Compositoras latinas mostram suas obras

Professora da Unicamp está entre finalistas do Concurso Compositoras Latino-Americanas

A compositora brasileira Denise Garcia é a única representante brasileira nesta final

Cibele Vieira/ [email protected]
16/01/2024 às 09:02.
Atualizado em 16/01/2024 às 09:02
“Naturalmente, fiquei muito feliz com o resultado e terei enorme satisfação de ver meu trabalho interpretado pela Osesp”, destaca a compositora e professora livre-docente do Instituto de Artes da Unicamp, Denise Garcia (Marília Pelicciotta Vasconcellos)

“Naturalmente, fiquei muito feliz com o resultado e terei enorme satisfação de ver meu trabalho interpretado pela Osesp”, destaca a compositora e professora livre-docente do Instituto de Artes da Unicamp, Denise Garcia (Marília Pelicciotta Vasconcellos)

A compositora brasileira Denise Garcia e as argentinas Eva García-Fernandez e Stephanie Macchi são as três finalistas do Concurso Compositoras Latino-Americanas, uma iniciativa da Fundação Osesp, que recebeu 26 inscrições vindas de nove países, sendo 12 do Brasil. Em 2024, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) comemora 70 anos e, como parte da programação de aniversário, sua Fundação organizou a primeira edição desse concurso, que terá as obras finalistas apresentadas em um concerto aberto ao público no dia 23 de fevereiro. A vencedora será gravada pela Osesp em um álbum comemorativo.

“Participei do Concurso Compositoras Latino-Americanas porque achei que era importante ter um número significativo de mulheres participando, para marcar nossa presença e força na música de concerto brasileira. No entanto, houve muito menos participantes do que achei que teria, talvez porque o prazo fosse bem apertado. Naturalmente, fiquei muito feliz com o resultado e terei enorme satisfação de ver meu trabalho interpretado pela Osesp”, declarou Denise, que se dedica à composição desde a década de 1990.

OBRAS FINALISTAS

A obra composta e inscrita pela brasileira é “C.A.C.O.S. (Celebração da Arte e Cultura Ocidental Sinfônica)”. A autora revela que escreveu na partitura a seguinte informação: “esta obra tem como material musical básico pequenos motivos melódicos de obras ícones de compositores consagrados da música do século XX”. Ela explica que são obras e autores que integraram sua formação musical, portanto, são suas memórias musicais. “A imagem poética é a que esses trechos vão surgindo como cacos boiando no mar, chocando-se, dissolvendo-se e transformando-se em areia que voa com o ar ao final”, relata.

Outra finalista é a argentina Eva García Fernández, compositora, saxofonista, professora, pesquisadora e performer de Buenos Aires, que inscreveu a obra “Imagem-tiempo”. Fernández é bacharel em Música pela Universidad Nacional de Tres de Febrero. A terceira compositora finalista é Stephanie Macchi, que concorre com a obra “Pampeana”. Ela começou seus estudos musicais no Conservatório Julián Aguirre de Buenos Aires e, atualmente, vive em Barcelona e cursa licenciatura em composição na Escola Superior de Música da Catalunha.

OBRAS FINALISTAS

A obra composta e inscrita pela brasileira é “C.A.C.O.S. (Celebração da Arte e Cultura Ocidental Sinfônica)”. A autora revela que escreveu na partitura a seguinte informação: “esta obra tem como material musical básico pequenos motivos melódicos de obras ícones de compositores consagrados da música do século XX”. Ela explica que são obras e autores que integraram sua formação musical, portanto, são suas memórias musicais. “A imagem poética é a que esses trechos vão surgindo como cacos boiando no mar, chocando-se, dissolvendo-se e transformando-se em areia que voa com o ar ao final”, relata.

Outra finalista é a argentina Eva García Fernández, compositora, saxofonista, professora, pesquisadora e performer de Buenos Aires, que inscreveu a obra “Imagem-tiempo”. Fernández é bacharel em Música pela Universidad Nacional de Tres de Febrero. A terceira compositora finalista é Stephanie Macchi, que concorre com a obra “Pampeana”. Ela começou seus estudos musicais no Conservatório Julián Aguirre de Buenos Aires e, atualmente, vive em Barcelona e cursa licenciatura em composição na Escola Superior de Música da Catalunha.

UMA COMPOSITORA BRASILEIRA

A formação acadêmica da brasileira Denise Garcia inclui bacharelado em Música pela USP, mestrado em Artes pela Unicamp, doutorado em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e pósdoutorado pela Escola de Música da UFRJ, além de ter estudado composição na Musikakademie Detmold e na Musikhochshule de Munique. Ela atua como professora livre docente do Instituto de Artes da Unicamp e coordenadora de pesquisa do mesmo instituto (2022-2024). Tem dois álbuns com composições autorais já lançados e obras presentes em coletâneas.

A composição instrumental, com destaque para o repertório sinfônico, passou a ter dedicação maior de Denise a partir de 1999. Suas obras têm sido interpretadas por várias orquestras, entre elas as Sinfônicas de Campinas, Santo André, de Minas Gerais, do Espírito Santo, da USP, da Unicamp e também a Orquestra da Universidade Federal do Paraná.

CONCURSO INÉDITO

O concurso “Compositoras Latino-Americanas” foi realizado entre agosto e novembro, quando foram recebidas 26 obras sinfônicas inéditas, com duração entre 7 e 10 minutos cada, sobre os temas “70 anos da Osesp”, “Celebração Cultural” e “Celebração da Arte e Cultura das Américas”. As compositoras participantes vieram de nove países diferentes: Argentina, Brasil, Colômbia, Cuba, Equador, México, Paraguai, Venezuela e Uruguai. Após 15 dias de análise, a banca avaliadora – composta por Ligia Amadio, Sílvia Berg e Aylton Escobar – escolheu as três obras finalistas, que serão apresentadas pela Osesp, sob a regência do diretor musical Thierry Fischer, em um concerto aberto ao público (23/02) na Sala São Paulo, na capital paulista.

Logo após a finalização do concurso, será realizada a gravação da execução, pela Osesp, da obra vencedora. O fonograma resultante dessa gravação comporá um álbum em celebração aos 70 anos da Orquestra, que também reunirá trabalhos dos compositores Andrew Norman, Clarice Assad, Esteban Benzecry, Felipe Lara, Heinz Holliger e Unsuk Chin (sete nomes, um para cada década de história).

A Fundação Osesp é uma instituição sem fins lucrativos que busca apoiar, incentivar, desenvolver e promover a cultura, a educação e a assistência social, com ênfase nas músicas de concerto, instrumental e vocal. Ela administra, desde 2005, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, que foi fundada em 1954.

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