Dérbi

Ponte Preta e Guarani protagonizam capítulo inédito na história do clássico campineiro

Pela primeira vez, o jogo com uma das maiores rivalidades do país será disputado na Série C do Campeonato Brasileiro, hoje, às 17h, no Moisés Lucarelli

Silvio Begatti
02/08/2025 às 12:47.
Atualizado em 02/08/2025 às 12:47
O técnico Alberto Valentim (à esquerda) comandará a Ponte Preta pelo segundo Dérbi consecutivo: em fevereiro deste ano, pelo Paulistão, ele saiu; Recém-chegado, Matheus Costa, que dirigia o Ypiranga-RS até semana passada, fará sua estreia no comando técnico do Guaranivitorioso (Marcos Ribolli / Raphael Silvestre\Guarani FC)

O técnico Alberto Valentim (à esquerda) comandará a Ponte Preta pelo segundo Dérbi consecutivo: em fevereiro deste ano, pelo Paulistão, ele saiu; Recém-chegado, Matheus Costa, que dirigia o Ypiranga-RS até semana passada, fará sua estreia no comando técnico do Guaranivitorioso (Marcos Ribolli / Raphael Silvestre\Guarani FC)

Rivais históricos, Ponte Preta e Guarani “escrevem” na tarde deste sábado, às 17h, um capítulo inédito no tradicional confronto de 113 anos. Pela primeira vez, o Dérbi será realizado pela Série C do Campeonato Brasileiro, o que não deixa de ser um episódio triste para a história do clássico. 

Times que já disputaram as principais competições do futebol nacional, com participações emblemáticas, hoje buscam retomar seus melhores momentos. O confronto, válido pela 15ª rodada da primeira fase, será realizado no estádio Moisés Lucarelli. Os canais Band, Sportnet e NSports anunciam a transmissão.

INÉDITO 

Ponte Preta e Guarani foram rebaixados da Série B em 2024 e iniciaram a temporada de 2025 com o principal objetivo de retornar de forma imediata à segunda divisão do futebol brasileiro. Atualmente, a Macaca está mais próxima da meta. Com uma campanha marcada pela regularidade, a Alvinegra se manteve dentro da zona de classificação desde as primeiras rodadas. Hoje, ocupa a vice-liderança, com 26 pontos, oito de vantagem para o CSA, a primeira equipe fora do G8. Apesar de alguns sustos, os comandados do técnico Alberto Valentim conseguiram até agora se impor em momentos-chave e evitar uma sequência que trouxesse grandes preocupações.

PROBLEMAS NO BRINCO 

O Guarani, por sua vez, atravessa uma situação mais complicada na competição, o que torna o Dérbi de número 210 decisivo para as pretensões do time, atual 12º colocado, com 16 pontos, a quatro do pelotão da frente e apenas dois de diferença para a temida zona de rebaixamento.

O Bugre, que chegou a ocupar a lanterna no início do campeonato, se recuperou, esteve próximo de entrar no G8 da Série C, mas voltou a patinar nas últimas rodadas. Hoje, estreia o seu terceiro técnico efetivo na competição. Substituto de Marcelo Fernandes, desligado após a derrota para o Náutico, na última rodada, no Brinco de Ouro, Matheus Costa tem o desafio de conduzir o Bugre à reação a apenas cinco rodadas do fim da primeira fase.

Maurício Souza foi o outro treinador do time nas primeiras rodadas do campeonato. Além disso, Marcelo Cordeiro atuou como interino na derrota para o Caxias, no Estádio Centenário, antes da chegada do agora ex-treinador Marcelo Fernandes.

NO MAJESTOSO 

O Dérbi 210 será o terceiro consecutivo no estádio Moisés Lucarelli. Os rivais já se enfrentaram, em fevereiro deste ano, e a Ponte Preta levou a melhor ao ganhar por 2 a 0 no duelo válido pela fase de classificação do Campeonato Paulista. 

TABU 

No confronto anterior, também no Majestoso, foi o Guarani que comemorou. Na reta final da Série B de 2024, a vitória por 1 a 0 derrubou um tabu de 15 anos sem triunfo do Alviverde na casa pontepretana. A última vitória do Bugre jogando no estádio rival havia sido em 2009, pela segunda divisão nacional. O gol da vitória foi marcado pelo atacante Caíque, no primeiro minuto de jogo, e o destaque bugrino na ocasião foi o goleiro Douglas Leite, hoje auxiliar técnico de Alberto Valentim na Ponte Preta.

CONTRASTE 

O encontro dos rivais na Série C do Campeonato Brasileiro representa um contraste na história dos clubes campineiros. Entre os vários recortes de períodos em que Ponte Preta e Guarani levaram orgulho aos seus torcedores, o final da década de 1970 e o início da de 1980 é significativo.

Na época, o Dérbi campineiro era atração nacional pelo número de craques que reunia em campo, entre os quais Oscar, Carlos, Dicá de um lado, e Careca, Zenon e Zé Carlos do outro, em uma lista que pode ser complementada por muitos outros nomes. Nos anos seguintes, entre os altos e baixos dos dois clubes, o Dérbi seguiu como um “campeonato à parte”, transformando o clima da cidade, mesmo nos piores momentos dos dois clubes. E uma rivalidade, que é passada e mantida por gerações, hoje, em uma terceira divisão nacional, se torna ainda mais essencial para o futebol campineiro seguir “respirando” em busca de dias melhores.

ESTREIA NA ARBITRAGEM 

Após polêmicas envolvendo o árbitro Raphael Cláus no último clássico entre as duas equipes, em fevereiro deste ano, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) escalou João Vitor Gobi, de 29 anos, vinculado à Federação Paulista de Futebol (FPF) para comandar o Dérbi. Será a primeira vez que o jovem árbitro vai apitar o clássico campineiro. A partida não vai contar com o auxílio do VAR, disponível apenas nos quadrangulares decisivos da competição. 

Neste ano, Gobi já atuou como árbitro principal em dois jogos da Série A do Campeonato Brasileiro, cinco da segunda divisão nacional e em outras três partidas válidas pela Copa do Brasil. Além disso, o estreante vai contar com o analista de campo Flávio Rodrigues Guerra, experiente no duelo. Em 2011, ele atuou como quarto-arbitro no clássico realizado no primeiro turno da Série B, que terminou com a vitória da Macaca por 2 a 0. O jogo foi marcado pela confusão no setor visitante do estádio Moisés Lucarelli. No ano seguinte, Guerra apitou o histórico clássico válido pela semifinal do Paulistão, que teve vitória do Guarani, por 3 a 1.

NAS ARQUIBANCADAS 

Pela vigésima vez, o clássico será realizado com torcida única. A determinação foi imposta pelo Ministério Público de São Paulo em 2018, após o retorno do Guarani à Série B do Campeonato Brasileiro e volta do Dérbi após cinco anos. A medida já havia sido aplicada nos clássicos envolvendo São Paulo, Corinthians, Palmeiras e Santos em 2016, após o registro de diversas confusões entre torcidas.

Em 2018, a medida foi estendida para os clubes campineiros. Além do Dérbi, Ponte Preta e Guarani não podem receber torcedores de Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos. Da mesma forma, bugrinos e pontepretanos não podem comparecer em duelos realizados na capital paulista.

FICHA TÉCNICA 

PONTE PRETA x GUARANI 

PONTE PRETA - Diogo Silva: Wanderson; Emerson Santos e Danrlei Santos (Kevyn); Maguinho,Lucas Cândido, Dudu, Elvis e Artur; Jonas Toro (Jean Dias) e Jeh. 

Técnico: Alberto Valentim 

GUARANI- Andrey; Cicinho, Raphael Rodrigues, Diogo Silva (Alan Santos) e Emerson Barbosa; Mateus Sarará (Kadi), Kelvi, Caio Mello e Diego Torres; Isaque (Kauã Jesus) (Mirandinha) e Bruno Santos. 

Técnico: Matheus Costa. 

Local: Estádio Moisés Lucarelli, em Campinas. 

Horário: 17h. 

Juiz: João Vitor Gobi-SP.

Vitória no Dérbi pode aliviar a tensão na Macaca

Vice-líder da Série C e realizando uma boa campanha na competição, a Ponte Preta teria tudo para viver uma semana tranquila antes do Dérbi 210. Não foi o que aconteceu. 

Com dificuldades financeiras em virtude do bloqueio de contas provocado por um Transferban emitido pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), a tensão prevaleceu no Majestoso. 

A estimativa é que a quantia bloqueada seja de, no minimo, R$ 3 milhões, o suficiente para quitar duas folhas de pagamento dos jogadores e da comissão técnica. 

O presidente Marco Antonio Eberlin saiu a frente para apagar o fogo. Teve uma primeira conversa com o elenco para pedir o máximo de atenção sobre o clássico. Além disso, ele aconselhou que os atletas evitassem qualquer tipo de provocação contra o Guarani. A conversa foi realizada na última terça-feira, em virtude do atraso de retorno da delegação após o jogo contra o Caxias. 

Na quinta-feira, um áudio de autoridade desconhecida dizia que o clube devia quatro meses de salários aos jogadores, o que foi negado pelo dirigente. Segundo ele, existe um mês de atraso com os atletas e de 60 dias para os membros da comissão técnica. A estimativa é resolver o problema até a próxima semana. Por outro lado, a diretoria anunciou uma premiação extra aos jogadores em um valor que pode chegar a R$ 7 mil. 

No gramado, o técnico Alberto Valentim sabe que poderá contar com o goleiro Diogo Silva, que retornará após cumprir suspensão. A dúvida está no esquema tático. Ele pode escalar três zagueiros ou jogar com três atacantes. No treinamento realizado ontem no CT do Jardim Eulina, o atacante Jonas Toró atuou boa parte do tempo como titular, mas foi substituido nos minutos finais por Jean Dias. A definição só ocorrerá no vestiário.

Ryuta deve ser a novidade entre os relacionados do Bugre

O japonês Ryuta Takahashi deve ser a novidade entre os reservas do Guarani para o Dérbi 210, que acontece neste sábado, às 17h, no estádio Moisés Lucarelli. 

O jovem de 20 anos compôs o grupo em Sorocaba, onde o Bugre se preparou para o clássico nesta semana. Destaque na Copa Paulista, torneio paralelo que o clube disputa à Série C, o meia ainda não esteve entre os relacionados para uma partida da equipe principal. 

Com arrancadas, dribles e bons passes, Takahashi fez bons jogos na Copa Paulista. Ele tem 1,56m de altura e se impõe pela mobilidade. A possibilidade de o jogador ficar entre os reservas do Guarani no Dérbi existe pelo fato da baixa produção demonstrada até agora pelos atletas da mesma posição. Por outro lado, há a expectativa de que o titular Diego Torres ainda justifique a condição de principal contratação para o campeonato. Já na zaga, Alan Santos, com dores musculares, segue como dúvida. 

ESTREIA 

A partida marcará a estreia do técnico Matheus Costa, que teve apenas três dias em Sorocaba para passar seus conceitos ao elenco. O trabalho, por outro lado, se concentrou dentro de uma medida de urgência para vencer o Dérbi. O triunfo é fundamental para o time buscar uma arrancada pela classificação. Uma derrota ou até mesmo o empate complica a briga para entrar no G8 e pode ainda recolocar o clube na luta contra o rebaixamento.

PREPARAÇÃO 

A delegação retornou ontem de Sorocaba e o último treino antes do Dérbi foi realizado no Brinco de Ouro, com portões abertos. Assim, os jogadores puderam sentir o calor dos bugrinos antes de seguirem ao Majestoso para a disputa de mais um clássico com torcida única.

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