Peça da dramaturga britânica Sarah Kane mostra mulheres em estado de depressão
Cena da peça 'Psicose 4h48', de Sarah Kane, encenada pela Fatal Companhia (Divulgação)
Um mês depois de encerrar a escrita da peça 'Psicose 4h48', a dramaturga britânica Sarah Kane (1971-1999) se enforcou no King’s College Hospital de Londres, com os cadarços dos próprios tênis. Aquele texto cênico já revelava seu estado de desespero: uma mulher à beira do suicídio tem os momentos finais de vida marcados por alucinações.
Montado em São Paulo em 2003 com Isabelle Huppert, 'Psicose 4h48' ganha nova versão, no Teatro Cultura Inglesa-Pinheiros, agora sob a responsabilidade de um especialista na obra de Sarah Kane: o diretor e tradutor Laerte Mello. À frente do grupo Fatal Companhia, ele utiliza recursos de videoarte, dança contemporânea e trilha sonora tocada ao vivo, além de escalar não apenas uma mas várias atrizes que apresentam vozes de uma ou mais mulheres em estado de depressão, alternando a percepção das personagens em relação aos tratamentos médicos recebidos e à forma com que os profissionais de saúde, familiares e amigos lidam com essas vozes.
Além disso, a trilha sonora foi montada baseada em sequências de acordes de canções de Radiohead, Joy Division, Tindersticks, PJ Harvey, Pixies e Ben Harper, bandas que influenciaram Sarah Kane.
Segundo Laerte Mello, o diferencial da montagem é descrever o estado de depressão e os tratamentos recebidos, não só por meio do texto, mas também pela dança contemporânea e por imagens de vídeos. A narrativa começa com o primeiro tratamento com drogas e atinge o pico de uma crise que a leva a uma tentativa de suicídio. Segue por sessões de eletrochoque, passa por um momento que parece ser uma recuperação, mas culmina com a morte fulminante.
Serviço
Peça 'Psicose 4h48'
Às segundas e terças-feiras, 21h. Até 14/5
No Teatro Cultura Inglesa-Pinheiros (R. Dep. Lacerda Franco, 333) - São Paulo, Telefone: (11) 3814-0100
De graça