Críticas à gestão, grave crise financeira e defesa das categorias de base marcam o debate sobre a reconstrução do clube
Revelado pelo clube, Adrianinho acredita que a valorização das categorias pode auxiliar na reconstrução do clube após o rebaixamento à Série A2 (Ponte Preta)
Rebaixada com uma rodada de antecedência para a Série A2 do Campeonato Paulista, o restante da temporada na Ponte Preta é um ponto de interrogação. Torcedores nutrem dúvidas sobre a capacidade da equipe em suportar os desafios da Copa do Brasil e da Série B do Campeonato Brasileiro, cuja estreia será contra o Athletic, entre os dias 21 e 23 de março, na casa do adversário. Para que o time não passe sufoco nas competições de âmbito nacional, personagens do mundo da bola não se acanham em formular sugestões.
Zagueiro com participação em Copa do Mundo e revelado pela Macaca na década de 1970, Alcides Fonseca Júnior, o Juninho, acredita que um caminho interessante seria que todos os dirigentes se alinhassem em uma única proposta de reformulação. Nomear um dirigente específico para as categorias de base e uma pessoa para conter os conflitos políticos seriam saídas salutares em sua visão. “É preciso ter uma comissão técnica alinhada. Se bem que essa comissão técnica é escolhida pelos dirigentes. Por isso, tudo começa com os dirigentes”, disse Juninho, hoje comentarista esportivo em Ribeirão Preto. Na atual estrutura pontepretana, o vice-presidente Marco Antonio Eberlin é responsável pelas categorias de base.
Com o alinhamento definido, o ex-zagueiro pontepretano acredita que os jogadores a serem contratados devem estar adequados ao perfil da Série B. “São oito estados representados. É algo grande. Quem pensa que a Série B é coisa fácil, está enganado”, avisou. “Não vai entrar de alegre na Série B que vai para o outro rebaixamento no século”, arrematou.
Revelado pela Macaca e vicecampeão na Série B de 2014, o exjogador Adriano Laaber, o Adrianinho, tem 258 jogos com a camisa alvinegra e acredita que a aposta nas características históricas do clube pode ser um caminho para a reconstrução. “Em muitos anos que passei na Ponte, uma boa parte do elenco profissional vinha das categorias de base. Os meninos eram bem formados e davam conta do recado. Eu acredito que a Ponte Preta tem que continuar seguindo as suas raízes”, disse Adrianinho, que na campanha de acesso de 2014 dividiu a titularidade da armação com Renato Cajá.
Autor do gol que assegurou o acesso pontepretano na Série B de 1997, Claudio Alexandre de Oliveira, o Claudinho, acredita que o melhor caminho é focar na melhoria da gestão dos recursos recebidos. “O futebol evoluiu e está caro. Todos observam o quanto é difícil manter os clubes. A gente viu que o futebol brasileiro está inflacionado e os empresários tomaram conta do futebol”, disse o ex-jogador. “Quando o clube está bem ajustado, com as contas em dia, os atletas ficam satisfeitos. A Ponte tem um patrimônio maravilhoso, que é a torcida, e é um clube grande”, completou.
Executivo de futebol com serviços prestados na Ponte Preta entre os anos de 2012 e 2013, Ocimar Bolicenho encaminha seu diagnóstico com o foco de que será necessária uma mudança de rumo para o clube entrar nos eixos. “O que aconteceu com a Ponte é um espelho do que acontece com tantos outros clubes. A torcida, que não conhece os bastidores da administração, começa a influenciar decisões estratégicas. Um dirigente populista, muitas vezes oriundo da própria torcida organizada, se apresenta como salvador da pátria, e as decisões passam a ser tomadas mais pela paixão do que pela razão”, disse o executivo.
De acordo com Bolicenho, não se pode esquecer que, por muitos anos, a Macaca foi dependente dos recursos de Sérgio Carnielli para pagar suas contas e que existia um aspecto positivo nesse cenário. “Desse modo, sempre sobreviveu, até o dirigente também ‘cansar’ de tanta cobrança que vinha das arquibancadas”, disse, sem deixar de mostrar uma faceta nada agradável do esporte de alto rendimento. “Futebol hoje em dia é muito caro e precisa ser muito bem administrado por profissionais do ramo. A Bilheteria nunca foi o forte da Ponte, logo, as receitas precisam vir de outras fontes. Credibilidade e transparência serão muito mais necessárias do que antes”, afirmou.
Mesmo a implantação de uma possível SAF, segundo ele, gera consequências que vão necessitar de compreensão por parte das arquibancadas. “Ou se recupera isso ou parte para a SAF, que irá administrar o clube priorizando o orçamento e controlando as despesas. Isso funciona a médio e longo prazo. E aí vem a pergunta: a torcida da Ponte terá paciência para esperar?”, indagou o dirigente.
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