Adeptos do esporte participam das atividades na Lagoa do Taquaral (Divulgação)
Seu Shimizu chegou ao Brasil em junho de 1960. E de sua terra trouxe, entre vários costumes, a paixão por um esporte pouco conhecido no Brasil. Explicar, seu Shimizu não sabe, porém jogar é sua especialidade. Aos 89 anos, ele faz parte de um grupo que se reúne com frequência no Parque Taquaral, ao lado do ginásio, para praticar gateball.
Muitas pessoas talvez já tiveram a curiosidade despertada ao ver grupos de japoneses munidos de tacos em um campo com diversas bolas e pequenas traves. Esses são os elementos e o cenário do gateball, um esporte que, de acordo com relatos na internet, surgiu no Japão para crianças, mas que ganhou adeptos, principalmente entre as pessoas com idades mais avançadas. “Começou no inverno japonês, em Hokkaido, para prática entre os idosos”, diz Mario Seikiti Ito, um dos praticantes no Taquaral.
A exigência física moderada é uma das justificativas para que o gateball seja popular entre os idosos. Porém, Ito relata que o esporte exige raciocínio. O objetivo é acertar a bola com um taco e passá-la por três traves, cada uma com 22 centímetros de largura. Cada jogador ganha um ponto pela passagem da bola na trave, e dois quando acerta no pino central. A disputa acontece entre duas equipes, com cinco jogadores para cada lado.
No Brasil, a prática se difundiu no final dos anos de 1970. Em Campinas, grupos chegaram a se reunir no Clube Andorinha, no Chapadão, e na Associação Okinawa Kenjin, no Jardim Eulina. Hoje, a concentração é no Taquaral. “Estamos abertos para qualquer pessoa interessada no esporte, mas reconheço que há uma necessidade de divulgação maior”, afirma o jogador, acrescentando que hoje, no Brasil, a modalidade atrai cerca de 15 mil praticantes.
As competições de gateball mobilizam as comunidades japonesas do País. E Campinas já obteve bons resultados. Em 2013, a cidade recebeu um certificado da União dos Clubes de Gateball do Brasil em homenagem à segunda colocação alcançada no Campeonato Brasileiro.
FONTE DA JUVENTUDE
Já Yoshiaki Aratani se apaixonou pelo gateball há 28 anos e garante que o jogo é a fonte da juventude. Sendo praticante fiel, aos 88 anos, ele conta que sua maior preocupação é que o gosto não se perca com o passar do tempo e seja repassado para as novas gerações.
Garantindo que o esporte une o esforço físico moderado à necessidade de pensar estrategicamente, Yoshiaki explica que, ao invés de envelhecer, tem rejuvenescido graças ao gateball. “Se não fosse pelos treinos, eu já teria morrido há muito tempo ou ficado em um sofá assistindo televisão com a aposentadoria”, conta.
Por isso, ele relata que enquanto muitos idosos podem se sentir isolados em outros esportes, o jogo de origem japonesa é o espaço de inclusão. “Aqui todos os jogadores participam, independente da faixa etária, todos são os artistas principais”.