NA BRONCA

Ponte contesta arbitragem por pênalti não marcado

Jogada polêmica aconteceu no último minuto do duelo contra o Botafogo, após Daniel Baianinho ser derrubado por um zagueiro na grande área

Elias Aredes
03/06/2026 às 16:45.
Atualizado em 03/06/2026 às 16:45
O exato instante em que Daniel Baianinho é derrubado por zagueiro do Botafogo-SP: árbitra Edina Alves não revisou o lance no VAR (Igor Henrique/PonTV)

O exato instante em que Daniel Baianinho é derrubado por zagueiro do Botafogo-SP: árbitra Edina Alves não revisou o lance no VAR (Igor Henrique/PonTV)

Vice-lanterna da Série B com apenas oito pontos ganhos, a Ponte Preta elegeu a equipe de arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) como uma das causas principais de sua campanha decepcionante no torneio. Após o empate sem gols diante do Botafogo-SP, os jogadores não hesitaram em enumerar diversos confrontos nos quais a Macaca acabou prejudicada, sem que houvesse qualquer mudança de rota por parte da entidade máxima do futebol nacional. 

“Eu não sei o que está acontecendo. Nós trabalhamos aqui. Se há problemas de bastidores da CBF com a Ponte Preta, eles que se resolvam, a gente não pode pagar o pato”, desabafou o armador Elvis, em entrevista à ESPN. O camisa 10 recordou outros lances polêmicos ocorridos na competição que poderiam mudar o destino do elenco no campeonato. “No jogo contra o Ceará, se não me engano, a bola bateu na mão do nosso jogador e eles deram falta. Uma interpretação bacana. No mesmo lance, em outro jogo contra a gente, a interpretação foi diferente. Então, qual é o critério utilizado? É um critério para alguns e outro para nós?”, questionou. 

O volante André Lima utilizou um tom ainda mais contundente para reclamar do que ocorreu nos gramados durante a segunda divisão nacional. “É inadmissível o que está acontecendo aqui em todos os jogos. Já teve pênalti em cima de mim, teve gol que o VAR tirou, teve pênalti que não foi e o VAR deu”, reclamou o meio-campista da Macaca. O jogador ficou ainda mais sobrecarregado no setor após a expulsão de Diego Tavares na etapa inicial, punido por uma cotovelada em Patrick Brey. “A CBF pode me banir e fazer o que quiser. Não podem vir aqui e assaltar a Ponte Preta. Não podem! Não é a primeira, nem a terceira, nem é a quarta ou quinta vez que acontece. A Ponte Preta é gigante e não merece passar por isso”, disparou André. 

A reclamação principal dos atletas pontepretanos em relação ao trabalho da árbitra Edina Alves Batista diz respeito a uma penalidade cometida sobre Daniel Baianinho, lance que não recebeu sequer análise na cabine do vídeo. “Pelo menos olhe o VAR. Em casa ou fora de casa a gente é assaltado. Eu só falei para ela: ‘Vai olhar, pelo amor de Deus’. Eu quase me machuquei no lance”, lamentou Baianinho. 

Um pouco mais contido, o centroavante William Pottker buscou argumentos para compreender a situação, mas manteve as críticas ao apito. “No jogo do Vila Nova, o cara levantou a bola com a mão e não foi marcado. Nem teve VAR. Agora, novamente aqui, um lance claro de, no mínimo, ir ver o VAR. Tem que ter pessoas com autoridade lá para ir reclamar”, cobrou o atacante, que preferiu enaltecer a dedicação dos companheiros. “É seguir a caminhada. A gente sabe que é difícil. Precisamos vencer mais rápido possível para que a gente possa tirar a Ponte Preta dessa situação”, completou. 

Designado como técnico interino, Edson Boaro também mostrou forte inconformismo com a decisão da juíza. “Ela poderia ir, ver o lance e decidir que não foi pênalti. Mas por que não ir? O VAR veio para que o prejuízo no futebol fosse menor, mas a gente continua com injustiças. Ela deveria ao menos olhar o lance mais uma vez e não fez. Isso eu não aceito”, criticou o treinador. 

Após sofrer derrotas para São Bernardo, Sport, Londrina e CRB, além de registrar um portfólio incômodo de 14 gols sofridos no torneio, Boaro comandou uma equipe que enfim terminou uma partida sem ser vazada. Ainda não há qualquer definição sobre o futuro da comissão técnica. 

“Não conversei sobre permanência com a diretoria. Fui chamado para uma emergência neste jogo. Não pensei no meu futuro em nenhum momento. Meu foco foi 100% voltado para o jogo contra o Botafogo, mas agora isso está nas mãos da diretoria”, esclareceu Edson Boaro. O nome do interino ganhou força para uma eventual efetivação após as recusas de Umberto Louzer e de Claudinei Oliveira para assumir o cargo. Outra opção avaliada, Márcio Zanardi exige garantias financeiras para fechar negócio. A exigência trava a negociação com a diretoria da Macaca que, segundo relatos dos próprios jogadores, não realizou o pagamento de nenhum salário ao elenco na temporada de 2026. 

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