Cartão vermelho

Campinas lança campanha contra o racismo e preconceito nos estádios

Prefeitura de Campinas lança campanha com o objetivo de acabar com práticas criminosas dentro e fora dos estádios

Wendell Cora/Júlio Nascimento
18/05/2022 às 11:15.
Atualizado em 18/05/2022 às 16:26

Com a faixa "esporte sim, racismo não", o passo inicial do movimento foi marcado no Gabinete do Prefeito (Kamá Ribeiro)

Um cartão vermelho para o racismo e o preconceito. Foi com esse espírito que a Prefeitura de Campinas lançou, na tarde de terça-feira, 17, a campanha que tem o objetivo de acabar com as práticas de racismo que atualmente tem sido marcante nas partidas de futebol, dentro e fora dos estádios.

Com a faixa "esporte sim, racismo não", o passo inicial do movimento foi marcado pela assinatura de uma carta no Gabinete do Prefeito, em cerimônia.

"Nós tínhamos a intenção de fazer um evento relativamente pequeno com relação à assinatura da carta de apoio na luta contra o racismo no futebol. Supriu e muito as nossas expectativas. O que mais me surpreendeu foi a presença da imprensa, de lideranças religiosas e, claro, dos times da região. Essa é uma ação de toda a cidade de Campinas, que se mostra contrária às injúrias raciais. Esporte é competição, saúde, e não tem espaço para racistas", explica Dário Saad. 

Idealizado por Edna Almeida Lourenço, ativista do movimento negro e fundadora da Associação dos Religiosos da Matriz Africana de Campinas e Região (ARMAC), o documento conta com assinaturas importantes de ídolos campineiros como Luís Fabiano, Aranha, Ronaldo e Amoroso. 

"Há importância de se combater o racismo. Nós não podemos permitir que isso continue, seja no esporte ou qualquer outro lugar. Foi fantástico e saio com o sentimento de que avançamos bastante. Presidentes de clubes de futebol estiveram por aqui e transmitiram para nós mensagens antirracistas. Sensação também de evoluir na educação. O evento de hoje vai permitir que as crianças vejam que somos iguais, comenta. 

Pioneira no combate ao racismo no futebol brasileiro, a Ponte Preta foi representada pelo vice-presidente, Nenê Tognolo, no evento. A Macaca, inclusive, atua nas partidas da Série B com um emblema da luta antirracismo. Pelo Guarani, o presidente Ricardo Miguel Moisés marcou presença para reforçar o apoio do Bugre.

Ex-zagueiro da Seleção Brasileira, Ponte Preta e São Paulo, Ronaldão representou o grupo de ex-atletas que apoiam o movimento e embarcam na luta contra o racismo. 

"Eu vim participar da cobertura porque o esporte é um agregador, multiplicador de ideias. Precisamos fazer com que isso pare, pois as ofensas racistas estão crescendo sem parar dentro e fora de campo. Fé que vamos expandir os horizontes para cessar esse tipo de conduta lamentável", destacou.

Além da carta, a Prefeitura de Campinas irá desenvolver, em parceria com a Secretaria de Esportes e Lazer, ações sociais durante os eventos esportivos da cidade. Jogos do Pulo Futsal, do Vôlei Renata e do Basquete Vera Cruz serão utilizados para conscientização da luta antirracista. Faixas também serão estendidas em praças esportivas que receberão eventos em parceria com a Prefeitura.

Os casos de racismo têm sido marcantes no futebol em 2022. Na edição atual da Libertadores da América, cinco clubes brasileiros registraram injúria racial em diferentes partidas. Corinthians, Palmeiras, Flamengo, Red Bull Bragantino e Fortaleza denunciaram comportamento preconceituoso de torcedores estrangeiros. Diante disso, a Conmebol anunciou o aumento das multas impostas às equipes cujas torcidas cometerem atos de preconceito motivados por "cor de pele, raça, sexo ou orientação sexual, etnia, idioma, credo ou origem".

A punição mínima foi de US$ 30 mil para US$ 100 mil (R$ 513 mil na cotação atual). 

No último final de semana, em jogo do Campeonato Brasileiro, o volante Edenílson, atleta do Internacional, denunciou injúria racial durante a partida contra o Corinthians. O atleta alega que Rafael Ramos, da equipe paulista, proferiu palavras como "macaco" durante a partida em Porto Alegre. Ramos chegou a ser detido e foi liberado após pagamento de fiança. O caso está sendo investigado com ajuda de perícia especializada em leitura labial.

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