Publicado 10 de Outubro de 2021 - 10h23

Por Lucas Rossafa/ Correio Popular

Jogadores da Ponte Preta têm semana repleta de treinos visando o jogo do próximo sábado contra o Náutico

Ponte Press

Jogadores da Ponte Preta têm semana repleta de treinos visando o jogo do próximo sábado contra o Náutico

A já conhecida Lei do Silêncio voltou a ser colocada em prática pelos jogadores da Ponte Preta nas duas últimas rodadas pela Série B do Campeonato Brasileiro.

Após três semanas sem entrevistas coletivas entre o final de agosto e o início de setembro, os atletas não conversaram com a imprensa no intervalo e também depois do apito final nos empates com Vila Nova e Avaí.

Manter a boca fechada publicamente tem relação direta com as pendências salariais da diretoria com parte do elenco - tudo isso havia sido interrompido no Dérbi 201 contra o Guarani, há 20 dias, no Estádio Moisés Lucarelli.

O protesto é motivado pelo fato de o clube não ter cumprido a promessa, feita horas antes do clássico, pelo pagamento dos meses de direitos de imagem atrasados.

Os cartolas aguardavam o depósito de duas fontes distintas, mas foi atrasado por conta de entraves burocráticos com os documentos.

O presidente Sebastião Arcanjo também espera ser contemplado com o montante referente ao mecanismo de solidariedade da Fifa pela transferência do lateral-direito Emerson do Barcelona (ESP) ao Tottenham (ING), cujo lucro é pouco inferior a R$ 3 milhões.

Pelo mesmo motivo, a Ponte Preta vai se beneficiar pelas vendas do zagueiro Luan Peres (Olympique de Marselha), do meio-campista Claudinho (Zenit) e do atacante Rafael Ratão (Toulouse).

Segundo apuração da reportagem do Correio Popular, onze jogadores do atual elenco possuem dois meses de direitos vencidos - neste caso, estão incluídos os profissionais melhores remunerados, cuja divisão pode ser de 60% em CLT e 40% em imagem.

O salário registrado em carteira do mês de setembro venceu na última quinta-feira, 07 de outubro, no quinto dia útil, e foi pago nessa sexta-feira. Não há, por enquanto, nenhuma data definida oficialmente para todos os vencimentos ficarem 100% em dia no Estádio Moisés Lucarelli.

Acerto

A diretoria executiva da Ponte Preta conseguiu, em meio às dificuldades econômicas frequentes, reduzir em aproximadamente R$ 23 milhões a dívida tributária com o Governo Federal.

A importante vitória administrativa-financeira também permitiu Macaca dividir o valor restante - cerca de R$ 17 milhões - em 145 parcelas mensais para minimizar os impactos com fluxo de caixa.

A redução significa 57% do déficit total que a Alvinegra tinha vigente até então. O montante foi acumulado antes de 2015 em virtude do não recolhimento referentes a imposto de renda, PIS, contribuição previdência e também social.

"Trata-se de diversos tributos que já vinham se acumulando, em aberto, desde antes de 2015. Nós vimos a chance de conseguir uma boa negociação em prol da Ponte Preta", celebrou Décio Sirbone Júnior, diretor financeiro.

O primeiro passo adotado pela Ponte Preta foi centralizar toda dívida ativa para Procuradoria Geral da Fazenda e, a partir de então, negociou a redução.

Os advogados especializados em Direito Tributário, Cinthia Benvenuto e Thiago Decoló Bressan, integrantes da banca Innocenti Advogados, foram os responsáveis por conduzir as negociações a favor dos campineiros.

"Considerando a abertura de possibilidade de transação tributária direcionada ao setor de eventos, dentro do qual se enquadram os clubes de futebol, nos termos da Portaria ME nº 7.163/2021 e da Portaria PGFN nº 7.917/2021, a Ponte Preta formalizou a sua adesão ao referido programa a fim de regularizar a sua dívida tributária em aberto perante a PGFN, mediante a redução do montante devido e de forma parcelada", explica Bressan.

"Foi viabilizada a redução da dívida tributária em aberto em 57%, bem como o pagamento em 145 parcelas mensais", conclui Cinthia.

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Lucas Rossafa/ Correio Popular