Produção é uma prequel do filme 'Mais um Verão Americano', de 2001: apesar do elenco de peso, é indicada apenas para fãs de humor escatológico e nonsense

Cena da nova série do Netflix 'Wet Hot American Summer: First Day of Camp,' ( Divulgação)
Quem poderia imaginar que aquele desconhecido Bradley Cooper de 'Mais um Verão Americano' ('Wet Hot American Summer', de 2001), estreando nas telonas, conseguiria, 14 anos depois, ter no currículo três indicações consecutivas ao Oscar? Mais do que isso, se tornar um respeitado e disputado ator na maior indústria cinematográfica do planeta e, de quebra, um dos maiores galãs da atualidade? Seria difícil enxergar este futuro não por desacreditar no talento do rapaz, mas, como dito, por sua estreia ter sido nessa bomba fantasiada de comédia satírica de David Wain. O longa-metragem sobre o encontro de um grupo de amigos em um acampamento localizado em Waterville (Maine), e que trazia ainda no elenco nomes como Elizabeth Banks ('Jogos Vorazes'), Amy Poehler ('Parks & Recreations'), Paul Rudd ('Homem-Formiga') e David Hyde Pierce ('Frasier') — todos, atualmente, ostentando grandes carreiras —, foi um fracasso em crítica, em bilheteria e, para sorte de todos, guardado numa gaveta. Bom, ficou esquecido até janeiro deste ano, quando foi anunciado que a Netflix faria uma série de oito episódios com o elenco original para mostrar como foram os momentos que antecederam o encontro do filme. A ideia até fazia sentido visto que, como citado, aquele elenco esquisito do passado atualmente faz uma enorme diferença no mundo televisivo (e cinematográfico). Ou seja, o apelo é outro. Então, eis que a série saiu, com o nome 'Wet Hot American Summer: First Day of Camp', estando disponível no site de streaming desde sexta-feira (31). Mas, poxa, não se anime: pouca coisa mudou nesses anos todos. Só para você entender o enredo, o filme mostra o último dia de um acampamento do Verão em 1981, enquanto a série mostra a chegada dos “jovens” ao refúgio de férias, dois meses antes. David Wain e o roteirista Michael Showalter, para isso, conseguiram a incrível façanha de reunir os 18 atores originais do longa — e ainda acrescentou alguns nomes (como Jason Schwartzman), para englobar comediantes da atualidade. Com isso, conseguiram evoluir nas piadas, mas a comédia escatológica e nonsense continua a mesma. Há coisas realmente engraçadas, vamos admitir, e que merecem destaque. Por exemplo: se já em 2001 o filme era feito por adultos se passando por adolescentes, agora, os quarentões fazem questão de transformar esse fato em algo bizarro, zoando de si mesmos. O que é ótimo, diga-se de passagem. Bradley Cooper e Amy Poehler, de longe, destacam-se na trama, conseguindo divertir pela atuação e não por um texto infantil. Só que há situações óbvias demais e, na maioria dos casos, o péssimo roteiro força situações que, claramente, buscam atingir diversos públicos, atirando para todos os lados. Facilmente poderia passar na sessão da tarde, se não fossem os palavrões. Os fãs do filme, provavelmente, vão assistir aos episódios mais de uma vez (o que deixará, obviamente, os executivos da Netflix felicíssimos). Mas isso é algo apenas para quem, como dito, achou o longa de 2001 divertido, interessante, bem-feito etc... porque, se você não gosta do estilo e ficou descontente com a interminável uma hora e meia de 'Mais um Verão Americano', fuja da série, mesmo ela sendo um pouco mais inteligente e menos sofrível do que a produção que serviu de inspiração. O motivo é simples. Parafraseando o lendário crítico Roger Ebert em seu texto sobre, justamente, 'Mais um Verão Americano', “a vida é muito curta para tamanha tortura cinematográfica” — ou, no caso, televisiva.