
A aplicação do estudo foi realizada com atletas da Orcampi (Divulgação)
Campinas assume o papel de protagonismo para o desenvolvimento de ciência do esporte na área de atletismo. A indicação do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) de um profissional da Unicamp para integrar reconhecido programa internacional deu origem a um projeto que potencializa a modalidade. A pesquisa pode otimizar desempenho, prevenir lesões e ampliar o tempo de carreira de atletas. O estudo foi desenvolvido pelo treinador da Orcampi e professor na Faculdade de Educação Física (FEF) da Unicamp, Evandro Lázari, em parceria com Randy Wilber, ex-fisiologista do multicampeão Michael Phelps, lenda da natação.
Lázari integrou o International Coaching Enrichment Certificate Program (ICECP) que, segundo a Unicamp, é um dos mais reconhecidos programas de formação em gestão e ciência do esporte no mundo. Trata-se de uma iniciativa da University of Delaware e Pennsylvania State University em conjunto com o Comitê Olímpico dos EUA (USOPC). De acordo com o docente, o programa, que está em sua 16ª edição, envolveu representantes de diversas modalidades de aproximadamente 45 países, a maioria deles em desenvolvimento, como El Salvador, Guiana, Trinidad e Tobago, Fiji, Maldivas, Bangladesh, Namíbia e Bulgária. “São indicados um profissional por país que possa alavancar o esporte em seus territórios”, detalha Lázari, que participou do programa pela primeira vez.
O estudo de Lázari foi desenvolvido durante 9 meses, entre 2025 e 2026, e os resultados apresentados e aprovados em Lausanne, na Suíça, junto à Federação Internacional de Atletismo e do Comitê Olímpico Internacional (COI).
Para chegar no resultado final, o docente participou de uma imersão nas universidades norte-americanas, além de orientações on-line. “Fui orientado por Randy Wilber, que é professor na Universidade do Colorado Springs e fisiologista chefe do Comitê Olímpico Americano. Trabalhamos em um projeto piloto para desenvolvimento de ciência do atletismo brasileiro. A ideia foi montar um projeto escalonável para ser incorporado em esferas superiores, como confederações, federações e Comitê Olímpico. O objetivo é usar a ciência, diminuindo o ‘empirismo’ dentro do atletismo.”
A aplicação do estudo foi realizada com atletas da Orcampi, orientados por Lázari. “Realizamos avaliações em aparelhos avançados na FEF, como um scanner para determinar as quantidades de gordura, músculos e ossos do corpo. Também utilizamos a condução elétrica para verificar a quantidade de água corporal. Depois, realizamos na pista de atletismo do CEAR (Centro de Alto Rendimento) teste de velocidade, resistência de velocidade e saltos verticais. Com esses dados, iniciamos um tratamento estatístico para verificar as relações entre os testes. Foram encontrados resultados importantes para relacionar com desempenhos de potência muscular, recuperação e até prevenção de lesões”, detalhou o docente da Unicamp.
Para Lázari, o projeto carrega finalidades dentro de um contexto maior. Alavancar a criação de um departamento científico na Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) está entre as metas.
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