Resultado do trimestre fica negativo em US$ 1,9 bilhão, valor 7% maior que o registrado em 2012

Aviões de carga em Viracopos, principal ponto de entrada e saída de produtos da RMC (Cedoc/RAC)
A balança comercial da Região Metropolitana de Campinas (RMC) começou o ano aprofundando seu déficit em 7,39% em relação ao ano passado, com o valor negativo passando de US$ 1,77 bilhão para US$ 1,9 bilhão. As importações cresceram 10,42% e atingiram US$ 3,26 bilhões, enquanto as exportações somaram US$ 1,09 bilhão e encolheram 8,22% sobre o volume do primeiro trimestre de 2013.
Apesar de o resultado estar longe de atender as necessidades de crescimento da região, ele pode ser um indicativo de que as indústrias estão mesmo apostando em dias melhores.
A expansão do emprego industrial na região revelado esta semana pelos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego reforça a tese de que as importações visam a retomada da produção.
Especialistas afirmaram que um detalhamento dos produtos importados pela RMC apontou uma grande quantidade de insumos e equipamentos. Mas resta a dúvida de saber se um aquecimento do giro das plantas produtivas significará refinar as mercadorias que serão futuramente exportadas.
Com o mercado internacional em recessão, os exportadores penam para vender seus produtos no Exterior. E a infraestrutura precária do Brasil também não ajuda em nada a competitividade lá fora.
O País ainda é um grande exportador de materiais primários, como commodities agrícolas, e na área industrial tem poucos produtos com maior valor agregado para oferecer.
E acontece que a região de Campinas tem um parque industrial especialmente voltado para o desenvolvimento de produtos que utilizam tecnologia de ponta.
Desempenho
O maior exportador no primeiro trimestre deste ano foi Campinas, com um total de US$ 245 milhões. Contudo, houve um recuo de 7,87% se comparado com os números de janeiro a março do ano passado. As importações da cidade subiram 7,48% no período e atingiram US$ 1,03 bilhão.
A segunda posição no ranking das exportações foi ocupado por Indaiatuba, que chegou a US$ 184,2 milhões - queda de 4,52% frente a 2012. As importações foram de US$ 277,1 milhões e aumentaram 3,42%.
Dinâmica
O professor do curso de pós-graduação em Controladoria e Finanças do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), Leandro Morais, afirmou que a indústria perdeu dinamismo nos últimos anos e a expectativa é que a produção seja retomada a partir de agora.
“O governo está estimulando o setor com desonerações, recursos do BNDES (Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social) e com programas como o Brasil Maior. Esse conjunto de ações deverá gerar resultados positivos”, disse.
Ele ressaltou que a RMC tem um perfil econômico com forte presença da indústria de transformação, de empresas de alta tecnologia e de construção civil. De acordo com ele, quase a totalidade das importações da região foi de bens de capital e insumos.
“Esse movimento mostra a potencialidade de uma retomada da produção industrial. As empresas estão investindo em maquinário e componentes. O quadro deve melhorar a partir do próximo ano e pode até acontecer uma reversão do saldo negativo da balança comercial”, afirmou.
Embora veja sinais positivos, o especialista ressaltou que é preciso avaliar se os investimentos de fato se traduzirão em produtos de alto valor agregado que possam ser exportados quando a situação econômica mundial for mais favorável.
“Hoje, 70% da pauta exportadora brasileira é de commodities. E boa parcela dasexportações industriais é de produtos manufaturados primários.Precisamossofisticar asnossasexportações”, concluiu.