Em sua trajetória, clube marcou presença no futebol brasileiro, superando os maiores do país. Fundado por três estudantes interessados apenas em se divertir jogando futebol, o Guarani Futebol Clube completa 110 anos comemorando uma trajetória marcada por muitas glórias, todas inimagináveis para os jovens pioneiros
O estádio Brinco de Ouro, sucessor do “Pastinho”, que situou-se em área próxima à Chapéus Cury: palco de grandes jornadas, de decisões, passarela de craques de projeção nacional, e de conquistas de títulos (Celso Congilio/Guarani Press)
Os 110 anos do Guarani: grandes craques, glórias e título inédito
Único campeão brasileiro em todo o interior do país, o Guarani Futebol Clube celebra, com grande júbilo, seus 110 anos de fundação neste mês de abril.
Um marco na vida de um clube que, desde os primórdios, lutou e brilhou, colocando-se ao lado e, muitas vezes, acima do nível das melhores agremiações de futebol do Brasil.
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Nesse caminhar em busca de um lugar ao sol, o Guarani viveu momentos de glórias e encantou sua torcida - uma das maiores do Estado - com feitos e conquistas inéditas para um clube considerado pequeno.
Além do título de 1978, quando superou barreiras e fez o Brasil curvar-se a seus pés, o Bugre obteve outro título nacional, ao sagrar-se campeão da Taça de Prata, em 1981, disputando por 48 equipes.
Da reunião de jovens no Jardim Carlos Gomes, em 1911 - liderados por Pompeo de Vitto e Vicente Matallo -, para a sua fundação, aos dias de hoje, do romântico estádio do “Pastinho” ao belo e monumental Brinco de Ouro, o Guarani escreve páginas inesquecíveis na história do futebol com outras conquistas retumbantes.
Em 1949, com uma de suas melhores formações, o clube ingressou na divisão de elite do Campeonato Paulista, sagrando-se campeão da segunda divisão, em jornada memorável. Um ano após a Taça de Prata, em 1982, classificou-se em terceiro lugar na série A do Campeonato Brasileiro, e marchava para novas conquistas. Em 1986, foi vice-campeão brasileiro, em disputa emocionante contra o São Paulo, no Brinco de Ouro, partida decidida nos pênaltis, Dois anos depois, em 1988, o primeiro vice-campeonato paulista, em decisão contra o Corinthians.
E novas emoções estavam reservadas à torcida bugrina: em 1994, com a força de Amoroso e Luizão, o Guarani cumpriu excelente jornada e, mais uma vez, o clube chegou ao terceiro lugar do Campeonato Brasileiro.
Contudo, após um período glorioso, o Guarani sofreu com a crise que se abateu sobre o futebol brasileiro, atingindo a maioria dos clubes. Uma série de rebaixamentos e de acessos nas competições paulista e nacional, fez declinar sua força e chama, mas sem nunca apagar suas tradições nem arrefecer o ardor de sua grandiosa torcida. O Guarani, mesmo na série B do Brasileiro, é sempre uma equipe competitiva, ombreando-se às melhores. No campeonato Paulista, vem cumprindo boas campanhas.Sua torcida não desiste e segue o refrão do Hino do Guarani: “Na vitória ou na derrota, hoje e sempre Guarani!”.
Fundação
O Guarani começou a ser gestado em fins de março de 1911, em meio à febre de futebol que tomava conta do Brasil desde o início do século passado. A cidade já contava com um time, a Associação Atlética Ponte Preta.
Sentados na grama da Praça Carlos Gomes, três estudantes idealizaram a formação de um time. Reunindo outros amigos, Pompeo de Vitto, Vicente Matallo e Hernani Matallo materializaram um sonho
Em 1° de abril, firmaram a ata de fundação, decidindo por homenagear o compositor campineiro Antônio Carlos Gomes com o título de sua obra. Surgia, assim, o Guarany Foot-Ball Club.
Porém, por conta do “Dia da Mentira”, a fundação foi anunciada no dia 2 de abril.
Clube histórico recebe a homenagem de jornal de tradição
O Guarani Futebol Clube não é apenas uma agremiação de futebol com conquistas acumuladas e um título inédito de campeão nacional. É muito mais. É a glória de uma cidade e um patrimônio inestimável na vitrine da história do futebol brasileiro. Por esta razão, o Correio Popular reservou este espaço no domingo de Páscoa para comemorar com sua imensa massa torcedora, sua diretoria e seus jogadores os 110 anos da fundação do clube.
Este espaço, nesta edição especial, havia sido, originalmente, reservado à galeria dos presidentes do clube, que será publicada em breve.
Decidimos, contudo, manifestar o apreço e o respeito ao Guarani por meio de um Editorial, redigido por mim, jornalista Luiz Roberto Saviani Rey, o diretor editorial do Grupo RAC/Correio Popular, visando a confluir nossos ardores bugrinos, uma vez que sou torcedor fanático, um ser que quase nasceu nas rústicas arquibancadas do “Pastinho”, em tarde de uma quarta-feira, em que nem havia jogo, mas apenas um treino tático para um jogo amistoso contra o Olaria, no Rio de Janeiro.
A família era assim, não perdia nem mesmo os aquecimentos semanais. Minha mãe, Dona Olinda Saviani Rey, sentiu dores, a bolsa estourou, e lá fui eu, nascer na Casa de Saúde. Nasci bugrino, vivi bugrino e nunca deixei de acreditar que um dia seríamos grandes, e que os grandes brasileiros se dobrariam ante nosso elenco poderoso.
Sou autor do livro “Guarani em noite de Gala - 5 a 1 no Santos com baile dos meninos”, que retrata a vitória do Bugre por 5 a 1 contra o Santos Futebol Clube, bicampeão mundial, com Pelé & Companhia.
Em seus 110 anos, mesmo em condições de dificuldades, como a maioria dos clubes brasileiros, o Guarani merece seu espaço e a reverência da direção do Grupo RAC/Correio Popular, um jornal com tantas tradições como o Guarani.
Na atual etapa, o Correio ruma para celebrar seus 100 anos de existência renovado e produzindo um jornal e conteúdos para as redes sociais com foco total em Campinas e no interesse de nosso público.
Decidi, então, que traríamos esta surpresa à comunidade bugrina no domingo, que é o melhor dia para o jornal, com mais páginas, e o melhor para leituras. A Sexta-feira Santa é um dia de descanso e de reflexões. Salve o Guarani Futebol Clube!