O crescimento do tiro com arco coloca a cidade como referência no esporte
Campinas mira o topo. Ideia é que a cidade se torne o maior centro da modalidade do Brasil (Divulgação)
O alvo está na mira e o ataque tem tudo para ser certeiro. O crescimento do tiro com arco em Campinas neste ano já coloca a cidade na condição de se tornar o maior centro da modalidade do Brasil a partir de 2023. Essa é a expectativa da diretora de projeto da Associação dos Arqueiros de Campinas (Acamp), a atleta Alexandra Silva. O aumento do número de participantes na base e o rápido avanço demonstrado pelos alunos fundamentam a perspectiva positiva.
“Depois de um período difícil durante a pandemia, conseguimos neste ano atrair um bom número de participantes, que estão conseguindo avançar rapidamente do estágio inicial para o intermediário e avançado”, explica a campineira Alexandra, atleta da seleção brasileira, que já anuncia a abertura de 20 vagas na base para 2023, além de algumas para pessoas com deficiência (PcDs). As inscrições são gratuitas (o contato é alexandra.silva@acamp.esp.br).
Dos 40 participantes que iniciaram as atividades neste ano (20 no primeiro semestre e 20 no segundo), 16 avançaram de estágio. A Acamp tem um total hoje de 70 atletas, entre os integrantes da base e do rendimento. Desses, 30 são filiados à Federação Paulista e à Confederação Brasileira da modalidade. A meta é chegar ao número de 100 filiações em um curto prazo, diz Alexandra. Esse ano, no Campeonato Brasileiro Adulto, a Acamp terminou em terceiro lugar na classificação final, atrás apenas do Dispara Brasil, do Rio de Janeiro, e do Pampulha, de Belo Horizonte.
Os números animam os idealizadores do projeto. O técnico responsável pela Acamp é Marcos Bortoloto, que decidiu sair da seleção brasileira apenas para se dedicar ao trabalho em Campinas. Alexandra celebra os resultados, principalmente após as dificuldades enfrentadas em anos anteriores
A escola de formação do tiro com arco faz parte de um projeto em parceria com a Prefeitura iniciado em 2018. E a Acamp teve que chegar a devolver ao órgão público a verba destinada para o desenvolvimento do esporte durante a pandemia. O fechamento das escolas e a impossibilidade da atividade ser feita de forma online brecaram os avanços. “O número de praticantes do alto rendimento ficou estagnado, pois faltou a formação”, lembra Alexandra. A virada aconteceu neste ano com a consolidação da base em função da boa procura pela modalidade.
Entre os jovens talentos da Acamp, os principais destaques são Isadora Rodrigues e Gustavo Pimentel, bicampeões brasileiros de dupla mista na categoria infantil, Afonso Abreu, que com 15 anos já começou a participar dos campeonatos adultos, e Fernanda Waib, recordista indoor e outdoor. Entre os que iniciaram este ano, Maria Furlaneto, Rebeca Dantas, Arthur Bremer, Vitor Assis, Alanis Prates e Ayane Andrade são alguns nomes que já mostraram potencial.
O projeto ligado à Prefeitura funciona no Colégio Culto à Ciência, onde os iniciantes têm acesso ao material de treino e às aulas. No Círculo Militar de Campinas fica o grupo avançado. O clube tem uma área de 5 mil metros quadrados, onde está o campo oficial. Afora essa estrutura, a modalidade possui também uma parceria com a Unicamp, onde o tiro com arco é uma disciplina eletiva do curso de educação física.
Alexandra conta que Campinas tem uma forte tradição no tiro com arco em função da prática no Círculo Militar. Segunda ela, tratava-se do único clube social do Brasil que tinha um campo oficial, o que possibilitou a realização de vários campeonatos brasileiros no local desde os anos de 1970. Hoje, a área está sob direção da Acamp, que existe há seis anos.