ela ainda dava seus primeiros tiros, e em setembro subia por duas vezes no lugar mais alto do pódio na 49ª edição do Campeonato Brasileiro.
“Foi muito bom sentir que todo o meu esforço para melhorar está me trazendo bons resultados”, diz a estudante, uma das 11 atletas da Associação de Arqueiros de Campinas (Acamp) que participaram da competição disputada no centro de treinamento da seleção brasileira da modalidade, em Maricá (RJ), de 25 a 31 de setembro.
Gabrielle foi ouro na dupla mista e na equipe feminina, ambas na disputa do arco barebow (equipamento sem uso de miras ou dispositivos de pontarias). Com os resultados, a atleta ainda bateu o recorde de pontuação dentro das categorias sub-18 e sub-21.
Em Maricá, a “novata” foi decisiva para que a equipe campineira terminasse o torneio na terceira colocação no quadro geral de medalhas, com três conquistadas – a outra veio com a atleta e também professora Alexandra Silva, bronze no arco composto individual. O primeiro lugar ficou com a equipe Dispara Brasil, de Maricá, integrada pelo atleta Marcus D’Almeida, líder do ranking mundial. O PIC (Pampulha Iate Clube), de Minas Gerais, terminou em segundo. A competição, que reuniu os melhores arqueiros do Brasil, teve 210 participantes.
Rigorosa consigo mesma, apesar do pouco tempo de prática ainda, Gabrielle só lamentou não ter conquistado uma boa classificação na disputa individual. “Me cobrei bastante, mas acho que para um começo estou dando o meu melhor.” Em julho, no Brasileiro Infanto Juvenil, em Águas de São Pedro, ela foi ouro na categoria, e também nas disputas por equipe e na dupla mista, desempenho que gerou boas expectativas na equipe em relação à performance dela na competição que viria na sequência, justamente o nacional adulto, em Maricá.
PROJETO
Gabrielle faz parte do projeto social da Acamp, que conta com o apoio do Fundo de Investimento Esportivo de Campinas (FIEC). A prática acontece no Colégio Culto à Ciência, principal polo de ação da associação, que trabalha tanto na formação quanto no desenvolvimento e rendimento.
A estudante ingressou este ano no colégio e logo se interessou pelo tiro com arco. Mas os primeiros passos, admite, foram difíceis. “Na minha avaliação, eu era a que menos estava evoluindo no início”, conta. “Mas depois que parei de prestar atenção nos outros e me concentrei nos meus movimentos, comecei a crescer”, afirma. Gabrielle diz estar vivenciando um 2023 “incrível” por ter descoberto o esporte e numa escola onde inicia sua trajetória. “Não fazia ideia que minha vida mudaria dessa forma só em alguns meses.”
Por outro lado, a Acamp também celebra, já que o ano é apontado com saldo positivo, apesar de restar ainda pouco mais de dois meses para o fim de 2023. “Não só obtivemos crescimento do projeto no Culto à Ciência, como 20 alunos treinando regularmente, como conseguimos organizar o Campeonato Brasileiro Infanto Juvenil e Senior em Águas de São Pedro e alcançar importantes resultados nas competições que participamos”, avalia a treinadora Inaiá Rossi Silva Staeheli. “Foram ainda quatro recordes batidos por atletas da Acamp neste ano”, encerra.
Siga o perfil do Correio Popular no Instagram.