Zagueiro alegou estar insatisfeito em razão dos atrasos salariais, enquanto lateral-direito deve ser desligado após discutir com Eberlin
David Braz em ação pela Ponte (Diogo Reis)
Às vésperas do jogo contra o CRB, amanhã, às 16h30, no estádio Rei Pelé, em Maceió-AL, o técnico Rodrigo Santana deve lidar com três baixas na equipe titular, que atualmente está na zona de rebaixamento com sete pontos. Os desfalques afetam todos os setores do elenco, que precisa buscar a reabilitação imediata após sofrer derrotas consecutivas para São Bernardo, Sport e Londrina.
O atacante William Pottker sentiu uma lesão muscular no treinamento realizado na manhã de ontem, no CT do Jardim Eulina, e dificilmente embarca na viagem para a capital alagoana. Outros dois jogadores deixarão o time de forma definitiva. Misto de volante, armador e lateral, Bryan Borges deve ser desligado do clube nos próximos dias. Na quinta-feira, os atletas requisitaram uma reunião com o vicepresidente e diretor de futebol, Marco Antonio Eberlin.
O objetivo foi pedir explicações para o não cumprimento do pagamento dos salários atrasados, programado originalmente para o dia 15. A diretoria alega que os recursos financeiros já foram levantados, mas entraves burocráticos impedem o acesso aos valores. De início, Bryan Borges se recusou a integrar a roda formada pelos profissionais para ouvir o dirigente. O atleta, então, de acordo com relatos apurados pela reportagem do Correio Popular, teria insultado o diretor e iniciado um forte bate-boca, que culminou com a decisão de Eberlin em excluir o lateral dos trabalhos do time profissional. A rescisão contratual deve ser anunciada oficialmente nos próximos dias.
Outro que não atua mais com a camisa da Ponte Preta é o zagueiro David Braz, que completou 39 anos anteontem. Em conversa com a reportagem do Correio Popular, o defensor afirmou que não há nenhum tipo de ressentimento com a diretoria ou com a instituição, mas admitiu que não existem condições de continuar devido aos atrasos salariais. Braz revelou que, quando recebeu o convite para atuar na Macaca, acreditava na melhoria das condições de trabalho devido à conquista da Série C do Campeonato Brasileiro, no ano passado. Segundo ele, uma experiência parecida foi vivida em sua passagem pelo Santos, em meados de 2014.
Na ocasião, o clube praiano vivia uma situação financeira delicada e o quadro foi superado quando a equipe sagrou-se campeã paulista em 2015. Com a taça levantada, o jogador testemunhou a venda de atletas, o recebimento de verbas e outros benefícios que deixaram o Peixe em melhor situação. “Na Ponte Preta, as coisas não aconteceram da mesma forma. Desde a minha chegada, eu só recebi os dias trabalhados em dezembro”, lamentou David Braz.
O zagueiro afirma que não há falta de interesse, dedicação ou raça por parte dos jogadores no cotidiano. Segundo ele, até para quem está no dia a dia de treinamentos, é difícil fazer um diagnóstico completo daquilo que ocorre dentro do gramado. “Se fizéssemos os gols nas chances que nós criamos ali, a história seria totalmente diferente. Nós tivemos mais oportunidades do que os adversários, mas a bola não entrou. Eu não sei dizer exatamente o que acontece, se é limitação técnica, por causa de tudo o que acontece nos bastidores ou se é porque não estamos focados”, avaliou o defensor. “Nós saímos dos jogos muito chateados, alguns jogadores choram, sentem vergonha ou se cobram demais. A cada partida temos uma discussão interna para melhorar e no meio da semana treinamos finalizações e a parte defensiva, mas os resultados positivos não aparecem”, lamentou David Braz.
O veterano reconheceu o esforço de Eberlin e dos demais integrantes da diretoria para conseguir os recursos necessários, mas reforça que não há como se esforçar mais para ajudar no atual contexto pontepretano. “Eu acredito no empenho dele para resolver os problemas, mas fica muito difícil trabalhar em um ambiente conturbado assim”, completou Braz, que pretende jogar por mais um ano antes de pendurar as chuteiras.
CHURRASCO OU JANTAR?
Para completar o cenário de crise, a diretoria negou de forma veemente que tenha promovido um farto churrasco, terça-feira, com integrantes do departamento de futebol. Segundo a entidade, o objetivo foi apenas realizar uma reunião de trabalho para alinhavar as metas após a derrota por 4 a 1 para o Londrina, na segunda-feira. Posteriormente, segundo o clube, um jantar foi oferecido para que ocorresse o prosseguimento da conversa. A cúpula alvinegra também negou que tenha ocorrido um pedido de demissão por parte do técnico Rodrigo Santana.
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