
No topo do pódio, Murilo se encontrou no esporte (Arquivo pessoal)
Subir no topo do pódio no Campeonato Brasileiro de Jiu-Jítsu no último 29 de abril, em Barueri, pela segunda vez na carreira, foi simbólico para o lutador de Campinas Murilo Parra. O título na competição organizada pela Confederação Brasileira (CBJJ) veio oito meses depois de uma cirurgia no joelho direito e confirmou uma sequência dentro da modalidade que estava ameaçada. Com 52 anos e uma prática que se iniciou em 2023, Murilo apenas começa a escrever sua história no universo da luta e acredita que ainda há muitos capítulos a serem vivenciados e celebrados.
O lutador conta que atravessava a sua melhor forma quando se lesionou gravemente no joelho esquerdo durante um treino em setembro do ano passado. O diagnóstico apontou fratura no planalto tibial e necessidade de cirurgia. “Quebrar o joelho aos 50 anos não foi uma tarefa fácil de resolver”, lembra ele, que tinha planos dentro do jiu-jítsu. “Na minha cabeça eu só pensava em me recuperar o mais rápido possível e que aquela lesão não iria me parar. Eu sabia que se desistisse, eu nunca mais voltaria.”
Após a cirurgia, o processo de recuperação foi desafiador. Foram quatro meses sem andar, 10kg perdidos e a necessidade de desempenhar muitas atividades com um pé só. A volta aos treinos foi em janeiro. “Me dediquei bastante desde o primeiro dia após a cirurgia, pois a minha meta era estar no Brasileiro”, lembra. No fim, o esforço foi recompensado com a medalha de ouro na categoria Máster 5, entre 51 e 55 anos, na faixa azul, o segundo nível de graduação no jiu-jítsu.
“NUNCA GOSTEI DE LUTA”
Murilo conheceu a modalidade por causa de sua filha caçula. O interesse da adolescente em se desenvolver numa arte marcial levou o pai a colocá-la nas aulas do CT Valhalla Fight Center, no Parque Taquaral. “Decidi fazer companhia para ela nos treinos. No fim, ela acabou desistindo e eu continuei”, conta.
Sedentário por décadas e ciclista por 6 anos após os 40, Murilo se encontrou no jiu-jítsu, o que significou uma surpresa até mesmo para ele. “Eu nunca gostei de luta, ainda mais essas em que dois homens ficam se agarrando, como diz minha esposa. Mas aqui estou”, relata, entre risos. “Acho que me atrai a questão da disciplina, hierarquia e dedicação. Tudo isso sempre me moveu.”
Bastou um ano de prática para que o primeiro título a nível nacional fosse conquistado. Em 2024, ele foi campeão brasileiro na mesma categoria que ganhou no mês passado, mas na faixa branca. Em 2025, Murilo voltou a disputar o Brasileiro e parou logo na primeira luta. Agora, mais experiente e com motivação extra, repetiu o feito de dois anos atrás, acrescentando um sabor especial, que o motiva a buscar degraus maiores.
“Este ano tem o Mundial de Máster em Las Vegas, em setembro. Estou pensando em participar, vamos ver”, diz o lutador, que projeta a sua primeira competição internacional. “Já são 6 inscritos, tenho o nome deles, mas não conheço nenhum”, afirma. “O objetivo é chegar lá preparado e fazer o melhor que sei. Acho que o nosso jiu-jítsu é diferenciado. A Valhalla é conhecida pelos atletas e pelo treino duro”, afirma ao fazer referência ao CT onde treina.
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