Maré, de 66 anos, e os filhos estão a duas provas da realização do sonho
Maré e os filhos após a conclusão da Maratona de Chicago em outubro de 2024 (Divulgação)
O caminho para a conquista da Six Star Medal teve uma mudança de rota, ficou mais longo, mas segue com alvo definido. Alcançar, em família, o prêmio concedido a quem completa as seis maiores maratonas do mundo é um projeto que a atleta Marilisa Butori Lopes de Faria, a Maré, e seus três filhos estabeleceram a partir de 2022, com plano de conclusão até 2027. Imprevistos na caminhada, no entanto, acrescentaram mais um degrau ao trajeto, e a expectativa para o desfecho do desafio foi adiada para 2028. Os obstáculos não desanimam o quarteto de Campinas, que está a duas provas de completar a meta.
Depois de concluírem as maratonas de Nova York, Berlim, Chicago e Londres, a família tinha como alvo a participação em Boston, em 2026, e Tóquio, em 2027. No entanto, em razão de problemas envolvendo logística, apenas um dos filhos de Maré conseguiu correr neste ano na prova norte-americana, realizada em 20 de abril. Agora, a rota familiar ganhou um novo contorno. “Estamos querendo correr Tóquio em 2027 e fechar o ciclo em Boston em 2028”, detalha Maré, que já tem, junto dos filhos, inscrição para o evento japonês, previsto para 7 de março do próximo ano.
Quem poderá completar as seis maiores maratonas do mundo já em Tóquio, em 2027, é o médico ortopedista Gabriel Cervone, de 42 anos, filho mais velho de Maré. Com índice para correr em Boston, ele esteve entre os mais de 30 mil atletas presentes no evento. A participação da mãe e dos irmãos, Felipe, de 41 anos, e Júlia, de 35, ficou restrita à torcida, no Brasil, e com comemoração. Gabriel concluiu a distância de 42,73 km em 3h9min15seg, na 130ª posição.
A prova foi histórica: com o tempo de 2:01:52, o queniano John Korir venceu a edição e estabeleceu o novo recorde do percurso. A imagem de um corredor brasileiro ajudando um dos participantes em colapso nos metros finais também marcou a maratona. Robson Oliveira abriu mão de seu melhor tempo pessoal para amparar o exausto participante norte-americano.
EM FAMÍLIA
Mesmo que Gabriel feche o ciclo pessoal em Tóquio, Maré diz que fará questão de contar com a presença dele ao lado dela e dos irmãos em Boston, em 2028, quando a família pretende concluir um projeto carregado de simbolismo. “Em cada maratona que corro com meus filhos, é um sonho que se realiza”, diz Maré, de 66 anos e 18 maratonas no currículo, entre as quais a de Nova York, que concluiu oito vezes.
Há quatro anos, a atleta pela primeira vez percorreu o trajeto da prova nova-iorquina ao lado dos três filhos. A partir de então, a família projetou a conquista da Six Star Medal, que agora está mais perto. Enquanto aguarda o próximo passo, Maré supera outros desafios. “Tive uma lesão na lombar no começo do ano e fiquei mais de um mês sem correr, fazendo apenas musculação e fisioterapia. Agora já estou bem”, diz. No próximo domingo, Dia das Mães, a agenda prevê a participação na Meia Maratona de Montevidéu, cuja inscrição foi um presente que ela ganhou dos filhos. “Orgulho de ser inspiração para eles”, conclui Maré.
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