ERUDITO

Turandot encerra temporada lírica em São Paulo

Com direção de Heller-Lopes e Roberto Minczuk, ópera de Puccini se apresenta no Theatro Municipal

Agência Anhanguera de Notícias
13/11/2018 às 21:38.
Atualizado em 06/04/2022 às 00:26

A ópera Turandot, de Giacomo Puccini, uma das mais famosas e monumentais obras do repertório operístico italiano, encerra a temporada lírica 2018 do Theatro Municipal de São Paulo, com apresentações dias 16, 17, 19, 21, 22, 24 e 25 de novembro. A produção tem concepção e direção de André Heller-Lopes, um dos mais respeitados diretores cênicos brasileiros, e direção musical do regente titular da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, Roberto Minczuk. Conta ainda com a participação do Coro Lírico e Coral Paulistano, respectivamente com regência de Mário Zaccaro e da maestrina Naomi Munakata. No palco estarão em torno de 170 artistas, com destaque para a soprano dramática norte-americana Elizabeth Blancke-Biggs, que faz sua estreia em São Paulo como Turandot, se revezando com Annemarie Kremer, que retorna ao Municipal – anteriormente foi Salomé na produção homônima de 2014. “Neste ano, o Municipal teve uma temporada de óperas que valorizou títulos quase desconhecidos do público em geral e outros mais populares até mesmo para quem não costuma frequentar casas de ópera, como foi o caso de La Traviata, de Giuseppe Verdi, cujas famosas árias já serviram até de trilha sonora cinematográfica. Agora, com Turandot, esperamos ter uma reação semelhante da plateia, já que ela tem uma das árias mais famosas do repertório operístico mundial, Nessun dorma”, ressalta o secretário Municipal de Cultura de São Paulo, André Sturm. A ópera de três atos é ambientada na China, recriada sob olhar da commedia dell’arte italiana. A trama, com toques modernos, fala de uma princesa que evita se casar, impondo a seus pretendentes que resolvam três enigmas, sob o risco de perderem suas vidas (quem não consegue solucioná-los, tem sua cabeça cortada). Ao começar a ópera, quase 30 príncipes já morreram. Turandot vinga sua ancestral Lou-Ling que foi violentada e morta por um príncipe estrangeiro. Calaf, príncipe estrangeiro, encanta-se pela beleza de Turandot e aceita o desafio. A ópera traz ainda uma das mais doces heroínas de Puccini, a escrava Liù. Apaixonada em segredo por Calaf, ela sacrifica-se por amor, sem revelar o nome de seu amado. “Vejo duas pessoas profundamente marcadas pelo seu passado: um príncipe que perdeu tudo e não tem mais alegria de viver e que só voltou a sorrir ao ver a amada. E Turandot, uma mulher criada como uma princesa dividida entre seu desejo de vingança e seu medo do amor. É um duelo de forças cujo desfecho revela uma grande paixão entre os dois personagens”, diz Heller-Lopes. O diretor cita como uma de suas inspirações para o conceito do espetáculo uma carta do compositor Puccini para o libretista Renato Simoni, em 1920, informando que gostaria de fazer uma Turandot “pela mente moderna”. “É nesse contexto pós-freudiano que visualizo três mundos, três camadas que são chaves para entender a história: o da fantasia associada ao passado e ao trauma da ancestral morta, e representado pela tradição milenar da Ópera de Pequim (teatro chinês tradicional com música, performance vocal, mímica, dança e acrobacia), e pela fábula e império chinês; o contemporâneo, em que se discutem temas muito atuais como violência contra a mulher e minorias em geral, representado pelo público que testemunha a representação e, finalmente, pelo bastidor desse espetáculo, num limite entre realidade e ficção”, revela Heller. Turandot é a ópera inacabada de Puccini que estreou no Teatro alla Scala, em Milão, em 1926. Como Puccini morreu antes de terminar a obra, coube ao compositor e pianista italiano Franco Alfano a tarefa de finalizá-la. Nos anos 2000, o compositor italiano Luciano Berio escreveu um novo final para a obra. Para esta montagem, o diretor musical e regente da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, Roberto Minczuk, decidiu utilizar o final tradicional de Franco Alfano. “Para mim é um final perfeito, triunfante. A ópera termina para cima. É uma das características bacanas, que difere dos fins trágicos das outras óperas de Puccini, como a Tosca e La Bohème. Em Turandot, você chora de alegria com a força do espetáculo. Esse é o impacto que a ópera tem”, diz. O elenco Além das duas intérpretes de Turandot, o espetáculo conta com as participações do tenor canadense David Pomeroy, que faz sua estreia na América do Sul na interpretação de Calaf, papel que divide com o tenor brasileiro Eric Herrero. No papel de Liù se alternam as cantoras paulistas Gabriella Pace, soprano radicada na Europa que celebra 20 anos de sua estreia no Municipal, e Marly Montoni, jovem que está em sua terceira produção de ópera na casa. Timur será interpretado pelos consagrados baixos brasileiros Luiz-Ottavio Faria e Carlos Eduardo Marcos. Os três ministros da corte de Turandot, Ping, Pang e Pong, responsáveis pela cenas de humor, serão interpretados respectivamente pelo barítono Vinícius Atique e pelos tenores Geilson Santos e Giovanni Tristacci. Santos também se apresenta como o Príncipe da Pérsia e Tristacci como o Imperador. AGENDE-SE O quê: 'Turandot', de Giacomo Puccini Quando: de 16 a 25/11, sexta (16), sábado (17), segunda (19), quarta (21), quinta (22) e sábado (24) às 20h; domingo (25), às 18h Onde: Theatro Municipal de São Paulo (Praça Ramos de Azevedo, s/nº, São Paulo) Quanto: de R$ 80 a R$ 150 (vendas na bilheteria do Theatro de segunda a sexta, das 10h às 19h, sábados e domingos, das 10h às 17h ou pelo site www.eventim.com.br)

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