Pugilista de Campinas ainda alimenta o sonho de disputar sua primeira Olimpíada nos Jogos de Los Angeles, em 2028
Flávia Figueiredo (a segunda da esquerda para a direita) celebra ao lado das concorrentes (Divulgação)
A pugilista de Campinas, Flávia Figueiredo, foi um dos destaques do Campeonato Brasileiro de Boxe Elite (Masculino e Feminino), que aconteceu em Foz do Iguaçu-PR, entre os dias 29 de abril e 3 de maio. Ela conquistou a medalha de ouro na categoria 75kg e alcançou o seu sétimo título nacional na carreira.
Na final, Flávia superou a baiana Bárbara “Bynha” Santos, medalhista de prata na Copa do Mundo de Boxe e representante do Brasil na Olimpíada de Paris. A vitória foi por pontos (4x1).
Para chegar à decisão, a campineira precisou passar por três adversárias: Maria Clara Carvalho, de Minas Gerais, vencida por nocaute técnico no primeiro round, Aline Santos, de São Paulo (5x0) e Suelen Souza, de Pernambuco (nocaute técnico no segundo round).
As disputas aconteceram nas dependências do Rafain Palace Hotel e foram precedidas pela etapa da World Boxing Cup na mesma cidade.
Para Flávia, o heptacampeonato brasileiro renova a esperança do sonho olímpico. “Ainda tenho planos de retornar à seleção e disputar a Olimpíada. A medalha representa o caminho sendo trilhado com fortaleza e foco”, comenta.
Depois de bater na trave duas vezes, ficando muito próxima de participar da Rio 2016 e em 2021, em Tóquio, a campineira, de 35 anos, não joga a toalha quando o assunto são os Jogos de Los Angeles. “Em 2028, terei 39 anos e será minha última chance de estar numa Olimpíada”, lembra.
Essa corrida contra o tempo foi uma de suas principais motivações para a disputa do Brasileiro e o diferencial em relação ao ano passado, quando ela ficou com o vice-campeonato.
“Acho que com a proximidade da Olimpíada e a caminhada para o encerramento da minha carreira olímpica, a vontade de vencer transcende”, explica a medalhista pan-americana em 2019, multicampeã internacional e líder do ranking brasileiro de sua categoria.
Ausente da seleção brasileira desde 2022, Flávia trocou o Rio de Janeiro por Campinas recentemente, mas segue representando o estado fluminense nas competições. Nessa sua volta à cidade natal, que completará dois anos no final de 2026, ela destaca a preparação física na Lift Wellness Club e o trabalho do fisioterapeuta Guto Paniza como essenciais para a manutenção de sua performance.
Já no processo de treinos, a pugilista se divide entre o Clube Atlético Campinas (CAC) e a cidade que representa. “No Rio de Janeiro é onde tenho as maiores parcerias de treinamento e sou muito grata ao Instituto Todos na Luta”, explica, referindo-se ao CT onde desenvolve as atividades.
Depois de perder a decisão pelo ouro há um ano no Brasileiro, Flávia foi campeã dos Jogos Abertos do Interior e conseguiu a classificação para o torneio nacional deste ano ao conquistar o Estadual. A viagem para Foz foi possível graças ao Teatro Oficina do Estudante, que a patrocina. “Não tive muitas oportunidades de lutar. O calendário nacional é muito defasado”, lamenta.
Mesmo diante das dificuldades, o heptacampeonato brasileiro veio e, após a conquista, Flávia já retomou a rotina de treinos ainda sem projeções de lutas para a sequência de 2026. Para o ano de 2028, no entanto, um compromisso já está agendado. E pelo menos pela fé, por enquanto, será o mais importante de sua carreira.
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