EM BUSCA DO PROTAGONISMO

O dérbi campineiro e a luta pela hegemonia em 2024

Desde que passaram a disputar simultaneamente a Série B em 2018, cada uma das equipes terminou três edições da competição na frente do rival

Esportes Já
04/12/2023 às 14:43.
Atualizado em 04/12/2023 às 14:43
Jeh foi o autor do gol pontepretano no dérbi do primeiro turno deste ano (Marcos Ribolli-Ponte Press)

Jeh foi o autor do gol pontepretano no dérbi do primeiro turno deste ano (Marcos Ribolli-Ponte Press)

O encerramento da 18ª edição da Série B do Campeonato Brasileiro na fórmula dos pontos corridos forneceu novos argumentos para Ponte Preta e Guarani incrementarem ainda mais a rivalidade que perdura desde 1912. As duas equipes participaram da mesma competição pela sexta vez consecutiva e o equilíbrio é total, com cada equipe terminando na frente do rival em três oportunidades. A temporada de 2024 já fica marcada como sendo a arena adequada para o desempate.

Ao somar as seis participações de cada um, de 2018 a 2023, alguns dados são revelados. Neste período, o Guarani somou 314 pontos, enquanto a Alvinegra tem 304. O desempenho das duas equipes neste ano foi preponderante para tal quadro. No ano passado, em pontos acumulados, o Guarani tinha 257 enquanto a Macaca tinha 262.

Em relação ao desempenho da defesa e do ataque neste período, os números reforçam as características históricas de cada um. Reconhecido pela montagem de times ofensivos, o Guarani anotou 241 gols em 228 jogos. Do lado da Ponte Preta, foram 207 tentos anotados. Quando o tema é o sistema defensivo, a tendência é invertida: a Macaca sofreu 227 gols em 228 partidas, realizadas de 2018 a 2023, enquanto o Guarani sofreu 236.

No balanço dos confrontos entre ambos na Série B desde 2018, a Ponte Preta contabiliza quatro vitórias e o Guarani dois triunfos. Foram registrados seis empates neste período. Na última edição, o Majestoso registrou um empate por 1 a 1 no primeiro turno e o Guarani ganhou o jogo do segundo turno por 1 a 0, gol de Bruno José.

O interessante é acompanhar a evolução desse embate. Quando a Ponte Preta retornou à segundona nacional, em 2018, o Guarani já vinha de uma primeira edição em que ficou com 44 pontos, na 16ª posição da classificação geral. No primeiro encontro entre ambos, a Alvinegra terminou com 60 pontos e só não comemorou o acesso porque empatou sem gols contra o Avaí na última rodada. Já o Guarani, embalado pela conquista da Série A2, terminou com 54 pontos e na nona colocação.

Na edição seguinte, a Macaca ficou à frente do principal adversário, com 47 pontos, mas existia um sentimento de frustração porque o técnico Gilson Kleina foi contratado para tentar repetir a arrancada da temporada anterior, quando o time obteve sete vitórias e dois empates, mas não obteve êxito. O Guarani, por sua vez, ficou com 44 pontos, mas o clima na ocasião era de alívio geral. Após terminar o turno inicial com 16 pontos, e dentro da zona de rebaixamento, o então auxiliar técnico fixo Thiago Carpini foi promovido para o comando da equipe profissional e conseguiu somar 28 pontos no segundo turno.

A terceira vitória consecutiva da Ponte Preta sobre o Guarani em uma edição de Série B ocorreu sob um contexto adverso, pois a pandemia de covid-19 fez com que todas as partidas fossem realizadas com portões fechados, e a temporada invadiu o ano de 2021. Ao dar uma oportunidade ao então auxiliar técnico Fábio Moreno, a Ponte Preta começou a praticar um futebol envolvente e cravou 57 pontos, enquanto o Guarani, após o término de gestão com Thiago Carpini e uma rápida aparição de Ricardo Catalá, acabou livrando-se do risco de queda com a presença de Felipe Conceição. Em 24 jogos, Conceição teve 51,4% de aproveitamento e deixou o Guarani com 48 pontos.

Debaixo de muita chuva e com muita disputa, o Guarani venceu o dérbi 206 pelo placar de 1 a 0 (Thomaz Marostegan-Guarani F.C)

Debaixo de muita chuva e com muita disputa, o Guarani venceu o dérbi 206 pelo placar de 1 a 0 (Thomaz Marostegan-Guarani F.C)

A crise política, administrativa e financeira que assolou a Ponte Preta a partir de 2021 fez com que o reflexo fosse colhido no gramado. O Guarani aproveitou a conjuntura para recuperar terreno. Em 2021, após uma gestão decepcionante de Allan Aal no Campeonato Paulista, quando o Alviverde foi eliminado nas quartas de final para o Mirassol, o Conselho de Administração contratou o técnico Daniel Paulista, que fez o time brigar pelo acesso até as últimas rodadas. A equipe encerrou sua participação com 60 pontos. A Ponte Preta, por sua vez, enfrentou um ano turbulento, com atraso de salários e um processo eleitoral que culminou com a vitória do grupo político que tem o atual presidente Marco Antonio Eberlin como um de seus líderes. Técinco por 37 rodadas, Gilson Kleina fez o suficiente para deixar o time com 49 pontos e livre da ameaça de rebaixamento.

No ano passado, o desafio da Alvinegra era maior com o rebaixamento colhido na Série A1 do Campeonato Paulista e a pressão colocada sob a torcida. O técnico Hélio dos Anjos, com contratações importantes, como a do meia Elvis, deixou a equipe na zona intermediária da classificação com 49 pontos. O Guarani, por sua vez, também viveu seus dramas. Após terminar o primeiro turno dentro da zona de rebaixamento com 18 pontos, e com o encerramento da gestão de Daniel Paulista após o empate com o Náutico na quinta rodada, o seu substituto Marcelo Chamusca durou apenas seis jogos. No lugar veio Mozart, que tirou a equipe do atoleiro ao somar 33 pontos no segundo turno, deixando a equipe na décima posição, à frente do oponente campineiro.

Na edição deste ano o Guarani veio cercado de desconfiança em virtude da campanha decepcionante no Campeonato Paulista, quando lutou contra o rebaixamento até as últimas rodadas.

A contratação do técnico Bruno Pivetti, a arrancada com três vitórias e o empate colhido no dérbi promovido no Majestoso deram a sensação de que o desempenho poderia ser satisfatório. A oscilação, no entanto, fez o Guarani desgarrar-se das primeiras posições. Isso culminou na demissão de Pivetti e na chegada de Umberto Louzer. Após vitórias contra Ponte Preta, Tombense e Chapecoense, o Guarani figurou dentro do grupo de classificação. Na reta final, o excesso de jogos cobrou a fatura e o time terminou na décima posição com 57 pontos.

A Ponte Preta, por sua vez, teve uma experiência inversa. A torcida encontrava-se entusiasmada após a conquista da Série A2, quando venceu o Novorizontino nos pênaltis pelo placar de 3 a 2. Tudo desabou na derrota na estreia da Série B por 3 a 0 para o Vitória-BA, o que gerou o pedido de demissão do técnico Hélio dos Anjos. A solução adotada pelo presidente Marco Antonio Eberlin foi promover Felipe Moreira, que era o comandante do time Sub-23 e que ao lado do observador técnico Ivo Secchi eram os únicos que tinham as licenças por parte da CBF para sentar no banco de reservas. Apesar de durar o primeiro turno inteiro e somar 22 pontos, os protestos da torcida e o futebol pouco atraente praticado no gramado fizeram com o que a Diretoria Executiva demitisse Felipe Moreira. Ele foi substituído por Pintado, que foi demitido no início de outubro após perder de 2 a 0 para o lanterna ABC-RN. O saldo final foi de duas vitórias, cinco empates e quatro derrotas, com aproveitamento de 33,3%.

Em seu lugar entrou João Brigatti, que em oito jogos colheu um aproveitamento de 37,5% e fez o que era suficiente para deixar a equipe na 15ª posição com 42 pontos.

Que ninguém se engane: o início do planejamento das duas equipes não será apenas para construir uma boa campanha no Campeonato Paulista e lutar pelo acesso na Série B do Campeonato Brasileiro. O objetivo é terminar à frente do rival, que é separado por apenas uma avenida em Campinas.

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