Após mostrar performance em competições de alto nível, jovem kartista de Paulínia luta por patrocínio
João Alécio: no pódio. 5º lugar na Copa-SP Light de Kart 2023 (Diego Tartalho)
“Esse menino corre muito”. A observação foi feita por um piloto de Kart ao ver aquela criança de apenas 6 anos guiando um modelo elétrico numa pista indoor montada no Shopping Parque D. Pedro, em Campinas. E o diagnóstico rapidamente ecoou entre os especialistas que viam o garoto em ação. Até que um teste transformou de vez a brincadeira em coisa séria. Nascia em 2018, no kartódromo de San Marino, em Paulínia, uma promessa.
“Ele ficou alucinado”, disse o pai do menino ao descrever a reação do treinador logo após a primeira volta do filho em seu primeiro teste com um kart de competição. E o momento representou o início de uma transformação na família, cuja prioridade passou a ser investir na carreira do garoto João Alécio. Hoje, após quase cinco anos competindo, o jovem de 13 anos de Paulínia acumula feitos, mesmo duelando com pilotos profissionais e sobrevivendo na categoria com dificuldades em função dos altos custos exigidos. “Estamos batalhando por patrocínio. Nosso objetivo é trabalhar para a profissionalização do João”, diz o pai Ricardo Alécio.
A família não mede esforços, pois reconhece o talento de João, comprovado nas performances e nas avaliações de especialistas, que reforçam seu alto nível. Neste ano, logo em sua estreia na Copa São Paulo Light de Kart, o maior e mais disputado regional, na categoria F4 Júnior, João foi destaque na transmissão da FATv Live, canal especialista em esporte amotor.
“João Alécio, piloto de Paulínia, vem estreando na Copa São Paulo Light e é pé pesadíssimo”, cita o comentarista durante a transmissão da etapa. “Ele chegou a ter a volta mais rápida da prova e vem para figurar na ponta da Copa São Paulo Light. De olho no garoto”, completa o narrador.
Outro grande momento na ainda curta carreira de João foi durante a final do Campeonato Brasileiro da F4 Júnior em 2022, ocasião em que conseguiu ultrapassar 15 concorrentes depois de largar na penúltima colocação em função de um problema técnico no pré-grid. Competição referência do kart, o Brasileiro reúne vários competidores profissionais e muitos deles figuraram atrás de João na classificação final. “Ele ficou entre os 20 melhores nos dois Brasileiros que disputou, em 2020 e 2022”, conta o pai. O garoto também já foi campeão regional da categoria Cadete, em Paulínia, com cinco vitórias em nove etapas em 2019, e vicecampeão da Copa Itu pela F4 Júnior no ano passado.
João Alécio pódio campeão Cadete em 2019 (Divulgação)
PREPARAÇÃO
João leva a preparação a sério. Por meio de parcerias conquistadas pela família, ele faz aulas com especialistas nas áreas de educação física e psicologia. E quando não está nas pistas treinando, pratica a direção em um simulador montado em sua casa. “É um esporte fascinante e magnífico, que exige muita concentração e foco”, define João, acrescentando que o kartismo o ajudou bastante a melhorar seu desempenho escolar. “Hoje, consigo prestar mais atenção nas aulas”, diz o piloto, que sonha em ser piloto de Fórmula 1 ou mesmo de Stock Car.
O maior desafio da família está ligado à parte financeira. Piloto da equipe Fábio Veiga Kart Team, João conta hoje com o apoio da Mega Kart, o que garante o fornecimento de peças, mas os custos seguem elevados para a manutenção de um padrão necessário a quem almejam seguir no kartismo. “Para ele conseguir competir nos dois Campeonatos Brasileiros tivemos que, literalmente, passar o chapéu”, diz o pai, que contou com a ajuda de amigos para ver o filho disputando entre os melhores.
Ricardo Alécio afirma que os gastos, em média, são de R$ 4 mil por mês. “Fora os custos com inscrições, viagens e, às vezes, até hospedagem quando aparecem os campeonatos.” A necessidade de um patrocinador é urgente, diz o pai. “Para ele poder se desenvolver como piloto profissional, precisa estar competindo e isso exige patrocínio”, afirma.
Fã de Ayrton Senna, João segue treinando, competindo e sonhando. Pela sua cabeça nem passa a possibilidade de seguir um destino fora do automobilismo por uma razão simples: “A velocidade corre nas veias.”