Felipe Mills e João Lima, ambos de 15 anos, conquistaram o bronze no Torneio Ranking Paulista de sabre e no JEESP de espada
(Divulgação)
No universo do esporte, tornar-se um ídolo do futebol habita o imaginário de uma infinidade de jovens. Mas há exceções. Ter como preferência manusear uma espada a chutar uma bola, por exemplo, fez parte do desenvolvimento lúdico de dois adolescentes de Campinas que agora começam a transformar a brincadeira em coisa séria. Encaminhados naturalmente para a esgrima, Felipe Mills e João Lima, ambos com 15 anos, celebraram no fim de semana retrasado suas primeiras conquistas em competições oficiais.
Em disputas estaduais realizadas no Esporte Clube Pinheiros de São Paulo, os dois subiram ao pódio. Felipe foi bronze no Torneio Ranking Paulista de sabre e João alcançou a mesma medalha nos Jogos Escolares do Estado de São Paulo (JEESP) na espada. “O João, inclusive, com esse resultado, garantiu classificação para os Jogos da Juventude, que acontecerão em Foz do Iguaçu entre outubro e novembro”, celebrou Maicon Servilio Pereira, treinador da Academia Mestre Pereira, de Campinas, onde os jovens treinam e que representam nas competições.
Maicon resumiu a importância do resultado. “Reconheço o esforço imenso que foi confiar em si mesmos, se organizar para ir, controlar a ansiedade e conseguir aplicar o que passo: ‘a vontade de tocar tem que ser maior que o medo de ser tocado’. Toda conquista é enorme. Vejo toda a dedicação deles. No caso do Felipe e do João, eu diria que venceu a resiliência”, comentou.
Para os familiares, o fato de os garotos terem conseguido superar atletas mais experientes indica que eles estão no caminho certo. “O João tinha uma expectativa leve. Muita vontadtambém de medalhar, mas sabia que ‘os caras’ eram bons”, comenta a mãe, Maria Orlete Lima. Carolina, mãe de Felipe, seguiu na mesma linha. “Existia uma esperança, mas sabemos que a maioria dos atletas que estavam competindo são de alto nível, participando de competições nacionais e internacionais também. Então, foi uma grata surpresa, principalmente para o Felipe, ver a recompensa pelo seu esforço.”
Orlete lembra como foi o início de João na esgrima. “Ele gosta muito de cultura japonesa e estava interessado em algum esporte que envolvesse espada”, conta. A prática começou há dois anos e, em 2025, o jovem ainda teve que diminuir o ritmo de treinos em razão de compromissos na escola.
Já Felipe iniciou no esporte aos 9 anos. “Achávamos importante colocá-lo em algum esporte e ele queria esgrima”, conta a mãe. “Por meio de uma amiga, conhecemos o projeto ‘Esgrima para Todos’ do Mestre Pereira. Na época, ele (Maicon) dava aula em uma academia em Barão Geraldo, aos sábados”, lembra.
Felipe reconhece que no começo era mais uma brincadeira, mas agora o patamar é outro. “Minha primeira meta era conquistar uma medalha no Paulista e realizei esse sonho”, celebra. “Agora, quero chegar no campeonato brasileiro e depois medalhar nesta competição.”
Para o jovem, a importância da modalidade vai além do universo competitivo. “A esgrima é um esporte único, pouco praticado e que pode trazer um desenvolvimento pessoal importante, além de benefícios para a vida”, explica ele, que iniciou sua trajetória em competições no final de 2024. “Levei um ano e meio para compreender que a verdadeira vitória não se resume apenas à medalha, mas sim ao esforço empenhado para atingir o resultado almejado.”