Presidente do Guarani, Ricardo Moisés, e a advogada Talita Novaes, divergem sobre o modelo de SAF discutido que está em pauta no clube (Thomaz Marostegan/Guarani FC e Divulgação)
No dia 25 de outubro, o Guarani realizou uma reunião do Conselho Deliberativo para dar os seus primeiros passos para formulação de transformação do clube em Sociedade Anônima do Futebol e o presidente do Conselho de Administração, Ricardo Moisés, já definiu que vai escolher o caminho da democracia e da participação para definir o melhor modelo para o Alviverde campineiro. Para ele, é fundamental que os sócios participem ativamente da construção deste novo modelo administrativo. “Principal objetivo nesse início (de discussão) é identificar a opinião do sócio sobre a SAF. Há um entendimento interno dos debates sobre prós e contras para o Guarani e para a gente identificar a vontade do sócio. E identificando a vontade do sócio, a gente inicia ou não o trabalho de SAF”, afirmou o presidente bugrino.
Ricardo Moisés assegura que não foi feito nenhum debate inicial entre os sócios na reunião do dia 25 de outubro. O evento foi utilizado para uma apresentação das empresas Ernst Young e da Win the Game sobre os aspectos da SAF existentes no cenário nacional.
O dirigente bugrino já definiu que ocorrerá um aprofundamento da democracia e da troca de ideias para a definição do modelo ideal para o Guarani. “Vamos fazer no mínimo antes do fim do ano três debates entre os sócios e os conselheiros sobre as ideias que podem servir para o Guarani”, esclareceu o dirigente do Alviverde campineiro ao Esportes Já.
A discussão será acompanhada da execução de uma série de tarefas necessárias para preparar o Guarani para o modelo de Sociedade Anônima do Futebol. Um dirigente disse a reportagem do Esportes Já, sob condição de anonimato, que é preciso evitar que o Guarani entre na arapuca que caíram agremiações como Cruzeiro, Botafogo e Vasco. Por vivenciarem um quadro mais delicado na parte financeira, estes clubes, na visão dos dirigentes bugrinos, fizeram acordos em condições que não foram adequadas. De acordo com a Sports Value, empresa especializada em negócios, a marca do Guarani está avaliada em aproximadamente R$ 300 milhões.
Outras medidas foram adotadas para fornecer subsídios aos sócios do Guarani na hora do discussão. A Ernest Young, por exemplo, realiza um levantamento da estrutura existente em todos os departamentos, número de funcionários e as demandas existentes em cada setor. A expectativa é que, ao se arrumar a casa, o Guarani ficará melhor aos olhos do mercado, que olha para outros requisitos como a presença de dívidas no balanço e em quais competições a equipe está inserida, especialmente no âmbito nacional. O que existe de consenso é que o quadro atual é melhor do que em anos anteriores, especialmente porque a estimativa de dividas do Guarani, que é de R$ 180 milhões está adequado ao seu orçamento atual, apurado nas disputas do Campeonato Paulista e da Série B do Campeonato Brasileiro.
Por todos esses fatores, Ricardo Moisés considera que tomar qualquer conclusão neste momento é precipitada. “Primeiro a gente tem que ter um debate (e verificar) se existe a vontade do sócio ou não, do Guarani caminhar numa SAF para depois criar uma estrutura de como isso funcionaria no Guarani”, disse Ricardo Moisés, sem deixar de pedir a participação de todos. “A participação de todos sócios e do Conselho deliberativo (do Guarani) é fundamental para dar as diretrizes que o Conselho de administração deve seguir”, arrematou o dirigente.
Advogada e especialista em direito desportivo e estudiosa sobre a implantação das SAF´s no Brasil, Talita Novaes alerta de que os associados e dirigentes do Guarani não podem cair na armadilha de que a nova modalidade esportiva oferecerá todas as soluções para o clube. “O principal cuidado quando se pensa da Sociedade Anônima do Futebol é não a entender como a grande salvadora do futebol. Essa estrutura só vai funcionar se houver profissionalização da gestão e cumprimento da legislação”, disse a advogada, que relembrou que a função primária da SAF é regular a gestão do futebol.
Segundo ela, a cautela não pode produzir paralisia e falta de visão sobre as vantagens que a SAF pode produzir. “A SAF pode ser constituída de três formas diferentes: pela transformação do clube ou pessoa jurídica original em Sociedade Anônima do Futebol, pela cisão do departamento de futebol do clube ou pessoa jurídica original ou, finalmente, pela iniciativa de pessoa natural, jurídica ou de um fundo de investimento”, explicou.
Segundo ele, caso o Guarani opte pela nova modalidade adminstrativa, o ganho imediato é a utilização de um regime tributário diferenciado e a possibilidade da emissão de debênturesfut, além de maior segurança jurídica e financeira do ponto de vista empresarial, o que pode atrair grandes investidores.
Caso a construção da SAF no Guarani desemboque no acerto de que o novo controlador fique responsável pelos pagamentos das dívidas. Além disso, a advogada esclarece que Lei criou o Regime Centralizado de Execuções. Neste caso, todos os processos em fase de execução serão reunidos em um único juízo para o pagamento dos credores, o que poderá ser feito em até 10 anos.
EX-PRESIDENTE APOSTA EM SAF VANTAJOSA PARA O GUARANI
Ex-presidente do Conselho Deliberativo e também da Diretoria Executiva, o empresário Edson Torres considera que o Guarani tem todas as características para realizar uma boa negociação e viabilizar uma melhoria de patamar para os próximos anos. “Quem negocia uma SAF olha para o histórico da base. E quando olhamos o histórico da base nos últimos 30 ou 40 anos o Guarani encontra-se a frente do Bahia e perde apenas para Santos, São Paulo e Flamengo”, disse o ex-dirigente. Para o dirigente, o Guarani pode negociar um acordo que alcance o valor total de R$ 1 bilhão.
Além disso, o fato do Guarani encontrar-se próximo do Aeroporto de Viracopos e de encontrar-se sediado em um polo de tecnologia, isto são fatores que ajudam na valorização de mercado. Para completar o rol de boas notícias, o estoque de dívidas, segundo Edson Torres é bem baixo. “Hoje, a quantia entre dívidas civeis e trabalhistas encontra-se em R$ 180 milhões. Mas com negociação pode baixar ainda mais”, disse Edson Torres. O novo comprador, por sua vez, ganhará uma estrutura nova para tocar o futebol, segundo o ex-presidente bugrino, pois devido ao acordo que sacramentou a venda do Brinco de Ouro para o empresário Roberto Graziano o Alviverde receberá em médio e longo prazo um estádio com capacidade mínima para 12 mil torcedores, além de um novo Centro de Treinamento e uma nova Sede Social. Associado do Guarani é um dos líderes da Oposição no último processo eleitoral realizado em março de 2020, Anselmo França afirma que não é contra a instalação da SAF, desde que tudo seja discutido em profundidade. “A única vantagem que eu vejo é o da profissionalização do Guarani, pois o clube sozinho e com estas pessoas que estão lá não conseguem fazer algo profissional”, arrematou.