FINANÇAS

Ponte busca time de baixo custo para amenizar crise

Com foco na recuperação financeira, clube procura atletas bons e baratos

Júlio Nascimento
03/01/2023 às 10:35.
Atualizado em 03/01/2023 às 10:35
O presidente do Conselho, Tagino Alves, e Eberlin: finanças em foco (Diego Almeida/Pontepress)

O presidente do Conselho, Tagino Alves, e Eberlin: finanças em foco (Diego Almeida/Pontepress)

Em crise financeira, a Ponte Preta trabalha pela reconstrução. E para atingir os objetivos em 2023, a diretoria adota estratégia para montagem de um elenco competitivo e barato. Na busca por reforços, o clube recorre ao mercado alternativo e negociações de baixo custo. 

A contratação do atacante Jeferson, de 23 anos, artilheiro da Itapirense na Segundona Paulista, é um exemplo da filosofia adotada pela diretoria. O jogador marcou 12 gols em 17 jogos no ano passado e foi indicado ao departamento de futebol da Macaca. Jeh, como é conhecido, ficou um mês em observação pela comissão técnica antes de ser anunciado como reforço.

“Essa é uma oportunidade única na minha vida. Fui muito bem recebido por todos aqui na Ponte e vou fazer de tudo para retribuir com gols e muito empenho dentro de campo. Muitos pensam que sou lento por conta da minha estatura, mas tenho mobilidade e sei sair bem da marcação”, afirmou o atacante de 1,83m.

O cartão de visita apresentado pela nova opção de Hélio dos Anjos empolgou. Jeferson foi o destaque no jogo-treino contra seu ex-clube, na última quinta-feira, em Águas de Lindóia. Além do atacante, também marcaram na vitória por 4 a 0 contra a Itapirense os jogadores Matheus Jesus, Dudu Hatamoto e Pablo Dyego. Todos jogadores são recém-contratados. 

Os custos de uma operação como a de Jeh, em busca de sua primeira grande experiência no mercado nacional, não impactam na saúde financeira do clube e ainda geram uma perspectiva de retorno técnico. O mesmo modelo de negociação foi aplicado em todas as contratações da Macaca até o momento.

Envolvido em polêmicas extracampo após o acesso na Série C, Dudu Hatamoto também se tornou uma contratação mais acessível. Antes de ser indiciado em um caso de importunação sexual e estupro contra uma mulher em um hotel no Rio de Janeiro, em setembro, o atacante do Botafogo de Ribeirão Preto estava no radar de clubes como São Paulo e Palmeiras. 

Guilherme Pira, ex-Manaus e Inter de Limeira, e Pablo Dyego, ex-Avaí, completam a lista das contratações de baixo custo, mas com potencial de retorno. 

Manutenções e saídas

Os laterais Júnior Tavares e Maílton não estão valorizados como em outras temporadas, mas a diretoria confia que a dupla carrega o status de titularidade à nível de competição da Série A2 do Campeonato Paulista. O que facilitou a chegada de Maílton, inclusive, foi o empréstimo acertado com o Metal Kharkiv, barateando a operação. A diretoria bancou ainda a manutenção de nomes como Caíque França, Artur, Léo Naldi, Felipe Amaral, Élvis e Everton. 

Já no caso do volante Wallisson, a Ponte Preta confiava em uma negociação de venda que ajudaria nas contas, mas uma liminar da Justiça do Trabalho fez com que ele saísse para o Cruzeiro sem retorno para a Macaca. 

Conselho e dívidas

O Conselho Deliberativo vai se reunir no dia 11, às 18h30, no Moisés Lucarelli, para traçar estratégias em busca da estabilidade financeira. Uma das propostas que será debatida e votada é a recuperação judicial.

A Macaca tem uma dívida de aproximadamente R$ 250 milhões e ainda enfrenta novas ações trabalhistas que vem resultando em penhoras e bloqueios de contas.

Em 2022 foram mais de R$ 8 milhões bloqueados, dificultando o pagamento dos salários de funcionários, atletas e colaboradores. A recuperação judicial tem o propósito de discutir e negociar com credores, apresentando um plano para pagamento das dívidas sem novos bloqueios em 2023.

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